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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

O AMOR COBRE PECADOS; NÃO OS ENCOBRE

 O AMOR COBRE PECADOS; NÃO OS ENCOBRE

Houve um tempo, quando a religião dominante na Europa colocava todos os leigos – os que não labutavam na esfera eclesiástica - na categoria de indoutos; sobretudo, porque receava contestação aos seus dogmas. Ler a Bíblia Sagrada era atividade taxativamente proibida, estudá-la teologicamente era candidatar-se à fogueira. Sabia-se que o estudo das Escrituras era exclusividade do seleto clero romano. Fazia parte desse contexto assegurar a própria hegemonia; por isso, o clero nunca fez questão de patrocinar acesso ao saber, exceto aos que lhe eram convenientes. Para a massa, bastava o que se queria servir.

Todavia, a História Geral está à disposição de quem quiser inteirar-se daquele tempo. Os frutos, porém, estenderam-se século após século, e não há dúvida de que parte de nós vive no mundo intelectualizado, e parte de nós vive no mundo inculto, sendo que neste há muito mais indivíduos do que naquele. Aí está, acredito, a causa do grande percentual da má aplicação dos textos bíblicos, sem deixar de considerar a existência da má-fé.

Isso posto, gostaria de meditar sobre uma frase corriqueira no meio evangélico: “o amor cobre uma multidão de pecados”. À primeira vista a impressão é de incoerência, exatamente, porque o amor representa a virtude, mas o pecado, o defeito. Vejamos fragmentos bíblicos sobre isso:

“O ódio excita contendas; mas o amor cobre todas as transgressões” (Pv 10.12).

“Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados” (Tg 5.20).

“Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobrirá a multidão de pecados” (1Pe 4.8).

O salmista diz:

“Bem- aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto” (Sl 32.1).

O primeiro passo para a compreensão dessas passagens é perceber que as palavras não são proprietárias de seu significado; elas são signos linguísticos: elementos constituídos de significante (parte material, visível) e significado (conceito, imagem mental provocada). Ao falante é dada certa liberdade para a escolha dos signos com que construirá a sua mensagem.

Analisemos os versículos citados, começando por Provérbios 10.12:

A sentença “... o amor cobre todas as transgressões.” Não pode ser isolada do contexto em que está a anterior: “O ódio excita contendas;...”. Há um jogo entre o que o ódio produz e o que o amor produz. Enquanto o ódio provoca a ira, incendeia a contenda, o amor possibilita a paz, desfaz a confusão encerra o problema, ou seja, evita que as transgressões se desenvolvam. O amor põe um freio no prosseguimento das transgressões. Logo, não se pode entender que o amor sirva para alguém acobertar transgressões.

Vamos ao segundo caso, marcado em Tiago 5.20:

“Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados”. Vamos partir de uma constatação expressa no evangelho de Mateus e em Isaías: “E ela dará â luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.21). “E não há outro Deus, senão eu; Deus justo e Salvador, não há outro fora de mim” (Is 45.21). Quem pode salvar? Somente o Senhor. Entretanto, Tiago usa uma forma de linguagem que parece atribuir ao homem tal poder. Não o faz. É simplesmente força de expressão; o homem não salva o seu companheiro, mas pode servir de instrumento para que Deus salve. Aliás, quem anuncia o evangelho é instrumento de salvação, não o agente dela.

Quanto a cobrir uma multidão de pecados, o sentido do verbo cobrir é o mesmo do caso anterior, visto em Provérbios. Trata-se de alguém ser instrumento de Deus, como atalaia, para impedir ao pecador a continuidade da vida pecaminosa, exatamente como fez Jonas, em Nínive.

Terceiro ponto, a citação de 1Pedro 4.8:

“Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobrirá a multidão de pecados” (1Pe 4.8). Evidentemente o apóstolo Pedro não está sugerindo que haja tal amor que esconda a multidão de pecados uns dos outros. Na verdade, aí está retomado o

mesmo significado já visto; a caridade ou o amor ardente entre os irmãos produz reparo, correção capaz de estancar qualquer possibilidade de que a multidão de pecados continue em crescimento deletério. A caridade entre os irmãos traz orientação sobre o poder do sangue de Jesus para cobrir, isto é, apagar a vigência dos pecados. O apóstolo do amor, João, ensina que o mentiroso diz que não peca. “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1Jo 1.8-9).

