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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

A ceia cura o corpo e a alma?


A Ceia do Senhor é uma reunião em "memória" d'Ele, por ordenança d'Ele.
Os elementos da Ceia, pão e vinho, não são milagrosos, não têm poderes místicos, nem são "remédio" para doenças. Quero dizer que não é dada a esses elementos a função curativa do corpo, nem da alma, pois só a alma curada participa da Ceia. A cura vem pela graça do Senhor àqueles que a buscam, na Ceia ou fora dela.
A oração que os abençoa tem a mesma função do agradecimento que fazemos em nossas refeições. A palavra "ceia" significa "jantar ou refeição", isto é, a Ceia do Senhor é uma "refeição da Igreja", relembrando o último "jantar" do Senhor Jesus com os seus discípulos, antes de entregar-se por eles e por nós.
O pão será sempre pão e o vinho, sempre vinho, apenas usados como simbólicos (no momento da Ceia, não depois dela) do corpo e do sangue remidor de Cristo Jesus, nosso Senhor.
Não há, na Ceia do Senhor, espaço para misticismo, nem para fanatismo.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

JESUS, DOIS OU TRÊS...


É comum justificarmos a baixa frequência aos cultos, apoiando-nos comodamente em um versículo registrado em Mt 18.20: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles". Essa prática é duplamente errada. Senão, vejamos:
A baixa frequência às reuniões da igreja deve incomodar, primeiramente, os faltosos, uma vez que não cumprem recomendação bíblica. Em Hebreus 10.25a está: "Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns;...". Deve também incomodar os que são assíduos, porque um número perceptível de ausências revela problema sério no corpo de Cristo.
Ora, constatado esse problema perturbador, torna-se impossível que alguém justifique tal precariedade com aquela passagem dita pelo Senhor Jesus. Quem a usa foge - de propósito ou por descuido, ou por ignorância - do contexto. O versículo referido não justifica erro na igreja indisciplinada. Na ocasião Jesus (vv. 15-20) ensinava como se deve tratar um irmão faltoso. Primeiramente, de modo discreto, pessoal. Não havendo correção, levar "dois ou três" como testemunhas.
É com esses dois ou três, reunidos como Jesus ensinou, em nome dele, que o Senhor referenda a decisão tomada; seja a de (re)ligar ou a de desligar da igreja o faltoso. Trata-se de providências corroboradas pelo Senhor.
Diante dessa gravidade é que Pedro perguntou: "Quantas vezes, Senhor?".
Isto posto, não sejamos biblicamente meninos, que não entendem o contexto da Palavra de Deus, mas saem por aí a propagar mau ensino e mau exemplo.
Acautelem-se para não serem ludibriados!
Parece-me que os crentes habitualmente ausentes à nossa congregação precisam ser chamados diante de testemunhas, e espero que se corrijam, para não serem desligados aqui e também, por Deus, no céu.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

CERTEZA DA SALVAÇÃO?


Naturalmente não temos certeza do porvir. Por exemplo, quem tem certeza de estar vivo na manhã seguinte? Só nos foi dada a capacidade de dar como certo o que já é do nosso domínio. A própria sabedoria popular criou o ditado: “O futuro a Deus pertence”. O apóstolo Tiago previne: “Eia, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, ali passaremos um ano, negociaremos e ganharemos. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Pois, nada mais sois do que um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece. Em vez de dizerdes: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo” (Tg 4.13-15 grifo meu).
Realmente não temos a capacidade de determinar os eventos futuros.
Porém, diante dessa repreensão do apóstolo Tiago, fica-nos a impressão de um contrassenso nas palavras de Paulo, quando diz: “Estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.38-39 grifo meu).
Entre as duas afirmações, a de Tiago e a de Paulo, há um fator determinante que extrapola a explicação humana do que é a certeza: a fé! “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1).
Quem pode declarar certeza da própria salvação? Somente aquele que o faz por meio da fé. Não há garantia de salvação sem a fé. Hoje a fé nos encontra numa “certeza não completa”, não alcançada; mas ela nos conduz ao alcance completo daquilo que esperamos. “Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até o fim, para completa certeza da esperança; para que não vos façais negligentes, mas sejais imitadores daqueles que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (HJb 6.11-12). Qual a promessa? “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Mt 24.13). Pela fé, temos a certeza da salvação, porque Aquele que a prometeu guardará o nosso caminhar até “a completa certeza da esperança”.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

SE VOCÊ SÓ GANHA ALMAS, ESTÁ ERRADO!


