segunda-feira, 10 de junho de 2019
PROBLEMAS SECULARES E RELIGIOSOS: CORRUPÇÃO E PRESUNÇÃO
Não são raras as reclamações e críticas relativamente ao uso indevido de veículos ou de outros bens destinados ao serviço público. Da mesma forma, há os que se valem de cargos e funções públicas para tirar proveito de natureza pessoal. As pessoas que assim agem, independentemente do nível em que estejam na hierarquia governamental, são classificadas como gente sem caráter, ladrões do dinheiro público, corruptos, passíveis de condenação, as quais, felizmente, não têm escapado das garras da Justiça. Bem faz o país que combate a corrupção, em quaisquer das suas modalidades.
Quero, agora, valer-me desses exemplos de mau uso da função e dos bens alheios, tão conhecidos nestes dias, para observar e criticar o comportamento de muitos cristãos que se agem como maus servos na seara do evangelho. Qual a atividade dos servos na igreja a que estão filiados? O apóstolo Paulo ensina: “Quando vos ajuntais, irmãos, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação...” (1Co 14.26), mas acrescenta no mesmo versículo a finalidade dessas atividades eclesiásticas: “... tudo para edificação”.
Existem finalidades inalienáveis para as reuniões e para as funções na igreja, e nenhuma delas visa ao proveito interesseiro de quem quer que seja. Na Carta aos Efésios, o apóstolo detalha quais são as funções eclesiásticas e para que servem, porém, sem esquecer o detalhe da finalidade delas:
“... E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11-12).
A preocupação de Paulo para com a igreja é a “edificação” do corpo de Cristo; logo, não há espaço para interesses particulares e corruptos que nascem na alma humana. Ninguém é chamado para o exercício de uma função na igreja como quem é presenteado com uma posição hierárquica. O vocacionado é posto como um mero serviçal na Obra do Reino, pequeno, mínimo, pronto para as tarefas menos aparentes.
O problema a ser corrigido é que trazemos para o seio da igreja a relação espúria que, como homens, ainda mantemos com a secularidade. Em nossa jornada profissional alimentamos o interesse pela “ascensão”, pelo reconhecimento e pelo “status”. Esse comportamento também carece de autocontrole pelo cristão, e, jamais cabe na estrutura do Reino de Deus.
Não agrada a Deus a vanglória, o orgulho por termos alcançado uma posição no ministério da igreja. Deus não nos vê, no aspecto pessoal, como apóstolos, ou pastores, pregadores, ou líderes de jovens, de crianças, de senhoras etc., nem como maestros ou cantores... Deus nos vê como servos; e, em tal condição, não executamos as tarefas que escolhemos para “aparecer”; mas as executamos conforme as determinações do Senhor.
O que temos presenciado nestes tempos contraria o ensino bíblico: há púlpitos transformados em palcos para apresentação de “estrelas da pregação” e de “astros” da música “gospel” (a qual é mundana, porque, em geral, é antropocêntrica!).
Mas não é só essa espécie de estrelismo que se vê em muitas igrejas. Há o estrelismo da função, desde o mais importante(?) até o menos importante(?). Existe o orgulho barato de ser líder de departamento, líder de conjunto musical, de banda, de orquestra e até de ser “tão somente participante” de um desses departamentos.
Além disso, não é raro que se encontre o “membro autônomo da igreja”: aquele que não precisa ser pastoreado, nem doutrinado, porque atingiu um grau tão elevado de “conhecimento bíblico e doutrinário”, ou tem uma “carteira“ que conta décadas de filiação como membro que o torna apto para decisões à revelia do pastor. Esse “membro autônomo” também pode estar entre os mais jovens; tudo depende do grau de “independência” que ele julga ter. Que problema é essa gente para o Reio do Deus!
Cabe aos pastores deste século o uso mais efetivo daquilo que o salmista – porque era ovelha - disse que lhe fazia bem, quando se referiu ao Senhor como seu Pastor:
“... porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4. grifo meu).
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