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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

IDE... ENSINAI...


Uma postagem a respeito da prática de “pregações” do evangelho, de forma autônoma, em praças, trens, metrôs e ônibus, tem levantado controvérsias. De um lado, há defensores dessa prática, dizendo-se baseados na Escritura Sagrada. Para justificar seu ponto de vista, citam versículos como 2Tm 4.2, em que Paulo recomenda a pregação da Palavra insistentemente “a tempo e fora de tempo”. De outro lado, estão os que veem nisso uma forma indevida de se anunciar o evangelho de Jesus Cristo, observando o mesmo critério paulino, de que tudo seja feito com decência e ordem (1Co 14.40). Se assim é, torna-se necessário que se estudem as alegações de uns e de outros, a fim de que se chegue à razão.

Parece-me, inicialmente, que uma observação deve ser feita: a divulgação do evangelho não é feita somente pela atuação discursiva de alguém. A Palavra de Deus é de tal forma penetrante no íntimo do homem, que pode atingi-lo por meio de uma canção ouvida ao longe; pode atingi-lo por meio de uma literatura, ou simples folheto informativo que lhe caia à mão. O homem pode ser atingido até pela percepção da obra de Deus no Universo (Rm 1.19-20). Uma palavra vinda pelo rádio, ou pela televisão pode ser suficiente para mover uma pessoa em direção a Deus.

Isso posto, torna-se claro que a divulgação do evangelho da salvação utiliza, primordialmente, a ação do evangelista que cumpre a ordem de Jesus, exarada em Mateus 28.19-20. Porém, é nesse ponto que se faz necessária a meditação e a compreensão da determinação do Senhor. O apóstolo Paulo traça um cronograma para o trabalho evangelístico de tal forma que entendamos a sequência da obra evangelizadora: “Eu plantei; Apolo regou, mas Deus deu o crescimento, pelo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1Co 3.6-7). Impossível é haver um que planta, sem conexão com um que rega, a fim de que Deus dê o crescimento. Assim, fica excluída a possibilidade do “pregador solitário”; decerto, boa parte da sua semeadura se perderá entre as pedras, ou entre os espinheiros, ou a comerão as aves do céu. Assim também, não haverá o trabalho da rega, se não houver o que planta. “Como pregarão, se não forem enviados?” (Rm 10.14). O que planta é enviado ao trabalho, porque foi preparado para essa obra. Deus não aceita a desordem, por causa disso há muito trabalho vão.

Quando Jesus disse: “Portanto, ide,...“ não mandou sair um bando de despreparado, desorganizado, cada qual fazendo o que lhe viesse à mente. Jesus instruiu os discípulos, preparou-os para o trabalho, mostrou-lhes como e quando executar a obra. Foram três anos de preparo. Por isso, ele complementou a ordem: “... ensinai todas as nações,... ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...”. Somente quem aprendeu pode ensinar; entretanto, grande parte dos “pregadores solitários” não passou pelo ensino e, pior, muitos são avessos a aprender.

Está posta a razão dos que defendem a supressão das “pregações solitárias”: é necessário decência, ou seja, é necessário que não se cause escândalo no interior dos transportes coletivos, nem se sirva de escárnio nas praças. É necessário ordem, isto é, deve haver um projeto buscado em oração, ensino bíblico inteligente e amadurecimento no evangelho. E mais, tudo isso submetido ao programa proposto na Carta aos Romanos, 10.13-15, dentro do cronograma registrado na 1ª Carta de Paulo aos Coríntios, 3.6-7.

Quanto a pregar “a tempo e fora de tempo”, convém notar que o apóstolo Paulo faz referência ao ensino da igreja. A expressão traz a noção de continuidade, de constância na formação dos irmãos. Trata-se de um trabalho pastoral, para a igreja. Por isso, diz a Timóteo: “... que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.” (grifos meus). Amém?

QUAL É A NOSSA LIBERDADE?

É frequente, nos cultos pentecostais, o uso de um versículo, fora do seu contexto, registrado em 2 Coríntios, 3.17: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”, a fim de que a congregação esbanje emoção durante um culto.