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1.7) O sangue de Jesus Cristo cobre multidões de pecados. Amém

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Hinos: louvores, adoração, oração e convites.


Hino é uma composição poética e musical, destinada à honra devida a Deus. Neste caso, a composição se coloca na categoria de hino sacro e, dependendo do propósito, pode constituir um louvor ou glorificação, uma adoração, expressar uma oração ou súplica e, ainda um convite evangelístico.
O hino que, no âmbito secular, expressa as glórias de uma nação, de um herói, de um partido político ou de um clube esportivo, classifica como hino profano. Aqui, a palavra profano não tem sentido pejorativo, é, apenas, antônima de sacro.
No âmbito da hinologia sacra, é necessário distinguir o conceito de louvor, de adoração, de oração ou súplica e de convite evangelístico.
a) Hino de louvor ou de glorificação
O hino de louvor ou de glorificação caracteriza-se pela intenção de glorificar o poderio do Senhor e as suas obras. Louvamos a Deus pelo que ele faz. A maioria dos Salmos constituem hinos de louvor. “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam; porque ele a fundou sobre os mares e a firmou sobre os rios...” (Sl 24.1). “Louvai ao Senhor e invocai o seu nome; fazei conhecidas as suas obras entre os povos. Cantai-lhe, cantai-lhe salmos; falai de todas as suas maravilhas” (Sl 105.1). Alguns hinos de louvor compõem a Harpa Cristã.
b) Hino de adoração
A palavra adoração expressa o ato de adorar (do grego proskuneo). No original, significa prostrar-se em reverência. No hino de adoração, o crente se prostra física ou intelectualmente diante da majestade indescritível de Deus. O hino de adoração procura reverenciar a Deus por Quem Ele é. Nos Salmos também há hinos de adoração. “Daí ao Senhor ó filhos dos poderosos, daí ao Senhor glória e força. Daí ao Senhor a glória devida ao seu nome; adorai o Senhor, na beleza da sua santidade. A voz do Senhor ouve-se sobre as águas; o Deus da glória troveja; o Senhor está sobre as muitas águas. A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é cheia de majestade” (Sl 29. 1-4). Há hinos de adoração na Harpa Cristã.
c) Hino de oração ou súplica
Quando se entoa um hino sacro, de forma particular ou pública, é indispensável ter-se a consciência do que se canta. Aliás, este ponto é crucial na maioria dos cânticos congregacionais: a consciência do culto a Deus. Nem sempre a oração é feita nos cultos exclusivos para esse fim, ou ajoelhados em casa. A oração também se faz por meio do canto poético. O Salmo 5, expressa uma oração de súplica a Deus: “Dá ouvidos às minhas palavras, ó Senhor; atende à minha meditação. Atende à voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei” (Sl 5.1) O hinário oficial das Assembleias de Deus, a Harpa cristã, contém alguns hinos de oração ou súplica.
d) Hino de convite evangelístico
A Igreja Assembleia de Deus sempre teve preocupação com os trabalhos missionários de evangelismo local, nacional ou internacional. Por essa razão, a grande quantidade de hinos de convite nela contidos, tais como os seguintes: 46, 65, 69, 96, entre tantos outros.
No âmbito da hinologia profana, destacam-se os hinos pátrios (Hinos Nacionais), os hinos militares e os hinos do esporte. Aqui, só nos detivemos, rapidamente, na hinologia sacra.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Esdras, um pastor devotado ao concerto