"Ganhar almas" começa com evangelismo, mas não termina aí. Jesus mandou fazer discípulos - aprendizes do evangelho (Mt 28.19-20).
A maioria dos líderes crentes incentivam o evangelismo pessoal - e devem fazer isso. Mas, o problema é que tudo para por aí; falta o discipulado. Igreja sem discipulado trabalha mal, porque perde grande parte dos que "ganhou", além de nunca formar cristãos maduros e sadios.
A imaturidade cristã e até mesmo a ignorância do que é prioritário são uma realidade do nosso tempo. A causa disso são lideranças (?) que não praticam discipulado; são lideranças que aplicam "merthiolate" em ferimentos graves.
Boa parte dos líderes da atualidade quer ver templos lotados, porém, esses templos estão lotados de pseudocrentes; pessoas carentes de ensino e estudo bíblicos, pessoas carregadas de maus procedimentos sociais, desatenciosas, respondonas, sem um mínimo de demonstração de conversão ao evangelho.
Tais crentes não são levados para a obediência à Palavra e à oração, porque acabam filiadas a igrejas que terminam por pregar uma mensagem adocicada, cheia de um "amor" que não cura o pecado, nem não confronta o pecador, a fim de conduzi-lo ao arrependimento e à busca da santificação.
Tais igrejas não conduzem ao céu, mas à perdição, pois são lideradas por cegos que guiam cegos.

BIBLIA: TEXTO E CONTEXTO

 
É comum, nas mídias sociais, verem-se lindos versículos emoldurados. Coisa linda!
O problema é que grande parte desses versículos estão desconectados do texto; por isso, geram má compreensão, levando-os a dizer o que não dizem, de fato. O Salmo 37.4-5 exemplifica um desses casos.
Será que Deus concede o que o meu coração desejar? A generalização, a noção do "tudo o que o coração desejar" torna-se descartável, se atentarmos para os versículos anteriores e posteriores da composição.
Todo esse salmo estrutura a sua mensagem em dois polos: o justo e o ímpio; o que Deus faz a um e a outro.
A benção de Deus sobre o justo não implica o acúmulo de bens materiais; logo, se esse for o desejo do nosso coração, Deus não nos atenderá; assim, a má compreensão dos versículos 4 e 5 (principalmente) se revelará insana.
O versículo 16 resume a benção não quantitativa, mas, qualitativa de Deus: "Vale mais o pouco que tem o justo do que as riquezas de muitos ímpios".
Ora, lido isso, se voltarmos ao quarto e ao quinto versículos, veremos que a prodigalidade abençoadora de Deus atende à "necessidade" do justo, cujo desejo preponderante é estar em consonância com a vontade de Deus.
Dessa forma, não constituem leitura saudável os trechos que muitas pessoas emolduram e publicam como uma verdade indiscutível.
A Bíblia é séria!

domingo, 29 de dezembro de 2019

AMOR E JUSTIÇA, OU JUSTIÇA E AMOR?