O erro já está em se dar prioridade ao emocional nessas ocasiões. O sistematizador da teologia eclesiástica, apóstolo Paulo, ensina com veemente pedido: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional (Rm 12.1 - destaque meu). Que é racional, senão relativo à razão, ao domínio próprio, à objetividade? Nisso, a subjetividade ou emoção fica submetida ao nosso próprio controle. Diz-nos, ainda, que “... a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1Co 12.7 – destaque meu). Portanto, não vale extrapolar o significado da palavra registrada no versículo em apreço.

Primeiramente, o contexto da Carta não indica uma situação geográfica, quando usa o advérbio . Que quer dizer esse ? Refere-se à casa de oração? Ao lugar de culto? Obviamente não! A função não é de advérbio de lugar; mas de situação! O versículo permite-nos entender que o Espírito do Senhor impõe liberdade ao cativo do pecado. Leia-se o que diz o profeta Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre Mim; porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos...” (Is 61.1 destaque meu). Jesus veio mudar uma situação: transformar escravos em libertos!

Essa questão da liberdade dada pelo Espírito do Senhor é o assunto tratado pelo apóstolo Paulo na referida Carta. Seu discurso abrange a diferença entre a antiga aliança (a de Moisés) e a nova aliança (a de Cristo). Paulo vê grande importância e glória na aliança de Deus com Israel; tanto que menciona a transfiguração divinamente majestosa do rosto de Moisés, quando este trazia “as palavras da aliança, os dez mandamentos”, escritas nas tábuas da Lei (Êx 34.27-35).

A referência paulina à grande importância espiritual da Lei objetiva ressaltar em excelência a nova aliança, agora feita por Cristo, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

Jesus assumiu a posição de nosso resgatador, o redentor, o libertador de todo aquele que nele crê.

Dessa forma, a liberdade que há em nós é a liberdade do espírito, antes escravo do pecado, desde o Éden. Diz-nos a Palavra: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36).

Há sobejas referências bíblicas para o posicionamento aqui adotado sobre o versículo já referido. Nele, estilisticamente, ocorre uma joia rara na tradução: o emprego de como advérbio de situação! Em contrapartida, esse mesmo emprego tem causado a compreensão equivocada de muitos líderes, julgando que ocorra uma noção de lugar. A liberdade do Espírito prescinde de espaço, porque age em situações, isto é, tira o homem da condição vil de escravo do mal e dá-lhe a certificação de livre por obra e graça do Senhor Jesus Cristo, na cruz do Gólgota. Cristo torna o homem livre para segui-lo como seu discípulo e para viver como amigo do Mestre: Jo 15.15; Lc 12.4; Jo 15.14. Eis o privilégio de nossa liberdade: tornarmo-nos amigos do Senhor!

Quanto ao comportamento social do crente, a Bíblia instrui. Paulo mesmo ordena que tudo se faça com decência e ordem. Basta ler, meditar e praticar o que está em I Coríntios, 14.

 

QUAL É A CASA DE DEUS?


“... E os estrangeiros que se unirem ao Senhor para servi-lo, para amarem o nome do Senhor e prestar-lhe culto [...] e que se apegarem à minha aliança, esses eu trarei ao meu santo monte e lhes darei alegria em minha casa de oração. Seus holocaustos e sacrifícios serão aceitos em meu altar; pois a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. Palavra do Soberano, do Senhor, daquele que reúne os exilados de Israel: Reunirei ainda outros àqueles que já foram reunidos” (Is 56.6-8; grifos meus).
“... Todavia, o Altíssimo não habita em casas feitas por homens...” (At 7.48).
“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16; grifo meu).
 