Introdução
Costumes são hábitos que, quanto mais antigos, menos afetam aqueles que os mantêm. Acontece que, além dos costumes inócuos, há os bons e os maus costumes. Inócuos são os costumes que não afetam as circunstâncias nem os ambientes em que se praticam. Por exemplo, há quem tenha o hábito, ou costume, de dormir logo que anoitece; outros preferem recolher-se bem tarde. São costumes inócuos. Agora, imagine-se o costume de alguém ouvir rádio, com som alto, às seis da manhã de um domingo!
Agora, lembrado o que são costumes, vamos tratá-los na perspectiva das nossas atividades cristãs, que também podem ser chamadas de religiosas. As igrejas e os cultos evangélicos têm sido celeiros de costumes e, evidentemente, se não são maus - dada a natureza deles -, muitos também não são totalmente sadios ou inócuos. Um desses costumes criticáveis é o de que somente se dá atenção a um problema, depois que ele acontece. Aliás, isso parece ser índole do povo brasileiro. Na hora do curto circuito é que se corre para trocar a fiação.
Fala-se muito, hoje, de igrejas que não alcançam um bom resultado em suas tarefas de expandir o reino de Deus. Geralmente, esses maus resultados vêm-se prolongando e se aprofundando, durante anos; mas, somente quando a situação é gravíssima, dá-se a atenção. Por que se chega a tal ponto? Porque o costume traz o comodismo e impede a percepção do processo deletério.
Paralelamente a isso, cultiva-se, nas mesmas igrejas, o costume de nunca se analisarem as práticas litúrgicas, com apoio na afirmação desgastada do “sempre fizemos assim”, “essa é a nossa tradição”. Mas está bem aí, na maioria dos casos, o problema. O costume, ou a tradição não analisados, servem de entrave ao crescimento da membresia; e, muito pior, entravam o amadurecimento espiritual da igreja.
É necessário sacudir as toalhas empoeiradas da tradição, considerando que a Palavra de Deus
“é viva e eficaz, mais penetrante do que espada alguma de dois gumes”, como diz o autor da epístola aos Hebreus. Por ser viva, a palavra é eficaz, por ser eficaz é penetrante; logo, sendo viva, eficaz e penetrante, é dinâmica; não é inerte, costumeira, antiquada e sonolenta.
Crentes, mas mergulhados em maus hábitos
Os muros e a cidade de Jerusalém estavam relegados a uma profunda desolação. Tudo havia sido destruído, uma parte dos judeus ainda estava em Babilônia, no cativeiro. Grande parte dos que retornaram, após 70 anos como exilados de sua pátria, haviam adquirido os maus costumes babilônicos, não se importavam com a mistura - nem com a miscigenação - com outros povos, embora se considerassem religiosamente judeus.
 Quantos crentes estão como aqueles remanescentes, mergulhados nos maus costumes do mundo, mas adeptos da igreja? Chegados a sua terra, os remanescentes hebreus puseram-se a reconstruir o altar e colocaram os alicerces do templo, mas não tiveram força para prosseguir na tarefa, devido às perseguições. Encorajados pelos profetas, reiniciaram as obras, com muitas dificuldades, e terminaram a tarefa, mas isso era tão somente obra material, encobrindo uma espiritualidade morta sob o peso dos costumes mundanos dos descrentes.
Um templo reconstruído e um povo em pecado
Esdras, vindo da Babilônia, para Jerusalém, encontrou sérios problemas entre o povo. Ainda que eles tivessem o templo construído e consagrado (Ed 6.16), estavam mal doutrinados e em pecado.
Quantos dos nossos belos templos congregam gente que desagrada a Deus? Quantos precisam do aparecimento de um Esdras, para trazer-lhes ensino e correção?
As ovelhas que andam errantes, sem pastor, tornam-se facilmente presas do predador. A Bíblia diz que o diabo anda em derredor dos crentes que margeiam o aprisco, buscando a quem possa tragar (1Pe 5.8). A verdade desse verbo (tragar) põe às claras uma das mais perfeitas ciladas de um inimigo que não pretende mostrar as garras; por isso, não aparece com chifres e tridente, mas se aproxima com seu baú de atraentes, mas falsas, propostas. Paulo declara que nós não ignoramos os ardis do inimigo (2Co 2.11).
Um pastor dedicado lamenta os erros do seu povo
Quando Esdras chegou da Babilônia, foi informado da péssima situação espiritual do povo de Israel e ficou profundamente triste com o que soube. É necessário que muito nos entristeçamos com uma igreja em decadência.
“E, ouvindo eu tal coisa, rasguei a minha veste e o meu manto, e arranquei os cabelos da minha cabeça e da minha barba, e me assentei atônito” (Ed 9.3).
Diante de desmandos e pecados do povo de Deus, quantos líderes da atualidade têm tamanha preocupação? Quantos ficam atônitos por causa dos erros que vêm ao seu conhecimento? Esdras se pôs de joelhos, em oração sincera, manifestou-se confuso e envergonhado, como se sentindo faltoso para com o seu dever de orientar. Disse ele:
“... Meu Deus, estou confuso e envergonhado para levantar a ti a minha face, meu Deus, porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça e a nossa culpa tem crescido até aos céus” (9.6).
Um povo desgarrado do Senhor precisa com urgência de líderes como Esdras. Na Carta aos Efésios, o apóstolo diz que o Senhor mesmo deu à igreja líderes, “querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12).
A necessidade de discípulos obedientes à palavra de Deus
Se, por um lado, é necessário haver líderes responsáveis pela boa conduta do povo, não é menos necessário que haja um povo disposto ao amadurecimento espiritual e à correção dos seus maus caminhos.
Sem essa parceria, nenhuma igreja progride. Existem pastores de ovelhas ruins; estes se desgastam em preocupação, ensino, correção, ano após ano, mas não veem resultado do trabalho. A causa? Ovelhas desobedientes à Palavra, “crentes” que se tornam ouvintes desatentos, acostumados ao pecado, murmuradores, divisores do rebanho, maldizentes.
O líder Josué enfrentou essa situação; diante disso, ele não ficou gastando sermões infrutíferos; mas reuniu o povo e mandou que eles escolhessem a quem queriam servir. Isto quer dizer que Josué se desincumbiu da responsabilidade sobre eles, caso não seguissem ao Senhor.
Não é mais tempo de se insistir com as más ovelhas; a Bíblia ensina que os maus crentes devem ser chamados uma e duas vezes, caso não se corrijam, devem ser tratados como gentios e publicanos (Mt 18.17), porque deixaram de ser filhos de Deus em Cristo, segundo a doutrina. Não se divide aprisco de ovelhas com manada de lobos.
Jesus não fez questão de que incrédulos à sua mensagem estivessem ao redor dele.
Conclusão
O mundo cristão atual precisa retomar com seriedade o conteúdo da Palavra de Deus. As igrejas têm que voltar ao estudo e à aprendizagem correta da Palavra de Deus. Nossos líderes precisam adquirir um coração como o de Esdras (Ed 9.6-7), uma autoridade como a de Josué (Js 24.15) e uma conduta como a de Paulo, que diz não se envergonhar do evangelho (Rm 1.16).
Nossos cultos devem ser analisados à luz da Bíblia, para que abandonemos as práticas infrutíferas, costumeiras e respaldadas nas ideias do “sempre fizemos assim”. É tempo de sacudir as toalhas empoeiradas dos costumes que para nada servem. É tempo de olhar para adiante; não para o que atrás fica (Fp 3.13-14).
É tempo de renovação, e isso tem que partir de nós. A recomendação paulina é que a igreja não se conforme ao mundo, mas que haja uma mudança, uma transformação pela renovação do nosso entendimento, a fim de que possamos experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2). Amém.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

