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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A ILUMINAÇÃO CHIQUE NÃO FAZ O CULTO MELHOR

Você conhece alguma sala de aula bem escura, com iluminação apenas sobre o professor? Eu não! Dou aulas há muitos anos, geralmente, são palestras para 100, 200 pessoas. As salas são amplas e claras. Meus ouvintes, ao que parece, são atenciosos, pois sabem a importância do que lhes digo.
Por que, então, algumas igrejas adotaram escurecer a "plateia", iluminando muito mais o púlpito? Dizem que é para atrair a atenção das pessoas.
Difícil é entender que pessoas - crentes em sua maioria - precisem de recursos tecnológicos e de iluminação especial, com a finalidade de terem a atenção voltada para a mensagem.
Ou a plateia está desajustada ao que convém a uma congregação de crentes, ou ao mensageiro falta mensagem que faça o ouvinte meditar com seriedade e temor; ou, talvez, ambos precisem rever seus conceitos de culto a Deus.
A tecnologia não pode superar a nossa disposição de cultuar corretamente ao Senhor, nem estimulá-la. Esses recursos sempre serão inferiores àquilo que ofertamos a Deus. O culto verdadeiro independente de qualquer recurso material de que possamos dispor.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

AS ARMAS, AS CULTURAS, A BÍBLIA II


Devem os crentes cristãos prover-se de armas de fogo, visando à própria segurança diante dos ataques de perversos? Na página precedente há uma bem ligeira referência ao surgimento e à finalidade das armas. Elas surgiram como utensílio de caça das presas que serviam de alimento, além de serem um instrumento que facilitava tanto o trabalho humano no dia a dia como a defesa da vida contra as feras com que o homem se defrontava.

A maldade do coração humano levou-o às desavenças pessoais, às agressões físicas, aos conflitos sociais de grandes proporções como as guerras. Nesse contexto é que o homem descobriu a possibilidade de armar-se contra o seu desafeto e desenvolveu toda espécie de armamento, com ênfase nas armas de fogo. Esse tipo de arma resultou da invenção da pólvora, na China, lá pelo século IX.

A tecnologia bélica avançou através dos séculos, numa trajetória de aperfeiçoamento tão grande que hoje se tem à disposição os armamentos mais sofisticados. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918), assim como a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foram os grandes laboratórios para aperfeiçoamento das armas de fogo, entre outros tipos de material de ataque a inimigos.

A primeira arma de fogo portátil foi o mosquete, surgido no século XVI. O revólver, por sua vez, surgiu no ano de 1835, patenteado pelo norte-americano Samuel Colt.

Mas, qual a finalidade da arma de fogo? Sem dúvida, ela tem a finalidade de causar lesão grave em outrem, ou mesmo provocar-lhe a morte. É, portanto, instrumento para tirar a vida.

Os cristãos declaram-se seguidores de Cristo. A Bíblia manda que sejamos imitadores d’Ele. “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1Co 11.1). “Sede, pois imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 5.1). “E vós fostes feitos nossos imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo” (1Ts 1.6). Apenas essas citações mostram-se suficientes para que cristãos não adotem armamento pessoal algum.

Tenho lido defesas contrárias a estas considerações, as quais buscam trechos registrados no Antigo Testamento como endosso para suas convicções. Ora, primeiramente é necessário verificar que, de modo geral, o povo de Israel armava-se para confrontos entre povos, entre reinos. Eram guerras. Não se tratava de armamento de uso pessoal. Davi matou a Golias usando um tipo de arma para caça, mas estava em guerra contra os filisteus.

Outros tomam para si o episódio em que Pedro ataca o soldado romano, cortando-lhe a orelha, quando vieram prender a Jesus. Vale lembrar que a mais completa conversão do apóstolo Pedro ocorreu depois desse evento. Àquela altura, Pedro era sanguíneo, homem pronto para brigar, agredir, agir “segundo o curso deste mundo”. Disporia Pedro de uma espada no dia de Pentecostes? Estaria armado quando foi preso com João e levado à cadeia de onde foi tirado por um anjo?

