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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A VERDADE NÃO É SIMPÁTICA


Verdade e simpatia parecem-me conceitos excludentes, ou que, talvez, mantenham certa relação antipática. Enquanto a verdade não transige jamais, a simpatia pode ser uma máscara a esconder conivência com os desvios alheios. A má simpatia presta-se, ora, à concessão para com a falha de outrem; ora, a ser uma mascara que oculta os verdadeiros motivos de uma relação social. Assim, torna-se a simpatia uma posição antagônica para com a verdade. Certamente por isso, as impressões que uma e outra causam são bem distintas.
A verdade é indiscutivelmente contundente, clara, indiscutível e, não raro, odiada. Por sua vez, a simpatia referida sempre se veste de doçura, tem braços enormes para cingir aqueles que a procuram, independentemente das circunstâncias. Quem não ama a simpatia? Veem-se em vários lugares a solicitação “Sorria”, porque o sorriso é um gesto simpático. Entretanto, a solicitação do sorriso, quase sempre, está em lugares em que caberia muito bem, uma cara bem fechada. Trata-se da exploração da conveniência da simpatia.
Pedir que alguém seja simpático para com as pessoas, na maioria das vezes, significa pedir que não se ponha em evidência a verdade; esse é o berço do eufemismo, que tanta satisfação nos traz.
Que as pessoas mais buscam? Verdade ou simpatia? Facilmente se troca a verdade pela simpatia, porque aquela, quase sempre afasta os homens; esta os agrega ao nosso redor.
 Certa ocasião, Jesus, que é a verdade, fez um discurso que afastou a multidão dos seguidores, ansiosos pela falsidade da simpatia. Até os discípulos ficaram incomodados e reclamaram com o Mestre, que não arrefeceu o calor da sua mensagem (João, 6. 60-67).
Todavia, é necessário não se confundir a noção de verdade com a noção de estupidez ou grosseria. A grosseria é apenas ofensiva, nada constrói, nada ensina, nada melhora. Assim também, a simpatia não pode traduzir a máscara da indulgência. A boa simpatia se mostra na maneira cordial, na forma civilizada de se tratarem as pessoas. O problema é que maneira cordial ou forma civilizada de tratamento não significa – como tantos pensam - escamotear a verdade, nem massagear o ego (para usar um chavão) de quem quer que seja. Embutida na estampa cordial da simpatia deve residir a contundente força da verdade.
Pena, mesmo, é que muitos púlpitos ditos cristãos preferem a máscara suja da simpatia, - a qual se chama hipocrisia – à limpidez imarcescível da verdade, causando incalculável dano ao amadurecimento de seus ouvintes.
Izaldil Tavares de Castro.

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