AGEU, UM PROFETA PARA O NOSSO TEMPO


Leitura: Ageu 1.1-9
“Acaso é tempo de vocês morarem em casas de fino acabamento, enquanto a minha casa fica destruída? Agora, assim diz o Senhor dos Exércitos: Vejam aonde os seus caminhos os levaram. Vocês têm plantado muito, e colhido pouco; vocês comem, mas não se fartam; bebem, mas não se satisfazem; vestem-se, mas não se aquecem; aquele que recebe salário, recebe-o para colocá-lo numa bolsa furada. Assim diz o Senhor dos Exércitos: Vejam aonde os seus caminhos os levaram!
Subam ao monte, para trazer madeira. Construam o templo, para que eu me alegre e nele seja glorificado, diz o Senhor. Vocês esperavam muito; mas, eis que veio pouco. E o que vocês trouxeram para casa eu dissipei com um sopro. E, por que o fiz?, pergunta o Senhor dos Exércitos. Por causa do meu templo que anda destruído, enquanto cada um de vocês se ocupa com a sua própria casa”.

Introdução
O pequeno texto de Ageu faz parte dos três últimos livros do A.T. Tem apenas dois capítulos. São escassas as informações sobre o profeta Ageu. Ele foi levantado por Deus, juntamente com Zacarias e Malaquias, para profetizarem ao remanescente judeu que voltou do exílio babilônico, onde Israel estivera durante 70 anos. O primeiro templo havia sido totalmente destruído em 587 a.C.
A primeira leva de repatriados, que chegou em 538 a.C., sob a liderança de Zorobabel, começou com dedicação a reedificação do templo; porém, enfrentando problemas, aqueles israelitas tornaram-se apáticos e abandonaram as obras. Durante aqueles anos, o povo só se preocupou em reconstruir as suas moradias.
Em 520 a.C., devido à desatenção do povo para com a casa de Deus, Ageu foi levantado por Deus para transmitir a mensagem do Senhor, repreendendo a nação que abandonara em ruínas a casa de Deus.
O livro de Ageu traz cinco mensagens proféticas, datadas e introduzidas pela expressão: “Veio a palavra do Senhor pelo ministério do profeta Ageu”:
I. O tempo e o tema da mensagem (1.1-2);
II. O primeiro discurso (1.3-15) Mostra que a apatia não era por falta de recursos. Em 24 dias o povo recomeçou as obras na casa do Senhor;
III. O segundo discurso (2.1-9) Enfatiza a glória do segundo templo;
IV. O terceiro discurso (2.10-19) Repreensão severa e promessa de bênção;
V. O quarto discurso (2.20-23) A vitória sobre os inimigos