O universo cristão ressente-se de compreensão mais clara, com relação ao sentido de duas palavras que parecem operar em sentidos opostos. O amor ao próximo – como recomendado por Jesus (Jo 15.17) – à primeira leitura, dá a impressão de que se anula todo o senso de justiça. Por quê? Porque “justiça” expressa a noção de dar a outrem aquilo que ele merece; conforme a lei de talião, ou lei da reciprocidade: “olho por olho, dente por dente”.
Por sua vez, a palavra amor, ágape, carrega o sentido da não cobrança de um mal recebido. Pelo amor, se dará ao devedor benefício maior do que aquele que ele “já não merece”.
Estamos diante de um impasse? Temos que escolher o amor, para sermos cristãos verdadeiros; ou a justiça, para sermos apontados como “julgadores do próximo”? Há grande crítica relativamente a “julgar o próximo”, baseada em texto bíblico extraído do contexto.
Deus amou a toda a sua criação, quando “viu que tudo era muito bom”. Esse amor pode ser inferido do texto em Gênesis 1.10, 12, 18, 21, 28, 31. Entretanto, o mesmo Deus que se alegrara com a sua obra, decidiu tomar enérgicas providências de justiça. Deus não atribuiu inocência aos culpados, mas aplicou neles a sua justiça (Ez 18.20). Na oposição ao mandamento ou na desobediência, prevalece a justiça, a fim de ser mantida a pureza do amor.
Não há amor sem regras; a justiça opera para a preservação das regras, em favor do amor (Mt 25.32; Ap 20.15).
Que sentido fica melhor, em nosso contexto, para a palavra amor? Jesus disse que o primeiro mandamento é amar profundamente a Deus, sobre todas as coisas, porque ele é o nosso Senhor, único Senhor e nosso Deus (Mc 12.29-30). O que é esse “amar a Deus”?  Ora, evidentemente, o sentido dessa passagem nada tem a ver com “gostar” ou “admirar”. Amar a Deus é reconhecer-lhe, de coração, toda a soberania, majestade, glória e senhorio, com toda a exclusividade da nossa adoração e louvor. O amor que se deve dedicar a Deus está acima de qualquer outra possibilidade de amar.
“Amar o próximo como a si mesmo” é o segundo mandamento (Mc 12.31) e Jesus diz que esse mandamento é “semelhante ao primeiro”. Que quer isso dizer?
Primeiramente, não quer dizer que o amor ao próximo e a mim mesmo se coloque no mesmo nível do amor a Deus. A similitude está em ser atitude indispensável. Amar o próximo e a mim mesmo deve ser entendido como um amor racional, disciplinado, justo, todavia, que exceda a justiça própria. “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo 7.24). Esse julgamento condenado por Jesus (segundo a aparência) revela-se na condescendência que, muitas vezes, temos para com nós mesmos, com os nossos semelhantes, ou, até, na severidade aplicada ao próximo.
O segundo mandamento deve ser bem analisado, porque normalmente incorremos em graves falhas de compreensão. Mal entendido, o amor ao próximo descamba para a conivência, pela falta da justiça, da reta justiça, sobre nós mesmos e sobre os nossos semelhantes.
Amor não é conivência. O apóstolo Pedro diz: “... porque o amor cobrirá a multidão de pecados” (1Pe 4.8). Por acaso, o apóstolo defende pecados encobertos, porque amamos o pecador? Jamais! Pedro se esquecera do episódio, nos primeiros dias da Igreja, envolvendo Ananias e Safira? Evidentemente, não! Que é, pois, “cobrir a multidão de pecados”?
Vivemos envolvidos num terrível mundo de pecados: desobediência ao evangelho de Cristo, roubos, assaltos, violências em geral, inclusive deslizes menos perturbadores. Nesse meio, o que é “amar o próximo” como a nós mesmos? O que é cobrir essa multidão de pecados? Trata-se de uma árdua batalha: é espalhar o bem, por onde atua o mal. Isso é cobrir uma multidão de pecados. É não praticar a lei de talião, é não ignorar a necessidade de ser sal e luz na em nosso rude ambiente.
Daí, que a partir de nós mesmos, não se pode falar em amor, em detrimento da justiça, porque não há como dar a outrem o que não temos em relação a nós mesmos. A justiça precede ao amor.
Amar o próximo como a si mesmo é mostra-lhe que praticamos o bem em vez do mal, que superamos a violência com a não violência, que evitamos o deslize. O amor evita que a justiça seja uma regra fria, pontiaguda, em relação ao próximo. O amor escapa à justiça, quando se torna exemplo do bom comportamento. Porém, o amor não desfaz a validade da justiça, pois, se assim fizesse, assumiria a posição de conivência com o erro. Portanto, a boa aplicação da justiça é um ato de amor.
Quando Deus aplicou a justiça no Éden, não sufocou o seu amor pela humanidade, mas abriu a porta para o resgate. Quando destruiu a humanidade perversa com o dilúvio, cuidou da preservação da criação, por meio de Noé.  Sejamos justos, segundo a reta justiça, primeiro para conosco, depois para com o próximo. Esse é o amor que cobrirá a multidão de pecados.