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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

EXISTE COBERTURA ESPIRITUAL?

Há algum tempo, uma polêmica se tem levantado: Pastores detêm uma prerrogativa chamada “cobertura espiritual”? Antes de se discutir o assunto, é necessário deixar estabelecido um conceito para tal nomenclatura neoteológica.

Entende-se por “cobertura” aquilo que protege, abriga, preserva. O adjetivo “espiritual” caracteriza o que é relativo ao espírito. Mas, o que é espírito, no contexto desta consideração? Creio que se deve aceitar a concepção de que seja o conjunto do comportamento religioso cristão. A igreja evangélica milita numa disposição religiosa produzida pela doutrina bíblica. Com base nesse pressuposto, “cobertura espiritual” será o acompanhamento, a proteção, a preservação do comportamento religioso cristão.

Sempre que se cria uma nomenclatura que envolva um conceito tão abstrato quanto esse, abre-se a possibilidade dos posicionamentos antagônicos; e o antagonismo guerreia com todas as suas estratégias: algumas bastante espúrias, porque se baseiam em falácias. A distorção de um conceito conduz a resultados aparentemente verdadeiros, os quais, enunciados de modo eloquente, tornam-se capazes de enganar os incautos.

Afinal, pastores detêm a prerrogativa da “cobertura espiritual”? Sim, por um lado; não, por outro.

A Bíblia é a fonte única e suficiente para dirimir quaisquer dúvidas teológicas. Sem a Escritura, qualquer teologia dita cristã se inviabiliza. Logo, é na Bíblia que se deve procurar a resposta. Realmente existe, de modo indisfarçável, o conceito de cobertura espiritual na Palavra de Deus.

No Antigo Testamento, Deus escolheu Noé para fazer a cobertura espiritual de sua família: “Então disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; [...]. Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos” (Gn 6.13-18). Sem a consciência de que Deus dera instruções ao patriarca, os descendentes de Noé também pereceriam, uma vez que o Senhor não instruiu a eles, mas ao pai. Aqueles filhos, mulher e noras estavam amparados, preservados da morte pelo cuidado do pai.

Moisés foi designado por Deus, para tirar o povo de Israel do Egito; logo, aquela nação estava sob a “cobertura espiritual” de Moisés e, mais tarde de Josué. Não menos responsáveis por essa cobertura estavam os sacerdotes que atendiam no tabernáculo e no templo.

João Batista, ao anunciar o evangelho do arrependimento, estava incumbido de apresentar a cobertura espiritual daqueles a quem batizava.

O Novo Testamento continua sendo a fonte dessa prática, a qual se reforça claramente, quando o Senhor Jesus estabelece a sua Igreja. Jesus ordenou a Pedro que lhe apascentasse os cordeiros (Jo 21.15). Ora, que é apascentar, senão ensinar, cuidar, preservar, dar “cobertura espiritual”?

Com a expansão da igreja primitiva, os doze apóstolos entenderam que precisavam manter-se no ministério da Palavra, o que nos faz entender, permanência no ensino, no cuidado pastoral, na ministração da doutrina de Cristo (At 6.4).

Paulo foi extremamente zeloso em sua função de dar cobertura espiritual às igrejas e também a seus discípulos, como foi o caso de Timóteo. As cartas do apóstolo dos gentios são claríssimos documentos do que se chama “cobertura espiritual”. E não somente Paulo, mas também Tiago dá cobertura espiritual aos crentes judeus da Dispersão (Tg 1.1). Alguém diria que as cartas de Pedro e de João, assim como a de Judas, deixam de ter conteúdo próprio da noção de cobertura espiritual? A Bíblia endossa plenamente essa prática da igreja cristã.

Por que motivo, então, há posicionamentos contrários a tão comprovada realidade?

A celeuma se constrói com base em duas situações bastante criticáveis. A primeira alimenta fartamente a segunda. É necessário extirpar tanto uma posição quanto a outra. Vamos à primeira.

Não são poucos os pastores que se valem de uma verdade inquestionável, para endossar um interesse meramente pessoal. A “cobertura espiritual” é uma atribuição concernente à vida cristã, uma vez que o cristão precisa de ensino bíblico, alimento para a alma, companheirismo, apoio e atenção em suas dificuldades. A ovelha precisa de proteção contra os ataques dos lobos, sejam essas feras representadas por pessoas malfazejas, ou representadas por situações psicologicamente adversas. Esse é o papel do pastor; essa é a cobertura espiritual.

Todavia, encontram-se pastores que deturpam esse conceito para justificar sua sede de hegemonia, sua vaidade de ascensão sobre as pessoas, forçando-as a agirem segundo os interesses particulares de suas administrações. Esses pastores chegam ao cúmulo de amaldiçoar os que lhes escapam do redil, condenando-os, a priori, ao inferno; retirando-lhes a sua “benção”, proibindo contato com os que ficaram. Como diria um conhecido frei parapsicólogo com sotaque castelhano: “Isso non ecxiste!”. Isso não é bíblico, porque exclui o amor ao próximo.

De outro lado, aparecem os que extrapolam na contradição, fazendo crer que a cobertura espiritual é bobagem. Acontece que esses opositores são ministros do evangelho; consequentemente, instruem ovelhas a não aceitarem a “cobertura espiritual”. Claro que eles negam, assim, a sua própria condição pastoral; pois, como já expus, a cobertura espiritual é atribuição dos pastores, quando executada segundo os padrões determinados pela Palavra de Deus.

Errados estão os ministros truculentos, donos e senhores dos membros de sua igreja. São eles maus pastores que menosprezam a inteligência dos membros e submetem a igreja à sua vontade Os tais ministros precisam rever suas atitudes, sob a luz da Escritura Sagrada. Precisam aprender a apascentar ovelhas que, de fato, não lhe pertencem.

Errados também estão os ministros que propagam não haver cobertura espiritual; os que ensinam a ovelha a dizer: “Meu pastor é Jesus Cristo, não estou submetido a homens”. Isso é ensino de rebeldia, porque, por esse meio, propagam a dissolução do vínculo da ovelha com seu guia, como está recomendado na Carta aos Hebreus: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isso com alegria, e não gemendo, porque isso não aproveita a vós outros” (Hb 13.17).

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