1. O SILÊNCIO SE TORNA CONIVENTE COM O ERRO
O povo que retornou do exílio babilônico somava 43.260 israelitas. Muitos deles não tinham a experiência vivida por seus pais, pois a nação passara 70 anos sob os babilônios. Além disso, provavelmente, traziam os maus hábitos dos povos estrangeiros com quem se misturaram. Entretanto, entre eles, haveria, certamente, remanescentes que preservavam os preceitos da lei de Deus e amor pelo templo. Por que, então, a reconstrução foi abandonada, em favor dos interesses materiais?
Nesses casos, o silêncio dos que persistem na lei de Deus dá oportunidade ao crescimento dos desvios daqueles que se esfriam na fé. O silêncio do justo alimenta o crescimento do erro. Uma igreja atuante não se cala diante dos erros.
O povo recém-chegado do exílio foi estimulado pelo seu líder, Zorobabel, a que se dispusesse à reconstrução do templo e assim foi feito por um tempo. Porém, as oposições ao trabalho e a apatia levaram ao abandono da obra (Ed 4.4-5). Quantas pessoas estão em estado de apatia diante do que precisa ser feito! Por isso, Deus se manifestava aos homens por meio dos profetas. Ageu foi, de fato, a voz usada por Deus para despertar um povo espiritualmente ocioso. “Assim diz o Senhor dos Exércitos...”. A Igreja atual ainda tem vozes usadas por Deus, a fim de estimular, corrigir e ensinar o seu povo. Porém, é necessário que haja cuidado, quanto a um perigo muito grande no emprego dessa expressão - usada por Ageu - por pseudoprofetas que imaginam, com isso, dar garantia às suas palavras aos irmãos ou à igreja. Há, no livro do profeta Jeremias, uma séria exortação contra eles: “Não enviei esses profetas, mas eles foram correndo levar a sua mensagem; não falei com eles, mas eles profetizaram” (Jr 23.21). Esse não foi o caso de Ageu.
2. AGEU: UMA PERSPECTIVA ESPIRITUAL
O pensamento natural busca no conhecimento humano as causas que levam à decadência econômica individual ou mesmo coletiva. Esses altos e baixos são, geralmente, atribuídos a fatores políticos, sociais ou ambientais. Vivemos esse tempo: os estudiosos de todas as áreas buscam na ciência uma explicação para os problemas que o mundo enfrenta. Mas a Igreja sabe a origem desses males.
No livro de Ageu há uma perspectiva espiritual para esses fenômenos. O menosprezo dos judeus pela reconstrução do templo incendiado equivale ao menosprezo de muitos crentes pela manutenção e reconstrução do templo espiritual. “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16).
Se, no Antigo Testamento, a nação de Israel tinha no templo material o seu lugar de adoração a Deus, no tempo da Igreja, esse templo são os membros do
corpo de Cristo. Estêvão declarou “O Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens...” (At 7.48). A Bíblia é bastante enfática e clara, ao posicionar cada crente verdadeiro como “templo do Espírito Santo “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês”? Se alguém destruir o santuário de Deus; Deus o destruirá; pois o santuário de Deus, que são vocês, é sagrado” (1Co 3.16-17).
Paulo escreve aos Efésios: “Assim, que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina, no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Ef 2.19-21).
Se o povo, saído da Babilônia, perdeu o interesse pela reconstrução e manutenção do templo material, porque priorizou o seu próprio interesse, representado pelas casas confortáveis que eles construíram, hoje, muitos crentes têm perdido o zelo pela salvação graciosamente recebida, porque priorizam os seus objetivos terrenos. A voz do profeta Ageu ainda hoje precisa ecoar nos ouvidos da Igreja, que é “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido para anunciar as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).
3. DOIS DESTINATÁRIOS DA PROFECIA DE AGEU
As palavras do profeta Ageu ecoam a voz do Senhor para os crentes e para a Igreja deste tempo. É notória a nossa preocupação com aquilo que só diz respeito a nós e a nossa família. Vivemos dias de intenso consumismo e amor aos bens terrenos, contrariando, com isso, as orientações do Senhor Jesus, em Mateus 6.25-34. Essas preocupações levam à falta de zelo pelo templo do Espírito, o que, sem dúvida, o entristece o e o extingue “Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção” (Ef 4.30). “Não apaguem o Espírito” (1Ts 5.19).
Como Ageu levou a exortação a Zorobabel, líder do povo, devemos nós, também ouvir essa voz que nos chama ao concerto com Deus.
Conclusão
De que maneira podemos nos qualificar para receber as bênçãos de Deus? Primeiramente é necessário aceitar que a ansiedade pela aquisição dos bens materiais não deve ocupar o nosso coração, nem a nossa mente, se é que temos a mente de Cristo. Jesus nos ensinou a ajuntar tesouros no céu, não na terra. A recomendação é “Ma, busquem primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas (Mt 6.33).
A bem-aventurança da parte de Deus, tanto para esta vida como para a vida futura, está atrelada ao nosso zelo para com a obra do Senhor, em todos os seus
aspectos. O zelo pela obra do Senhor, neste mundo, é motivado pela observância da manutenção constante do templo pessoal. Sem sermos um templo reconstruído para a habitação do Espírito, Deus não concede as suas bênçãos e não nos faz vigorosos e produtivos como “árvores plantadas junto a ribeiros de águas” (Sl 1).

