A vida terrena, com o seu dia a dia, é
a mais ferrenha inimiga da vida espiritual. Mas a vida espiritual não pode ser
sufocada pelo que é material. Crente só é crente, se for espiritual! Por
conseguinte, é impossível que o cristão seja, ao mesmo tempo, integrante do
sistema deste mundo e integrante do Reino de Deus. Jesus, quando foi
interrogado por Pilatos, respondeu-lhe:
“... O meu Reino não é deste mundo;...” (Jo 18. 36)
No evangelho segundo Mateus, o Senhor
esclareceu que ninguém pode servir a dois senhores, “porque, ou há de odiar um e amar o outro; ou se dedicará a um, e
desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mâmon.” (Mt 6. 24)
Nota: “Jesus escolhe uma
palavra aramaica, para personificar um dos mais poderosos deuses de todos os
tempos: o Dinheiro. O adjetivo Mâmon, deriva do verbo aramaico âman (sustentar) e significa amor às riquezas e
dedicação avarenta aos interesses mundanos...” (Comentários. Bíblia KJA. p.
1354)
Há grande luta entre a convivência material e
a vida espiritual. Entretanto, todo ser humano é forçado a decidir. O Senhor
Jesus não obriga as pessoas a que o sigam; a questão é de atender ou recusar o
convite que ele fez: “Venham a Mim! Há, contudo, um grave risco: o fato de que,
muitas vezes, os seguidores do Mestre transformam num sonho a realidade da vida
espiritual. Transformam-na em algo a se concretizar, porque estão conformados
com este mundo! Talvez, um dia; “na glória futura” como costumam dizer.
O apóstolo Paulo não fala desse
cristianismo onírico, baseado em fantasia religiosa, produto da imaginação.
Assim, o cristianismo de Paulo não é esse cristianismo festivo que vivemos; Urge
a necessidade de correção, para que abandonemos um evangelho humano, estruturado
para satisfazer-nos, criado segundo o nosso próprio interesse; moldado para tentar
uma união impossível entre a verdade das Escrituras e a imaginação das nossas
mentes terrenas. O apóstolo recomenda com insistência: “... e não vos conformeis com este mundo, mas
transformai-vos pela renovação do vosso entendimento,...” (Rm 12. 2)
Reunimo-nos, semanalmente, nos templos
das nossas denominações, seguimos uma liturgia, muitas vezes desgastada,
inócua; e não nos damos conta de que, no decorrer da semana, a nossa vida se amolda
facilmente a este sistema mundano, sob a deslavada desculpa de que ainda
estamos neste mundo. Sim, nós vivemos neste
mundo; mas nós não vivemos - nem podemos viver - para este mundo; isto é, para os interesses deste mundo. Jesus,
pessoalmente, orou ao Pai, por aqueles que vieram a fazer parte do Reino de
Deus:
“Eu lhes tenho transmitido a tua palavra, e o mundo os odiou, porque
eles não pertencem ao mundo, como Eu não sou do mundo. Não oro para que os
tires do mundo; mas, sim, para que os protejas do príncipe deste mundo. Eles
não são do mundo, como também Eu não sou...”
(Jo 17. 14. BKJ)
À semelhança de Paulo, é necessário que
cada um de nós possa repetir, de modo racional, consciente e decidido, a
declaração dele:
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive
em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual
me amou e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 2. 20)
Chegou, definitivamente, o tempo de cada cristão
atender a conclamação de Paulo, na Carta aos Romanos:
“E isto
digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa
salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.” (Rm
13. 11)
É chegado o tempo em que haverá a separação
entre os que servem a Deus (de fato) e os que parecem servi-lo. Leiam Malaquias
3. 18.
“Ora,
quem é injusto continue na injustiça; quem é mundano continue na impureza; mas
quem é justo firme-se na prática da justiça e quem é santo continue a buscar a santificação.” (Ap 22. 11) Amém!


Nenhum comentário:
Postar um comentário