Li alguém que disse: “Jesus não mandou que Pedro jogasse fora a espada; mandou guardá-la”. Argumento ingênuo ou de má intenção! Existem, ainda, os que procuram como argumento o texto de Lucas, 22, que transcrevo: “E disse-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje ou sandálias, faltou-vos, porventura, alguma coisa? Eles responderam: Nada! Disse-lhes, pois: Mas agora, aquele que tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua veste e compre-a. [...] E eles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E ele lhes disse: Basta” (Lc 22.35-38 – destaque meu). Ou, como se diz em linguagem popular, “o bicho ia pegar!” Era necessário estar psicologicamente preparado para a adversidade. Jesus não pretendia dizer que seus discípulos deveriam enfrentar literalmente os soldados. Jesus não precisava da força humana em sua defesa (Jo 18.36; Mt 26.52.53).

Examinemos: Evidentemente, Jesus mais uma vez transmitia uma mensagem de forma metafórica. A situação que se aproximava era dificílima e os discípulos passariam por momentos terríveis de desolação e mesmo de possível desistência de Cristo. O próprio Pedro, ainda que armado de espada, teve tamanho pavor que negou o Mestre.

Após a ressurreição do Senhor, qual dos apóstolos mencionou uso de armas em suas horas de aflição? Com que arma Estêvão se defendeu dos algozes? E Pedro lutou contra alguém? Paulo armou-se para a própria defesa? E os cristãos que, formando a Igreja primitiva, passaram por duros períodos de intensa perseguição, buscaram armar-se contra os seus perseguidores?

Não há, pois, como aceitar que caiba ao cristão verdadeiro a posse, nem o uso, de arma de fogo. “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 122.2).

 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

AS ARMAS, AS CULTURAS, A BÍBLIA I

Armas são um produto da capacidade criativa do homem. A História da Civilização deixa perceber que as primeiras armas eram instrumentos auxiliares da caça e das atividades “domésticas” como partir frutos e carnes de que se serviam. As armas também serviam como instrumento de defesa contra as feras, as quais, por sua força e habilidade terminavam por fazer do homem sua presa.
Depois de ter sido posto fora do Éden, por causa do pecado, o ser humano desenvolveu o seu processo cultural, baseado na maldade do seu coração, tal como atestam os episódios de Caim e Abel (Gn 4), o incremento da desobediência que deu origem ao dilúvio (Gn 6) e a vida pecaminosa a que se entregou a humanidade até os nossos dias. “Ora, eram maus os varões de Sodoma e grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13.13).
Nesse contexto de maldade, as armas deixaram de ser apenas um utensílio que facilitasse a vida, para se tornarem instrumento de agressão ao semelhante. As armas deram ao homem o poder de guerrear, e as guerras passaram a ser uma prática de dominação e subserviência dos mais fracos. Andando em grupo, o homem já temia menos as feras; por isso, suas armas voltavam-se mais para enfrentamento entre seus pares. Vislumbra-se o início de uma cultura perversa.
