sexta-feira, 7 de junho de 2019
SAULO FOI TRANSFORMADO EM PAULO?
Muitas pregações e até letras de hinos bastante conhecidos destoam das informações imprescindíveis encontradas nas páginas sagradas: a Bíblia. Inúmeros pregadores têm transmitido, numa demonstração imperdoável de despreparo bíblico, informações contrárias ao que o texto bíblico revela.
A vida do apóstolo Paulo (ou Saulo?) quase sempre é vítima desses maus intérpretes das Escrituras Sagradas. Há mais de uma causa para essas impropriedades hermenêuticas:a falta de estudo acurado do texto, o que denota descuido intelectual e a intenção que têm certos pregadores de levar aos ouvintes alguma inovação motivadora.
Os púlpitos pentecostais e neopentecostais são os maiores celeiros desses portadores de "novidades", os quais, infelizmente, chegam a entusiasmar grandes plateias.
Mas, voltemos ao apóstolo, observando dois pormenores em sua história. O primeiro é que não há relato bíblico de que ele tenha desabado de um cavalo, na estrada de Demasco. O cápítulo 9 de Atos registra:
"E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?" (vv. 3-4). Não há tradução que mencione que o apóstolo cavalgava. Fica, portanto, esse acréscimo por conta do entusiasmado pregador.
Também é costumeira a afirmação de que o Senhor mudou o nome de Saulo para Paulo. Nada a ver!
O apóstolo era cidadão hebreu; recebera de seu pai o nome Saulo, nome da etnia hebraica. Porém, ele tinha, oficialmente, por parte do pai a cidadania romana. O nome romano era Paulo.
Para ser claro, seria como alguém, norte-americano, chamar-se, originalmente, Anthony e, vivendo no Brasil, chamar-se Antônio.
Assim, se um cântico diz que Saulo "foi transformado em um Paulo", ou um pregador faz essa afirmação, ambos estão incorretos. Pregadores precisam de estudo bíblico atencioso e hinários precisam de revisão não só musical, mas também da composição das letras, a fim de não propagarem erros entgre os incautos.
A partir de Atos, 13.9, já se encontra o antropônimo Paulo: "Todavia, Saulo, que também se chama Paulo..." . Na sequência da narrativa de Atos, assim como nas suas cartas, o apóstolo, por conviver entre os gentios, deu preferência ao nome latino que passou a usar.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário