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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

PROBLEMAS COM LÍNGUA IX - CASO GRAVE CHAMADO ANACOLUTO

Coisas graves costumam ter nomes complicados, não é? Quem já ouviu falar em anacoluto?! Será isso alguma enfermidade, algum defeito ósseo irreparável?! Imagine você se aproximar de alguém que tenha algum anacoluto! Melhor nem pensar!
Nada disso! Essa palavra esquisita (não em castelhano!) nada tem a ver com enfermidade física: trata-se de uma questão de linguagem. Alguns artistas da palavra sabem usar bem um anacoluto; mas, em geral, seu emprego é involuntário e demonstra falta de conhecimento da estrutura sintática da frase.
É extremamente comum ouvirem-se frases como a seguinte:

“O professor, ele trabalha muitas horas por dia.”

Quem trabalha? O professor? Então, para que o “ele”? Bastaria dizer:

“O professor trabalha muitas horas por dia.”

Além de anacoluto, essa expressão reforçativa cheira a galicismo, isto é, influência da língua francesa.
O ilustre professor Celso Cunha diz que “anacoluto é a mudança da construção sintática no meio do enunciado, geralmente depois de uma pausa sensível...” (Nova Gramática do Português Contemporâneo, Porto, 2000). Entende-se, então, que o anacoluto se cria quando é interrompida a sequência de uma frase, por meio de uma pausa forte, dando-se prosseguimento a um novo formato de frase. Por exemplo:

Minha mãe, ela me ensinou muita coisa.

Não há a menor necessidade do ela. Trata-se de uma repetição, de uma redundância totalmente dispensável. As palavras e as construções de frases podem ser bem usadas ou não; tais quais os objetos que estão à nossa volta. Porém, uma expressão impensada, fora de um propósito definido é erro.
Claro, o anacoluto pode proporcionar belos efeitos de linguagem na pena de um artista da palavra; mas só na pena do artista! Ensina o admirável professor Othon Moacir Garcia: “... só o exemplo dos bons autores pode servir ao principiante como guia. Rui Barbosa, na Réplica, Júlio Ribeiro na sua Gramática, Latino Coelho em Elogios acadêmicos, fazem a louvação do anacoluto”.
Concluindo, se já se expressou o sujeito do verbo, não há por que repeti-lo por meio de um pronome reto. Nunca se diga:

A vida, ela tem suas dificuldades.

Por favor, não lhe acrescente mais uma, certo? Basta dizer que a vida tem suas dificuldades (sem o ela).

3 comentários:

  1. Gostei, amado mestre! Seria muito bom que mais dicas da nossa querida Língua Portuguesa fossem exploradas neste blog. Deus o abençoe, sempre! A propósito, essa virgula depois de "abençoe" está bem colocada? Aguardo resposta!
    Dê uma olhadinha no meu blog, por favor! Será um prazer trocarmos boas ideias!
    Luciano de Paula Lourenço

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  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  3. Professor, a licença poética me permite...?

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