A Bíblia, no Antigo Testamento, mostra terríveis enfrentamentos entre o povo escolhido por Deus, a partir de Abraão (veja-se Gn 12; 14.1-11). Muitos críticos dos textos bíblicos, dotados de uma mente secular, acabam por descrever a Deus, no Antigo Testamento, como um ser terrível, malévolo, capaz de destruir pessoas e nações, incentivador de insanos combates entre seus escolhidos e as nações opositoras daquele tempo, como faz Richard Dawkins, em sua obra, Deus, um delírio.
Na verdade, é preciso compreender que Deus formou o homem para que agisse em conformidade com os critérios divinos; daí, tê-lo criado à sua imagem, conforme a sua semelhança (caráter comportamental).
A cultura traçada por Deus para a sociedade humana era outra: o Éden era um jardim de paz, de convívio harmonioso, banhado pela maravilhosa presença do Criador. Tendo caído, o homem ignorantemente destruiu a cultura prevista por Deus, e passou ao enfrentamento do Criador, buscando d’Ele a recíproca – quem enfrenta pede a recíproca.
Assim, ficou impossível que Deus continuasse visitando a humanidade pela viração do dia (Gn 3.8). A maldade e a desobediência humanas produziram uma cultura que cria confrontos entre si e com o próprio Deus. “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem seu ouvido agravado, para não poder ouvir, mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.1-2).
Por causa dos confrontos criados pelo homem, as armas – antigos instrumentos de caça – passaram a instrumentos de agressão cada vez mais aperfeiçoados. Disso se valem os homens perversos em todas as culturas. As nações são diuturnamente belicosas, enquanto a sociedade urbana se tem tornado violentíssima. “... o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).
Ainda que se digam civilizados, os homens modernos não se livram da maldade diabólica daquele conhecimento do bem e do mal, registrado no livro de Gênesis, e carregam em si o gene do pecado, que é a desobediência a um dos princípios divinos: Não matarás! O homem, porém, está mergulhado na cultura da morte e da matança.
Como fica a situação do cristão, nesse contexto cultural de pecado? A Bíblia diz que o cristão está inserido numa categoria distinta dos ímpios “... o qual se deu a si mesmo para nos remir de toda a iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.14). “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). À vista dessas considerações, são armas instrumentos convenientes aos cristãos?
Há, entre os cristãos, os defensores da posse de armas de fogo, destinadas à defesa pessoal e da família. A partir daqui, farei considerações a respeito deste assunto, numa postagem sequencial. Medite nisso.