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Não nos esqueçamos: Jesus voltará!


Leituras:
1Ts 5.1-2
Irmãos, quanto aos tempos e épocas, não precisamos escrever-lhes, pois, vocês mesmos sabem perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão à noite...
1Ts 5.4-9
... Mas vocês, irmãos, não estão nas trevas, para que esse dia os surpreenda como ladrão. Vocês todos são filhos da luz, filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas; portanto, não durmamos como os demais, mas estejamos atentos e sejamos sóbrios; pois os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite. Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo a couraça da fé e do amor e o capacete da esperança da salvação. Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para recebermos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
1Co 15.51-52
Eis que eu lhes digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.
(Todas as citações bíblicas e referências neste texto foram extraídas da Bíblia NVI)


Introdução
Considerando que o Brasil é um país com alto percentual de pessoas maduras e idosas, quase ninguém discorda de que houve um tempo quando os pais alertavam os filhos, para que estes não duvidassem de que poderiam se surpreender com uma providência repentina. Aqueles pais, quase diariamente, repetiam: “Estou te avisando, meu filho!”. Entretanto, nem sempre os filhos eram atenciosos à advertência, por isso, colhiam o resultado da própria desatenção. A maioria de nós teve essa experiência.
Geralmente, esperamos que se realize, em curto prazo, aquilo de que fomos avisados, porque a nossa precariedade de atenção logo faz desvanecer a expectativa. O evangelho de Mateus, 25, relata a parábola das moças convidadas para acompanhar um noivo, no banquete de casamento. Delas, cinco foram desatenciosas no preparo e, por isso, não entraram para a festa. Nunca pense: “haverá tempo para eu me preparar”. Não haverá!
SITUAÇÃO PESSOAL E COLETIVA PARA O ARREBATAMENTO DA IGREJA
O assunto aqui abordado se refere a nós, individualmente, mas, também se refere, de igual modo, à totalidade da igreja. Aquela parábola de Jesus não fala de uma única jovem despreparada; caso contrário, apenas ela ficaria fora. Porém, há referência a dois grupos de cinco. Estejamos alerta! Qual a nossa situação pessoal? E da nossa igreja? Todos subiremos ao encontro do Senhor?

