domingo, 10 de março de 2024

A IGREJA NO TEMPO DE DECISÃO

 



 


 

         A vida terrena, com o seu dia a dia, é a mais ferrenha inimiga da vida espiritual. Mas a vida espiritual não pode ser sufocada pelo que é material. Crente só é crente, se for espiritual! Por conseguinte, é impossível que o cristão seja, ao mesmo tempo, integrante do sistema deste mundo e integrante do Reino de Deus. Jesus, quando foi interrogado por Pilatos, respondeu-lhe:

 

... O meu Reino não é deste mundo;...” (Jo 18. 36)

 

         No evangelho segundo Mateus, o Senhor esclareceu que ninguém pode servir a dois senhores, “porque, ou há de odiar um e amar o outro; ou se dedicará a um, e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mâmon.” (Mt 6. 24)

 

 

Nota: “Jesus escolhe uma palavra aramaica, para personificar um dos mais poderosos deuses de todos os tempos: o Dinheiro. O adjetivo Mâmon, deriva do verbo aramaico âman  (sustentar) e significa amor às riquezas e dedicação avarenta aos interesses mundanos...” (Comentários. Bíblia KJA. p. 1354)

 

 

 

Há grande luta entre a convivência material e a vida espiritual. Entretanto, todo ser humano é forçado a decidir. O Senhor Jesus não obriga as pessoas a que o sigam; a questão é de atender ou recusar o convite que ele fez: “Venham a Mim! Há, contudo, um grave risco: o fato de que, muitas vezes, os seguidores do Mestre transformam num sonho a realidade da vida espiritual. Transformam-na em algo a se concretizar, porque estão conformados com este mundo! Talvez, um dia; “na glória futura” como costumam dizer.

 

         O apóstolo Paulo não fala desse cristianismo onírico, baseado em fantasia religiosa, produto da imaginação. Assim, o cristianismo de Paulo não é esse cristianismo festivo que vivemos; Urge a necessidade de correção, para que abandonemos um evangelho humano, estruturado para satisfazer-nos, criado segundo o nosso próprio interesse; moldado para tentar uma união impossível entre a verdade das Escrituras e a imaginação das nossas mentes terrenas. O apóstolo recomenda com insistência: “... e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento,...” (Rm 12. 2)

 

         Reunimo-nos, semanalmente, nos templos das nossas denominações, seguimos uma liturgia, muitas vezes desgastada, inócua; e não nos damos conta de que, no decorrer da semana, a nossa vida se amolda facilmente a este sistema mundano, sob a deslavada desculpa de que ainda estamos neste mundo. Sim, nós vivemos neste mundo; mas nós não vivemos - nem podemos viver - para este mundo; isto é, para os interesses deste mundo. Jesus, pessoalmente, orou ao Pai, por aqueles que vieram a fazer parte do Reino de Deus:

 

Eu lhes tenho transmitido a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não pertencem ao mundo, como Eu não sou do mundo. Não oro para que os tires do mundo; mas, sim, para que os protejas do príncipe deste mundo. Eles não são do mundo, como também Eu não sou...”

(Jo 17. 14. BKJ)

 

 

         À semelhança de Paulo, é necessário que cada um de nós possa repetir, de modo racional, consciente e decidido, a declaração dele:

 

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 2. 20) 

 

Chegou, definitivamente, o tempo de cada cristão atender a conclamação de Paulo, na Carta aos Romanos:  

                  

E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.” (Rm 13. 11)

 

É chegado o tempo em que haverá a separação entre os que servem a Deus (de fato) e os que parecem servi-lo. Leiam Malaquias 3. 18.

 

Ora, quem é injusto continue na injustiça; quem é mundano continue na impureza; mas quem é justo firme-se na prática da justiça e quem é santo continue a buscar a santificação.” (Ap 22. 11) Amém!

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