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sábado, 31 de dezembro de 2016

A POSSÍVEL FALÁCIA DA COBERTURA ESPIRITUAL

Primeiramente, cabe deixar claro o que entendo por cobertura espiritual. A expressão é simples e clara. Numa batalha, numa operação policial perigosa, o agente enfrenta o inimigo, porque tem apoio de uma retaguarda; ou seja, há outros agentes estrategicamente postados, a fim de dar a necessária cobertura, ou proteção àquele que se põe em risco.
Não há possibilidade de um soldado partir solitário para um combate contra um grupo de inimigos; se o fizer, provavelmente sofrerá os danos decorrentes de sua ousadia. Dependendo do risco, a cobertura é feita por muitos soldados.
A noção de cobertura espiritual segue o mesmo critério; portanto, o papel dela é dar proteção ao "soldado" de Cristo, quando aquele estiver exposto a perigos. Não há crente que não esteja na linha de tiro do inimigo; por isso, não há crente que dispense a "cobertura espiritual".
Agora, é necessário expor que um grande número de líderes, ou pastores costumam atribuir a si mesmos a detenção e o poder de "dar cobertura espiritual" àqueles que estão sob a sua liderança. Nisso reside grande falácia, por causa da distorção aprioristicamente proposital do significado da expressão.
Ao pastor que lidera cabe a proteção das ovelhas; mas proteção não envolve "poder sobre alguém". Proteger é cuidar com zelo e com carinho. Proteger não é julgar-se mais poderoso do que outrem; menos ainda é subjugar a quem quer que seja aos seus interesses, caprichos ou pontos de vista, muitas vezes reprováveis.
Não são os pastores em si quem dará a cobertura espiritual, à qual me refiro. A proteção espiritual está sob responsabilidade de toda a igreja, que vela sobre a vida dos membros do corpo, junto do líder e igualmente interessada no bem-estar de uma ovelha sob risco. Cobertura espiritual não é certificado de propriedade ou de domínio pastoral.
Há inúmeros crentes "presos" a uma igreja, por causa do medo da "maldição pastoral", que é o oposto da "cobertura espiritual" segundo a cabeça doentia de alguns líderes. Compensa lembrar que as ovelhas pertencem a um ovinocultor. Este, dono das ovelhas, possui pastos em vários lugares e nesses lugares contrata pastores que cuidem do rebanho. O Senhor não é dono de um só pasto, por isso, ele deu "pastores" (Ef 4.11). Para cada pasto há um pastor a cuidar do rebanho. Poderá a ovelha de um pasto ser transferida para outro que seja do mesmo Senhor? Claro que sim! E, se o Senhor resolver transferir, do modo que bem entender, uma ovelha para outro pasto, caberá ao pastor dizer que "retira a sua cobertura espiritual" daquela ovelha?
Na seara evangélica têm-se criado ovelhas com coleira, veem-se ovelhas subjugadas aos interesses nem sempre claros de líderes escorregadios em suas intenções. Esse é um dos motivos por que a igreja evangélica pentecostal brasileira tem perdido tantos membros, não só para outros pastos evangélicos, mas, pior, para um mundanismo assentado na revolta.
É necessário que ocorra uma limpeza no dicionário envenenado de nossas lideranças, a fim de que toda a igreja se veja responsável pela verdadeira cobertura espiritual dos seus membros. É necessário que haja crentes corajosos para enfrentar quaisquer erros em si próprios, em suas concepções nascidas nos cabrestos estúpidos de muitos líderes. Há necessidade de crentes fiéis à Palavra de Deus, maduros e suficientemente instruídos para desmascarar as más intenções que hoje infestam o coração de tantos líderes.
A unção (?) não existe para colocar o "ungido" no andar superior, nem para causar temor aos circunstantes. Pastores precisam rever suas posições de servos; não de reis ávidos por governar um povo bíblica e intelectualmente despreparado.
Virá o tempo em que uma enorme fila de pastores - dados para levar a igreja ao amadurecimento cristão - se formará para um acerto de contas com o Senhor das ovelhas. Nesse momento, que justificativa darão para um comportamento deprimente e avaro na seara alheia? Os bens que acumularam indevidamente, por subjugar os seus liderados, talvez lhes sirvam de testemunha de acusação. Mas ainda há tempo para a reconsideração e para eles mesmos se colocarem sob a "cobertura espiritual" dos seus liderados. Provavelmente, a reforma na igreja brasileira, a reforma que tanta gente almeja hoje, surja com a verdadeira concepção da cobertura espiritual.

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