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segunda-feira, 25 de julho de 2016

O CRENTE E O SENTIDO DAS PALAVRAS


O sentido (significado) de qualquer vocábulo não está, necessariamente, nele mesmo, em seu isolamento; os dicionários registram os significados mais frequentes (mas não todos os possíveis) que, na condição de palavra, um significante pode ser aplicado. Essa afirmação parece complicada para quem não é do ramo, mas é possível explicar. Vejamos:

1.       Vocábulo é o nome que se dá a uma “palavra” isolada de um conteúdo: sol, terra, camisa etc. Observe que a frequência dos exemplos leva-nos a atribuir um conteúdo que pode ser falso. Pense numa linguagem figurada, para perceber o que digo.

2.       Palavra é o nome que se dá ao vocábulo, agora, constituinte de numa frase. A palavra sempre envolve um contexto.

3.       Dá-se o nome de significante à forma (falada). O significante encerra um significado, um conceito, um conteúdo. Significante e significado formam o signo linguístico.

Dadas essas ligeiras – e até frágeis – explicações, podemos abordar o assunto que nos interessa.

O vocabulário cristão evangélico é - de modo geral - enriquecido pelo texto da Escritura Sagrada. Muito se transfere dali para o linguajar dos cristãos. Por esse motivo, não é raro que se compreenda de forma indevida um grande número de palavras empregadas na Bíblia. Além disso, o apego ao estrito vocabulário bíblico gera o que se pode chamar de jargão evangélico - uma prática nem sempre salutar, pelo fato de que grande parte dos falantes não domina as possibilidades de significados em seus devidos contextos.

Mesmo que eu não registre aqui, há, à disposição de quem se interessar, fartos exemplos dessa particularidade linguística. Um dos casos é o uso de palavras como levita, altar, entre inúmeras outras.

O termo levita tem servido para nomear o cristão que se dedica ao canto solo na congregação; trata-se de uma transposição de sentido de uma palavra hebraica que identificava as pessoas que serviam no culto do Antigo Testamento, uma espécie de diáconos. Os cantores não devem representar, na igreja, uma classe à parte. Essa perspectiva tem despertado a vaidade de muitos cantores, os quais já não dispensam esse tratamento indevido. O louvor e a adoração a Deus são atividades de toda a congregação. Evidentemente alguém lidera a condução do cântico na igreja, mas sua atuação não é a de um levita. A figura do levita já não existe, como não existe a figura do sacerdote, nem do altar; ainda que algumas pseudoigrejas cristãs imitem de modo ridículo um passado hebraico. Ao que conduz o cântico na igreja, é mais saudável chamá-lo líder de louvor, reservando o uso de ministro àquele que ministra (entrega) a mensagem da Palavra de Deus.

É comum, também, que se atribua ao termo altar um sentido diverso da sua etimologia. Não existe hoje um lugar santo, no sentido original da palavra. Não há santidade específica em nenhum espaço da igreja. A santidade deve estar naquele que ministra no templo, ou fora dele. O cristianismo evangélico não admite a existência de um altar, ou seja, lugar de sacrifício como ocorre na liturgia católico-romana. Trata-se, portanto, de uma impropriedade na linguagem. O lugar de onde se entrega a mensagem bíblica é uma tribuna, um púlpito.

Fica aqui a sugestão para que os crentes demonstrem vivo interesse pelo uso de um vocabulário adequado à sua convicção. Que as igrejas sejam grandemente atenciosas às escolas bíblicas, levando aos seus membros bons ensinos litúrgicos, assim como uma boa compreensão do vocabulário evangélico, para que os crentes sirvam de testemunho da sua fé, impressionando a sociedade tal qual os servos da casa do rei Salomão diante da rainha de Sabá.
Ev. Izaldil Tavares de Castro.

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