JESUS BUSCARÁ A SUA IGREJA
Não há dúvida de que Cristo instituiu a sua Igreja neste mundo (Mt 16.18); deu a ela instruções para a expansão (At 1.8); deu-lhe doutrina para a preservação da fé e da santidade, por meio de seus líderes, desde os apóstolos e profetas do N.T. (Ef 4.11-13). Deu-lhe, também constantes avisos sobre o Arrebatamento glorioso. Os principais desses avisos estão registrados no Apocalipse: 2.25; 3.4-5; 11-12; 21.3; 7; 22.7; 12. Jesus virá! (At 1.10-11). Precisamos, urgentemente, nos despertar para o maior de todos os eventos que haverá na Terra. Jesus virá!
 DESATENÇÃO HOJE TRARÁ PREJUÍZO AMANHÃ
Tal qual Israel no deserto, oscilamos em nossa caminhada para a Jerusalém Celestial. Nossas preocupações e nosso apego às coisas desta vida são embaraços perigosos para a salvação das nossas almas. Não somos salvos; estamos salvos, enquanto formos fiéis. A desatenção pode levar-nos à perda do nosso lugar.
Em Ap 3.11, na Carta à Igreja de Filadelfia, o Senhor exorta “guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. Aquela igreja tinha fidelidade e santificação irrepreensíveis; por isso tinha um lugar de privilégio; isto é, tinha a coroa que poderia ser tomada, caso não se precavesse na vigilância do lugar que alcançara. Outra igreja poderia substituí-la na posição. Muitas pessoas imaginam ter alcançado no Reino uma posição que jamais perderão. É a isso que Paulo se refere em Fp 3.11-14.
Assim sendo, esqueçamos as coisas que ficam para trás, e avancemos para as que estão adiante. Imitando o apóstolo Paulo, prossigamos para o alvo, em busca do prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo. Essa é a maneira de estarmos dia a dia preparados, na expectativa da nossa libertação deste mundo, para sempre estarmos com o Senhor.
Conclusão
Peço a Deus que, por meio desta meditação, permita a cada um de nós, e à Igreja, um novo olhar para as coisas de cima. Deus permita que nos despojemos do interesse excessivo pelos bens materiais, que trabalhemos enquanto é dia, que nos esforcemos pela expansão do Reino de Deus neste mundo.
“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas, procurem conhecer qual é a vontade do Senhor” (Ef 5.15-17).
 Que o Senhor nos dê a graça de não sermos surpreendidos no momento da chamada para as bodas do Cordeiro. Você e a igreja têm, em mão, o “convite” para uma festa única e especialíssima, mas não podem estar desprovidos dele. Onde e como está o seu “convite”?