sábado, 31 de dezembro de 2016

A POSSÍVEL FALÁCIA DA COBERTURA ESPIRITUAL

Primeiramente, cabe deixar claro o que entendo por cobertura espiritual. A expressão é simples e clara. Numa batalha, numa operação policial perigosa, o agente enfrenta o inimigo, porque tem apoio de uma retaguarda; ou seja, há outros agentes estrategicamente postados, a fim de dar a necessária cobertura, ou proteção àquele que se põe em risco.
Não há possibilidade de um soldado partir solitário para um combate contra um grupo de inimigos; se o fizer, provavelmente sofrerá os danos decorrentes de sua ousadia. Dependendo do risco, a cobertura é feita por muitos soldados.
A noção de cobertura espiritual segue o mesmo critério; portanto, o papel dela é dar proteção ao "soldado" de Cristo, quando aquele estiver exposto a perigos. Não há crente que não esteja na linha de tiro do inimigo; por isso, não há crente que dispense a "cobertura espiritual".
Agora, é necessário expor que um grande número de líderes, ou pastores costumam atribuir a si mesmos a detenção e o poder de "dar cobertura espiritual" àqueles que estão sob a sua liderança. Nisso reside grande falácia, por causa da distorção aprioristicamente proposital do significado da expressão.
Ao pastor que lidera cabe a proteção das ovelhas; mas proteção não envolve "poder sobre alguém". Proteger é cuidar com zelo e com carinho. Proteger não é julgar-se mais poderoso do que outrem; menos ainda é subjugar a quem quer que seja aos seus interesses, caprichos ou pontos de vista, muitas vezes reprováveis.
Não são os pastores em si quem dará a cobertura espiritual, à qual me refiro. A proteção espiritual está sob responsabilidade de toda a igreja, que vela sobre a vida dos membros do corpo, junto do líder e igualmente interessada no bem-estar de uma ovelha sob risco. Cobertura espiritual não é certificado de propriedade ou de domínio pastoral.
Há inúmeros crentes "presos" a uma igreja, por causa do medo da "maldição pastoral", que é o oposto da "cobertura espiritual" segundo a cabeça doentia de alguns líderes. Compensa lembrar que as ovelhas pertencem a um ovinocultor. Este, dono das ovelhas, possui pastos em vários lugares e nesses lugares contrata pastores que cuidem do rebanho. O Senhor não é dono de um só pasto, por isso, ele deu "pastores" (Ef 4.11). Para cada pasto há um pastor a cuidar do rebanho. Poderá a ovelha de um pasto ser transferida para outro que seja do mesmo Senhor? Claro que sim! E, se o Senhor resolver transferir, do modo que bem entender, uma ovelha para outro pasto, caberá ao pastor dizer que "retira a sua cobertura espiritual" daquela ovelha?
Na seara evangélica têm-se criado ovelhas com coleira, veem-se ovelhas subjugadas aos interesses nem sempre claros de líderes escorregadios em suas intenções. Esse é um dos motivos por que a igreja evangélica pentecostal brasileira tem perdido tantos membros, não só para outros pastos evangélicos, mas, pior, para um mundanismo assentado na revolta.
É necessário que ocorra uma limpeza no dicionário envenenado de nossas lideranças, a fim de que toda a igreja se veja responsável pela verdadeira cobertura espiritual dos seus membros. É necessário que haja crentes corajosos para enfrentar quaisquer erros em si próprios, em suas concepções nascidas nos cabrestos estúpidos de muitos líderes. Há necessidade de crentes fiéis à Palavra de Deus, maduros e suficientemente instruídos para desmascarar as más intenções que hoje infestam o coração de tantos líderes.
A unção (?) não existe para colocar o "ungido" no andar superior, nem para causar temor aos circunstantes. Pastores precisam rever suas posições de servos; não de reis ávidos por governar um povo bíblica e intelectualmente despreparado.
Virá o tempo em que uma enorme fila de pastores - dados para levar a igreja ao amadurecimento cristão - se formará para um acerto de contas com o Senhor das ovelhas. Nesse momento, que justificativa darão para um comportamento deprimente e avaro na seara alheia? Os bens que acumularam indevidamente, por subjugar os seus liderados, talvez lhes sirvam de testemunha de acusação. Mas ainda há tempo para a reconsideração e para eles mesmos se colocarem sob a "cobertura espiritual" dos seus liderados. Provavelmente, a reforma na igreja brasileira, a reforma que tanta gente almeja hoje, surja com a verdadeira concepção da cobertura espiritual.

sábado, 10 de dezembro de 2016

MINISTÉRIOS E DENOMINAÇÕES. DE QUE SE TRATA?

