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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

AS ARMAS, AS CULTURAS, A BÍBLIA II


Devem os crentes cristãos prover-se de armas de fogo, visando à própria segurança diante dos ataques de perversos? Na página precedente há uma bem ligeira referência ao surgimento e à finalidade das armas. Elas surgiram como utensílio de caça das presas que serviam de alimento, além de serem um instrumento que facilitava tanto o trabalho humano no dia a dia como a defesa da vida contra as feras com que o homem se defrontava.

A maldade do coração humano levou-o às desavenças pessoais, às agressões físicas, aos conflitos sociais de grandes proporções como as guerras. Nesse contexto é que o homem descobriu a possibilidade de armar-se contra o seu desafeto e desenvolveu toda espécie de armamento, com ênfase nas armas de fogo. Esse tipo de arma resultou da invenção da pólvora, na China, lá pelo século IX.

A tecnologia bélica avançou através dos séculos, numa trajetória de aperfeiçoamento tão grande que hoje se tem à disposição os armamentos mais sofisticados. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918), assim como a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foram os grandes laboratórios para aperfeiçoamento das armas de fogo, entre outros tipos de material de ataque a inimigos.

A primeira arma de fogo portátil foi o mosquete, surgido no século XVI. O revólver, por sua vez, surgiu no ano de 1835, patenteado pelo norte-americano Samuel Colt.

Mas, qual a finalidade da arma de fogo? Sem dúvida, ela tem a finalidade de causar lesão grave em outrem, ou mesmo provocar-lhe a morte. É, portanto, instrumento para tirar a vida.

Os cristãos declaram-se seguidores de Cristo. A Bíblia manda que sejamos imitadores d’Ele. “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1Co 11.1). “Sede, pois imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 5.1). “E vós fostes feitos nossos imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo” (1Ts 1.6). Apenas essas citações mostram-se suficientes para que cristãos não adotem armamento pessoal algum.

Tenho lido defesas contrárias a estas considerações, as quais buscam trechos registrados no Antigo Testamento como endosso para suas convicções. Ora, primeiramente é necessário verificar que, de modo geral, o povo de Israel armava-se para confrontos entre povos, entre reinos. Eram guerras. Não se tratava de armamento de uso pessoal. Davi matou a Golias usando um tipo de arma para caça, mas estava em guerra contra os filisteus.

Outros tomam para si o episódio em que Pedro ataca o soldado romano, cortando-lhe a orelha, quando vieram prender a Jesus. Vale lembrar que a mais completa conversão do apóstolo Pedro ocorreu depois desse evento. Àquela altura, Pedro era sanguíneo, homem pronto para brigar, agredir, agir “segundo o curso deste mundo”. Disporia Pedro de uma espada no dia de Pentecostes? Estaria armado quando foi preso com João e levado à cadeia de onde foi tirado por um anjo?

Li alguém que disse: “Jesus não mandou que Pedro jogasse fora a espada; mandou guardá-la”. Argumento ingênuo ou de má intenção! Existem, ainda, os que procuram como argumento o texto de Lucas, 22, que transcrevo: “E disse-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje ou sandálias, faltou-vos, porventura, alguma coisa? Eles responderam: Nada! Disse-lhes, pois: Mas agora, aquele que tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e o que não tem espada, venda a sua veste e compre-a. [...] E eles disseram: Senhor, eis aqui duas espadas. E ele lhes disse: Basta” (Lc 22.35-38 – destaque meu). Ou, como se diz em linguagem popular, “o bicho ia pegar!” Era necessário estar psicologicamente preparado para a adversidade. Jesus não pretendia dizer que seus discípulos deveriam enfrentar literalmente os soldados. Jesus não precisava da força humana em sua defesa (Jo 18.36; Mt 26.52.53).

Examinemos: Evidentemente, Jesus mais uma vez transmitia uma mensagem de forma metafórica. A situação que se aproximava era dificílima e os discípulos passariam por momentos terríveis de desolação e mesmo de possível desistência de Cristo. O próprio Pedro, ainda que armado de espada, teve tamanho pavor que negou o Mestre.

Após a ressurreição do Senhor, qual dos apóstolos mencionou uso de armas em suas horas de aflição? Com que arma Estêvão se defendeu dos algozes? E Pedro lutou contra alguém? Paulo armou-se para a própria defesa? E os cristãos que, formando a Igreja primitiva, passaram por duros períodos de intensa perseguição, buscaram armar-se contra os seus perseguidores?

Não há, pois, como aceitar que caiba ao cristão verdadeiro a posse, nem o uso, de arma de fogo. “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 122.2).

 

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