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Devemos orar por empregos







Introdução
Hoje vamos tratar de um assunto crucial para toda a sociedade, na qual, sem duvida, está inserida a Igreja do Senhor Jesus. Atualmente, no que se refere à sobrevivência e à manutenção da família, não há quem escape. O mundo todo é surpreendido por tão profundas transformações sociais e econômicas que já não encontra a maneira de solucionar os problemas que fervilham em todo lugar. Não se trata, agora, da divisão entre ricos e pobres; a crise envolve um profundo desequilíbrio mercadológico, em que os pobres ficam mais pobres e os ricos também são afetados em seus bens; além de não terem como, nem onde, usufruir a riqueza acumulada. A Economia mundial parou, forçada pela atual pandemia que a assolou impiedosamente.
A Igreja de Cristo não está a salvo desses problemas, pois está inserida no mundo e seus membros são cidadãos ativos e responsáveis no contexto social e econômico de seus países. Aqui, cabe lembrar o que Jesus deixou bem claro: “No mundo tereis aflições”. Mas também recomendou bom ânimo (Jo 16.33).
CAUSA MAIOR DO DESEMPREGO
Chegamos ao tempo em que as empresas já não podem manter suas atividades; por isso, demitem os funcionários; sejam eles crentes ou não. Muitas pessoas reclamam dos empresários que tomam a providência da demissão de seus colaboradores, mas é notória a dificuldade para a manutenção da empregabilidade. Impossível manter salários com atividades suspensas. Diante dessa situação calamitosa, o melhor é não entrar em desespero. Nossa condição de crentes em Cristo não nos deixa perder a paz do Senhor. Entendamos há desemprego e Deus está no comando de tudo. Novas portas poderão se abrir; novas maneiras de sobrevivência podem ser criadas. Hoje, muitas pessoas estão se reinventando profissionalmente; imagine o que Deus nos pode dar!
SEM ANSIEDADE SE VÊ MELHOR A VITÓRIA
O crente sabe que a parte fundamental de sua subsistência não está nas mãos da Economia, mas nas mãos do Senhor nosso Deus. O Senhor Jesus ensinou aos seus discípulos e, consequentemente, a nós, qual a maneira correta de vivermos neste mundo: “Por isso vos digo, não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber, nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que a vestimenta...?” (Mt 6.25ss).
Esse ensinamento do nosso Mestre deve ser compreendido em duas situações bem diferentes.
Nessa primeira situação, quanto mais oportunidades nós temos de ganhar dinheiro, de adquirir bens terrenos, mais nos dedicamos ao trabalho, porque queremos sempre mais. Quantas vezes negligenciamos a vida com Deus, porque precisamos ganhar mais! O aviso do Senhor, nesse versículo, é que não precisamos andar preocupados com ajuntar tesouros na terra. A nossa ansiedade não acrescenta um momento à nossa existência terrena; nem pode nos dar a alegria de usufruirmos os bens materiais. Quando tivermos o suficiente para viver dignamente, pensemos em repartir com os que não têm e louvemos ao Senhor. “O Senhor não deixa ter fome a alma do justo; mas o desejo dos ímpios rechaça” (Pv 10.3) “A bênção do Senhor é que enriquece e ele não acrescenta dores” (10.22).
A segunda situação é a de dificuldade. Se não devemos nos afligir no trabalho de acumular riquezas, também não devemos nos lamentar na escassez. Jesus diz que Deus cuida tão perfeitamente de toda a sua criação “... Não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?” (6.30). O salmista confia no pastoreio do Senhor (Sl 23),
Elias, o profeta foi sustentado por Deus em condições adversas. Paulo diz: “... já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido e sei também ter abundância, em toda maneira e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome; tanto a ter abundância como a ter necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). A igreja filipense se propôs a ajudar a Paulo e ele termina por dizer: “O Senhor, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (4.19). Mesmo que tenhamos problemas, o Senhor é o nosso refúgio e socorro bem presente na angústia.
DEUS PERDOA AS NOSSAS FALHAS
Muitas vezes, os problemas que enfrentamos resultam de alguma falha que cometemos. Na condição humana, todos somos falhos. Entretanto, Deus nos dá, pelo Espírito Santo, a compreensão dos nossos erros. Diante disso, devemos seguir o conselho do apóstolo João: “Se dissermos que não temos pecado enganamo-nos a nós mesmos e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.8-9).
Concertados com Deus, temos a certeza de que ele suprirá as nossas necessidades. Confessemos a ele os nossos pecados e prossigamos protegidos por seu imenso amor.
A BÊNÇÃO DA BENEVOLÊNCIA
É necessário que cada um de nós tenha o coração aberto para a benevolência. Não é prática cristã ver o seu irmão em necessidade sem que o socorra. Também não nos cabe julgar as causas da necessidade de outrem. Quando Jesus atendeu as pessoas necessitadas, não lhes perguntou qual a origem de seus males, nem buscou saber sobre seus antecedentes; também não perguntou se era hora ou dia para atender os necessitados. Jesus era benevolente. Quando viu a multidão com fome teve compaixão “E Jesus... retirou-se dali, num barco, para um lugar deserto, apartado; e sabendo-o o povo, seguiu-o a pé desde as cidades. E Jesus, saindo, viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com eles, curou os seus enfermos. E, sendo chegada a tarde, os seus discípulos aproximaram-se dele dizendo: o lugar é deserto e a hora já é avançada; despede a multidão para que vão às aldeias e comprem comida para si. Jesus, porém, lhes disse Não é necessário que vão; dai-lhes vós de comer” (Mt 14.13-16).
A igreja primitiva compreendeu bem a questão da benevolência “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2.42) “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam; e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns” (4.32). “Não havia entre eles necessitado algum...” (4.34).
Jesus disse: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;...” (Mt 5.7).
Conclusão
A igreja atual não tem sido suficientemente misericordiosa; tem gasto muito recurso no efêmero, no luxo, no excesso tecnológico em praticamente nada na benevolência.
Nós temos permitido que a ansiedade dos bens terrenos sufoque a benevolência e feche as nossas mãos tanto para os nossos companheiros em aperto como para o próprio crescimento do trabalho do Senhor.
É urgente que repensemos as nossas atitudes. É urgente que compreendamos que fomos chamados para servir a Deus, para a sua glória. Ao próximo, como a nós mesmos. Que a nossa fé nos leve a repetir o que disse o profeta Habacuque, cheio de confiança em Deus:
“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação” (Hc 3.17-18).