 Uma das palavras mais usadas nos meios evangélicos pentecostais e neopentecostais é ministério, ainda que grande parte dos falantes ignore o verdadeiro sentido disso. Outra palavra paralela a ministério é denominação. Que diferença há, quanto ao emprego desses vocábulos no seio do cristianismo?
Convém observar, a priori, que a Bíblia não se opõe à constituição de igrejas, denominações ou ministérios. Para se comprovar tal afirmação basta que se leiam as cartas do apóstolo Paulo e também as Cartas registradas em Apocalipse, dois e três.
Ministério, originalmente, significa a posição daquele que ministra que exerce o mester (palavra oxítona); isto é, aquele que serve a uma causa; por isso, chamado ministro. Assim se reconhecem as pessoas designadas para atuar na causa evangélica, conforme registra a passagem bíblica, em Efésios, 4.11; a saber: os pastores, os missionários, os evangelistas, entre outros. Não obstante, porém, o fato de que nem todos os “ministros” assim reconhecidos estão nas condições do texto bíblico.
Por outro lado, é necessário lembrar que os vocábulos admitem sentidos diversos, em conformidade com a circunstância de seu emprego. Note-se que, atualmente, o próprio adjetivo evangélico identifica o indivíduo cristão que não é seguidor do catolicismo romano. Porém, em sua origem, a palavra não é demarcadora de opção religiosa.
Depois da Reforma Protestante, as igrejas dela advindas assumiram as suas identidades teológicas e litúrgicas, gerando as denominações, ou seja, nomes próprios que as identificam. A variedade de denominações evangélicas (inclusive as que assim se dizem) é enorme.
No grande espectro denominacional, destaca-se - no pentecostalismo – a Assembleia de Deus, fundada no Brasil, pelos idos de 1911. Essa igreja, no decurso de seus 100 anos, gerou o que se pode chamar de filiais, para que se dê melhor compreensão do fenômeno. Essas aqui chamadas filiais constituíram ministérios, os quais se arrogaram o direito de uma administração própria, ainda que não houvesse propósito de qualquer alteração doutrinária. Tratava-se apenas de independência geográfica e administrativa. Surgiu, assim, uma denominação pluralizada: as Assembleias de Deus.
Essa pluralização denominacional tem gerado muitos conflitos na área da doutrina assembleiana, uma vez que a cada dia se multiplica o número de pseudoministros gananciosos, mal intencionados, teológica e biblicamente despreparados, os quais fundam as “suas Assembleias de Deus”, com o acréscimo de um epíteto. É também desse desvio que surgiu a maioria das chamadas igrejas neopentecostais, obras geralmente maléficas, que conspurcam a verdadeira mensagem do evangelho de Cristo.
Por causa de toda essa expansão desgovernada, as palavras denominação (nome jurídico de qualquer igreja) e ministério (designação da atuação de uma igreja) assumiram um elevado grau de importância, a partir de que identificam as boas e as más obras na seara do chamado pentecostalismo, onde vicejam o trigo e o joio. Somente a colheita separará um do outro.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

EXISTE COBERTURA ESPIRITUAL?

Há algum tempo, uma polêmica se tem levantado: Pastores detêm uma prerrogativa chamada “cobertura espiritual”? Antes de se discutir o assunto, é necessário deixar estabelecido um conceito para tal nomenclatura neoteológica.

Entende-se por “cobertura” aquilo que protege, abriga, preserva. O adjetivo “espiritual” caracteriza o que é relativo ao espírito. Mas, o que é espírito, no contexto desta consideração? Creio que se deve aceitar a concepção de que seja o conjunto do comportamento religioso cristão. A igreja evangélica milita numa disposição religiosa produzida pela doutrina bíblica. Com base nesse pressuposto, “cobertura espiritual” será o acompanhamento, a proteção, a preservação do comportamento religioso cristão.

Sempre que se cria uma nomenclatura que envolva um conceito tão abstrato quanto esse, abre-se a possibilidade dos posicionamentos antagônicos; e o antagonismo guerreia com todas as suas estratégias: algumas bastante espúrias, porque se baseiam em falácias. A distorção de um conceito conduz a resultados aparentemente verdadeiros, os quais, enunciados de modo eloquente, tornam-se capazes de enganar os incautos.

Afinal, pastores detêm a prerrogativa da “cobertura espiritual”? Sim, por um lado; não, por outro.

A Bíblia é a fonte única e suficiente para dirimir quaisquer dúvidas teológicas. Sem a Escritura, qualquer teologia dita cristã se inviabiliza. Logo, é na Bíblia que se deve procurar a resposta. Realmente existe, de modo indisfarçável, o conceito de cobertura espiritual na Palavra de Deus.

No Antigo Testamento, Deus escolheu Noé para fazer a cobertura espiritual de sua família: “Então disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; [...]. Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos” (Gn 6.13-18). Sem a consciência de que Deus dera instruções ao patriarca, os descendentes de Noé também pereceriam, uma vez que o Senhor não instruiu a eles, mas ao pai. Aqueles filhos, mulher e noras estavam amparados, preservados da morte pelo cuidado do pai.

Moisés foi designado por Deus, para tirar o povo de Israel do Egito; logo, aquela nação estava sob a “cobertura espiritual” de Moisés e, mais tarde de Josué. Não menos responsáveis por essa cobertura estavam os sacerdotes que atendiam no tabernáculo e no templo.