É relativamente nova, porém crescente, uma corrente evangélica que se mostra avessa a melhor consideração aos edifícios em que os irmãos se reúnem a fim de cultuar a Deus. Já é considerável a quantidade de crentes que assumiram menosprezar as casas de oração; porque confundem o lugar com a administração dele. Com a intenção de justificar suas convicções, esses irmãos invocam, preferencialmente, versículos bem conhecidos que apenas parecem validar seus pontos de vista; aqui e ali, recitam: “Deus não habita em templos feitos por homens”; ou “O templo de Deus somos nós!”. Ora, vale a pena refletir em até que ponto se trata de atitude aceitável, em até que ponto há correta aplicação desses versículos acima transcritos; ou em até que ponto tudo isso camufla rebeldia.
Não há dúvida quanto à linguagem figurada – metafórica - de grande parte dos textos bíblicos. Sem um bom conhecimento desse aspecto literário no texto sagrado e sem auxílio de boa compreensão dos contextos, o deslize é quase certo.
Independentemente de se conhecerem os idiomas originais da Bíblia – nem todos tiveram a oportunidade de se dedicar a tais estudos – as traduções mais aceitas podem facilmente levar o leitor médio a uma boa exegese.
Comecemos com o significado literal de templo, no português secular. Tal palavra sempre designa um edifício construído com finalidade religiosa. Esse é o significado primário que se depreende nas passagens registradas em Isaías 56 e Atos 7. Já não é o caso em 1 Coríntios, 3.16.
A passagem de Isaías é profética, sobre o advento do Senhor Jesus, o qual traria salvação a todas as gentes. Ali, o texto alude ao templo material, quando menciona “casa de oração para todos os povos”, porque era no “edifício” que se prestava culto a Deus. Trata-se de se fazer entender a quem vivia um tempo religioso anterior à vinda e à atuação do Messias.
A beleza profética dessa mensagem chama a atenção pela sua ambiguidade: a reconciliação de Israel com Deus e o acesso dos gentios à salvação, por Jesus Cristo; entretanto, não há dúvida de que a mensagem - para todas as gentes - é trazê-las ao lugar de adoração.
A passagem de Atos, 7.48 visa a relembrar que o templo judaico já perdeu a sua importância, porque os sacrifícios e ofertas pelos pecados foram cumpridos de forma definitiva por Cristo na cruz. ”Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo. Mas se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes” (Mt 12.6). Agora, a importância não está voltada para o templo-edifício, cujo véu se partiu de alto a baixo.
Claro está, portanto, que Deus não habita no templo construído por homens! Essa é a razão por que Paulo escreve, lembrando que nós somos, hoje, o templo do Senhor, uma vez que o Espírito Santo habita em nós, para nos fazer testemunhas do amor de Deus pela humanidade (At 1.8).
Há dessa maneira um templo-edifício: o lugar onde Jesus disse que estará, se dois ou três se reunirem em seu nome (Mt 18.20). Esse é o templo-edifício, a igreja-lugar. Mas também há um templo-pessoa: aquele em quem habita o Espírito de Deus. Há, ainda, uma igreja-povo, a nação santa (1Pe 2.9). Pessoalmente, eu não sou a Igreja: sou parte dela, porque não sou o corpo de Cristo, mas membro desse corpo (e o menor e menos importante).
Concluindo, irmãos, não é tempo de nos envolver em discussões inócuas quanto ao assunto, uma vez que a Bíblia é clara em suas instruções. Cabe a nós entender a verdade, para que não sejamos enredados com as artimanhas geradas nas mentes insatisfeitas com as igrejas-ministérios às quais se filiaram, por isso detratam a verdade. Aos tais falta a compreensão de que é bom que os irmãos vivam em união (Sl 133.1). Se o lugar que o irmão frequenta não lhe satisfaz, examine-se, primeiro a si mesmo,... (1Co 11.28); depois, procure reunir-se com os que possa comungar em obediência à Palavra de Deus.
 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A ILUMINAÇÃO CHIQUE NÃO FAZ O CULTO MELHOR

Você conhece alguma sala de aula bem escura, com iluminação apenas sobre o professor? Eu não! Dou aulas há muitos anos, geralmente, são palestras para 100, 200 pessoas. As salas são amplas e claras. Meus ouvintes, ao que parece, são atenciosos, pois sabem a importância do que lhes digo.
Por que, então, algumas igrejas adotaram escurecer a "plateia", iluminando muito mais o púlpito? Dizem que é para atrair a atenção das pessoas.
Difícil é entender que pessoas - crentes em sua maioria - precisem de recursos tecnológicos e de iluminação especial, com a finalidade de terem a atenção voltada para a mensagem.
Ou a plateia está desajustada ao que convém a uma congregação de crentes, ou ao mensageiro falta mensagem que faça o ouvinte meditar com seriedade e temor; ou, talvez, ambos precisem rever seus conceitos de culto a Deus.
A tecnologia não pode superar a nossa disposição de cultuar corretamente ao Senhor, nem estimulá-la. Esses recursos sempre serão inferiores àquilo que ofertamos a Deus. O culto verdadeiro independente de qualquer recurso material de que possamos dispor.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

