Leitura: Hebreus, 5 .11 a 6.3
O escritor da Epístola aos Hebreus, já no capítulo
2, (segundo) chama a atenção dos seus leitores, portanto, da nossa própria
geração também, para o perigo da desatenção ao que temos ouvido, para que nunca
nos desviemos daquilo que nos foi ensinado. Em Mt 18. 20, o Senhor Jesus mandou
que os seus apóstolos “ensinassem a guardar tudo quanto ele havia mandado”
Verifica-se nisso que em conjunto com a
responsabilidade de “ensinar tudo” há a obrigação de o aprendiz guardar esse
tudo! Todavia, não parece que ambas as partes busquem o aperfeiçoamento de seus
compromissos para com o Senhor Jesus. Vale a pena conferir o que ordena a
Palavra de Deus com as nossas práticas. Os cristãos de Bereia eram muito nobres
nesse papel! (At 17.11).
O Senhor Jesus não nos mandou tutelar os novos convertidos; mandou fazê-los discípulos. Entretanto, alguns dos nossos orientadores
cristãos, que atuam na área do ensino cristão e na administração eclesiástica costumam
agir como tutores dos crentes novatos
sob sua responsabilidade. Quero dizer: alguns desses líderes tendem a assumir a
função de decidir o que o novo crente "deve ou pode" fazer e o que
lhe é proibido.
O apóstolo Paulo ensina aos problemáticos crentes
em Corinto, que eles não deveriam ter um mau comportamento cristão, porque “...
vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor
Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”. (1Co 6. 11) Ele ainda acrescenta
que, embora tudo seja permitido; nem tudo convém e ele, por isso, não se
deixará dominar.” (v.12) Que exemplo de ensino! Quem ensina não é tutor; é
exemplo!
Considerando-se que o crente recém-convertido ainda
é imaturo, não está apto para compreender tudo, não é proveitoso cobrar dele o
entendimento completo da Doutrina do evangelho, cujo ensino está apenas
começando.
Essa tutoria exagerada é precipitada e foge da
competência do orientador, pois ela pode fazer recuar aquele que dá os
primeiros passos no caminho da maturidade cristã. Pessoas adultas, intelectual
e socialmente sadias costumam aceitar instrução, porém, não suportam tutela.
Tutela - de modo bem simples e resumido - é o
direito legal que uma pessoa tem, para decidir sobre as escolhas de outrem, dada
a incapacidade do tutelado, para assumir responsabilidades. Tutelados jamais se
tornarão discípulos.
Fazer discípulos não é entregar a eles um
"manual sobre as maneiras de viver como cristão"; não é ensinar-lhes
práticas, muitas vezes, vindas da vontade humana e de seus hábitos e costumes! Fazer
discípulo é encaminhar o novo cristão a querer conhecer a vida nova dada pelo Senhor
Jesus Cristo, o Salvador, que tira o homem de uma vida de pecado e de desgraça!
É com esse objetivo que o discípulo deve
prosseguir na jornada até chegar à perfeição. O apóstolo Paulo se fez modelo,
não tutor, quando recomendou: "Sejam
meus imitadores, como eu o sou de Cristo" (Rm 11.1). Na Carta aos
Efésios, o mesmo apóstolo se refere ao "aperfeiçoamento dos santos" (Ef 4. 12).
Costumo dizer que aquele que decora fórmulas não
evolui para o conhecimento verdadeiro ele apenas copia o que decorou. Torna-se
um repetidor de normas inócuas. Não adianta ao aluno, decorar que todas as palavras proparoxítonas são
graficamente acentuadas; se ele não tem a menor noção do que sejam tais
palavras, nem como elas devem ser pronunciadas!
A tarefa que o Senhor Jesus impôs à Igreja não pode
ser realizada intempestivamente; precisa ser estruturada espiritual e
intelectualmente, pois é um trabalho seriado:
prevê estágios. É necessário que o orientador cristão entenda que sua
atividade é mais demonstrativa do que
normativa!
Então, nada pode associar a noção de um orientador à
noção de um tutor. A fase normativa da orientação cristã deve ser realizada com
suavidade, clareza e objetividade; ela trata da iniciação à Doutrina bíblica; é
um trabalho comparável à alimentação infantil. Passo a passo, o discípulo
estará apto para o alimento próprio para adultos.
Pregar e ensinar o evangelho significam a dupla
atividade de apresentar, por completo, às pessoas o “poder de Deus para
Salvação de quem crê” (Rm 1.16). O Senhor Jesus arregimentou primeiramente, seguidores (Mt 4. 19-20; 22; 25).
Depois, fez deles discípulos. O trabalho de fazer daquele que crê um discípulo é
acompanhá-lo nos estágios, que se iniciam na fase inicial e evoluem até os
conhecimentos mais profundos. Por esse motivo, nenhuma igreja terá um bom corpo
de orientadores cristãos, se nela não houver quem esteja apto para ensinar. O
aposto Paulo também levanta uma séria questão:
“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E
como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?
E como pregarão se não forem enviados...?” (Rm 10. 14-15a)
Enfim, que o Senhor nos capacite como verdadeiros anunciadores da palavra, mas não somente isso;
é necessário que sejamos e formemos muitos mestres para fazerem discípulos,
porque a seara é vasta.
“Então, Jesus disse aos seus discípulos: “A
colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da
colheita que envie trabalhadores para a sua colheita.” (Mt 9.
37-39)


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