João Batista, ao anunciar o evangelho do arrependimento, estava incumbido de apresentar a cobertura espiritual daqueles a quem batizava.

O Novo Testamento continua sendo a fonte dessa prática, a qual se reforça claramente, quando o Senhor Jesus estabelece a sua Igreja. Jesus ordenou a Pedro que lhe apascentasse os cordeiros (Jo 21.15). Ora, que é apascentar, senão ensinar, cuidar, preservar, dar “cobertura espiritual”?

Com a expansão da igreja primitiva, os doze apóstolos entenderam que precisavam manter-se no ministério da Palavra, o que nos faz entender, permanência no ensino, no cuidado pastoral, na ministração da doutrina de Cristo (At 6.4).

Paulo foi extremamente zeloso em sua função de dar cobertura espiritual às igrejas e também a seus discípulos, como foi o caso de Timóteo. As cartas do apóstolo dos gentios são claríssimos documentos do que se chama “cobertura espiritual”. E não somente Paulo, mas também Tiago dá cobertura espiritual aos crentes judeus da Dispersão (Tg 1.1). Alguém diria que as cartas de Pedro e de João, assim como a de Judas, deixam de ter conteúdo próprio da noção de cobertura espiritual? A Bíblia endossa plenamente essa prática da igreja cristã.

Por que motivo, então, há posicionamentos contrários a tão comprovada realidade?

A celeuma se constrói com base em duas situações bastante criticáveis. A primeira alimenta fartamente a segunda. É necessário extirpar tanto uma posição quanto a outra. Vamos à primeira.

Não são poucos os pastores que se valem de uma verdade inquestionável, para endossar um interesse meramente pessoal. A “cobertura espiritual” é uma atribuição concernente à vida cristã, uma vez que o cristão precisa de ensino bíblico, alimento para a alma, companheirismo, apoio e atenção em suas dificuldades. A ovelha precisa de proteção contra os ataques dos lobos, sejam essas feras representadas por pessoas malfazejas, ou representadas por situações psicologicamente adversas. Esse é o papel do pastor; essa é a cobertura espiritual.

Todavia, encontram-se pastores que deturpam esse conceito para justificar sua sede de hegemonia, sua vaidade de ascensão sobre as pessoas, forçando-as a agirem segundo os interesses particulares de suas administrações. Esses pastores chegam ao cúmulo de amaldiçoar os que lhes escapam do redil, condenando-os, a priori, ao inferno; retirando-lhes a sua “benção”, proibindo contato com os que ficaram. Como diria um conhecido frei parapsicólogo com sotaque castelhano: “Isso non ecxiste!”. Isso não é bíblico, porque exclui o amor ao próximo.

De outro lado, aparecem os que extrapolam na contradição, fazendo crer que a cobertura espiritual é bobagem. Acontece que esses opositores são ministros do evangelho; consequentemente, instruem ovelhas a não aceitarem a “cobertura espiritual”. Claro que eles negam, assim, a sua própria condição pastoral; pois, como já expus, a cobertura espiritual é atribuição dos pastores, quando executada segundo os padrões determinados pela Palavra de Deus.

Errados estão os ministros truculentos, donos e senhores dos membros de sua igreja. São eles maus pastores que menosprezam a inteligência dos membros e submetem a igreja à sua vontade Os tais ministros precisam rever suas atitudes, sob a luz da Escritura Sagrada. Precisam aprender a apascentar ovelhas que, de fato, não lhe pertencem.

Errados também estão os ministros que propagam não haver cobertura espiritual; os que ensinam a ovelha a dizer: “Meu pastor é Jesus Cristo, não estou submetido a homens”. Isso é ensino de rebeldia, porque, por esse meio, propagam a dissolução do vínculo da ovelha com seu guia, como está recomendado na Carta aos Hebreus: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isso com alegria, e não gemendo, porque isso não aproveita a vós outros” (Hb 13.17).