AS ARMAS, AS CULTURAS, A BÍBLIA II


Devem os crentes cristãos prover-se de armas de fogo, visando à própria segurança diante dos ataques de perversos? Na página precedente há uma bem ligeira referência ao surgimento e à finalidade das armas. Elas surgiram como utensílio de caça das presas que serviam de alimento, além de serem um instrumento que facilitava tanto o trabalho humano no dia a dia como a defesa da vida contra as feras com que o homem se defrontava.

A maldade do coração humano levou-o às desavenças pessoais, às agressões físicas, aos conflitos sociais de grandes proporções como as guerras. Nesse contexto é que o homem descobriu a possibilidade de armar-se contra o seu desafeto e desenvolveu toda espécie de armamento, com ênfase nas armas de fogo. Esse tipo de arma resultou da invenção da pólvora, na China, lá pelo século IX.

A tecnologia bélica avançou através dos séculos, numa trajetória de aperfeiçoamento tão grande que hoje se tem à disposição os armamentos mais sofisticados. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918), assim como a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foram os grandes laboratórios para aperfeiçoamento das armas de fogo, entre outros tipos de material de ataque a inimigos.

A primeira arma de fogo portátil foi o mosquete, surgido no século XVI. O revólver, por sua vez, surgiu no ano de 1835, patenteado pelo norte-americano Samuel Colt.

Mas, qual a finalidade da arma de fogo? Sem dúvida, ela tem a finalidade de causar lesão grave em outrem, ou mesmo provocar-lhe a morte. É, portanto, instrumento para tirar a vida.

Os cristãos declaram-se seguidores de Cristo. A Bíblia manda que sejamos imitadores d’Ele. “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1Co 11.1). “Sede, pois imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 5.1). “E vós fostes feitos nossos imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo” (1Ts 1.6). Apenas essas citações mostram-se suficientes para que cristãos não adotem armamento pessoal algum.

Tenho lido defesas contrárias a estas considerações, as quais buscam trechos registrados no Antigo Testamento como endosso para suas convicções. Ora, primeiramente é necessário verificar que, de modo geral, o povo de Israel armava-se para confrontos entre povos, entre reinos. Eram guerras. Não se tratava de armamento de uso pessoal. Davi matou a Golias usando um tipo de arma para caça, mas estava em guerra contra os filisteus.

Outros tomam para si o episódio em que Pedro ataca o soldado romano, cortando-lhe a orelha, quando vieram prender a Jesus. Vale lembrar que a mais completa conversão do apóstolo Pedro ocorreu depois desse evento. Àquela altura, Pedro era sanguíneo, homem pronto para brigar, agredir, agir “segundo o curso deste mundo”. Disporia Pedro de uma espada no dia de Pentecostes? Estaria armado quando foi preso com João e levado à cadeia de onde foi tirado por um anjo?

Li alguém que disse: “Jesus não mandou que Pedro jogasse fora a espada; mandou guardá-la”. Argumento ingênuo ou de má intenção! Existem, ainda, os que procuram como argumento o texto de Lucas, 22, que transcrevo: “E disse-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje ou sandálias, faltou-vos, porventura, alguma coisa? Eles responderam: Nada! Disse-lhes, pois: Mas agora, aquele que tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua veste e compre-a. [...] E eles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E ele lhes disse: Basta” (Lc 22.35-38 – destaque meu). Ou, como se diz em linguagem popular, “o bicho ia pegar!” Era necessário estar psicologicamente preparado para a adversidade. Jesus não pretendia dizer que seus discípulos deveriam enfrentar literalmente os soldados. Jesus não precisava da força humana em sua defesa (Jo 18.36; Mt 26.52.53).

Examinemos: Evidentemente, Jesus mais uma vez transmitia uma mensagem de forma metafórica. A situação que se aproximava era dificílima e os discípulos passariam por momentos terríveis de desolação e mesmo de possível desistência de Cristo. O próprio Pedro, ainda que armado de espada, teve tamanho pavor que negou o Mestre.

Após a ressurreição do Senhor, qual dos apóstolos mencionou uso de armas em suas horas de aflição? Com que arma Estêvão se defendeu dos algozes? E Pedro lutou contra alguém? Paulo armou-se para a própria defesa? E os cristãos que, formando a Igreja primitiva, passaram por duros períodos de intensa perseguição, buscaram armar-se contra os seus perseguidores?

Não há, pois, como aceitar que caiba ao cristão verdadeiro a posse, nem o uso, de arma de fogo. “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 122.2).

 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

AS ARMAS, AS CULTURAS, A BÍBLIA I

Armas são um produto da capacidade criativa do homem. A História da Civilização deixa perceber que as primeiras armas eram instrumentos auxiliares da caça e das atividades “domésticas” como partir frutos e carnes de que se serviam. As armas também serviam como instrumento de defesa contra as feras, as quais, por sua força e habilidade terminavam por fazer do homem sua presa.
Depois de ter sido posto fora do Éden, por causa do pecado, o ser humano desenvolveu o seu processo cultural, baseado na maldade do seu coração, tal como atestam os episódios de Caim e Abel (Gn 4), o incremento da desobediência que deu origem ao dilúvio (Gn 6) e a vida pecaminosa a que se entregou a humanidade até os nossos dias. “Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13.13).
Nesse contexto de maldade, as armas deixaram de ser apenas um utensílio que facilitasse a vida, para se tornarem instrumento de agressão ao semelhante. As armas deram ao homem o poder de guerrear, e as guerras passaram a ser uma prática de dominação e subserviência dos mais fracos. Andando em grupo, o homem já temia menos as feras; por isso, suas armas voltavam-se mais para enfrentamento entre seus pares. Vislumbra-se o início de uma cultura perversa.
A Bíblia, no Antigo Testamento, mostra terríveis enfrentamentos entre o povo escolhido por Deus, a partir de Abraão (veja-se Gn 12; 14.1-11). Muitos críticos dos textos bíblicos, dotados de uma mente secular, acabam por descrever a Deus, no Antigo Testamento, como um ser terrível, malévolo, capaz de destruir pessoas e nações, incentivador de insanos combates entre seus escolhidos e as nações opositoras daquele tempo, como faz Richard Dawkins, em sua obra, Deus, um delírio.
Na verdade, é preciso compreender que Deus formou o homem para que agisse em conformidade com os critérios divinos; daí, tê-lo criado à sua imagem, conforme a sua semelhança (caráter comportamental).
A cultura traçada por Deus para a sociedade humana era outra: o Éden era um jardim de paz, de convívio harmonioso, banhado pela maravilhosa presença do Criador. Tendo caído, o homem ignorantemente destruiu a cultura prevista por Deus, e passou ao enfrentamento do Criador, buscando d’Ele a recíproca – quem enfrenta pede a recíproca.
Assim, ficou impossível que Deus continuasse visitando a humanidade pela viração do dia (Gn 3.8). A maldade e a desobediência humanas produziram uma cultura que cria confrontos entre si e com o próprio Deus. “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem seu ouvido agravado, para não poder ouvir, mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.1-2).
Por causa dos confrontos criados pelo homem, as armas – antigos instrumentos de caça – passaram a instrumentos de agressão cada vez mais aperfeiçoados. Disso se valem os homens perversos em todas as culturas. As nações são diuturnamente belicosas, enquanto a sociedade urbana se tem tornado violentíssima. “... o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).
Ainda que se digam civilizados, os homens modernos não se livram da maldade diabólica daquele conhecimento do bem e do mal, registrado no livro de Gênesis, e carregam em si o gene do pecado, que é a desobediência a um dos princípios divinos: Não matarás! O homem, porém, está mergulhado na cultura da morte e da matança.
Como fica a situação do cristão, nesse contexto cultural de pecado? A Bíblia diz que o cristão está inserido numa categoria distinta dos ímpios “... o qual se deu a si mesmo para nos remir de toda a iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.14). “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). À vista dessas considerações, são armas instrumentos convenientes aos cristãos?
Há, entre os cristãos, os defensores da posse de armas de fogo, destinadas à defesa pessoal e da família. A partir daqui, farei considerações a respeito deste assunto, numa postagem sequencial. Medite nisso.