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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

CORONÉIS OU MANTENEDORES DA FÉ CRISTÃ?


Ouvi uma gravação do famosíssimo teólogo e pastor, Ariovaldo Ramos (a vírgula, aí, tem sua função), em que ele espinafra, não sei bem, se um comportamento atávico da nação brasileira, com base nos relatos da História do Brasil e em obras como Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, ou livros, sobre Educação, de Paulo Freire etc.; ou se espinafra a estrutura diretiva das igrejas evangélicas neste país. Como historiador até o vejo com bons olhos; como mensageiro do evangelho, tenho minhas dúvidas.

Não me venham dizer que a igreja, na gravação referida, é a instituição humana, submetida aos ditames da Constituição Federal, por isso, suscetível de falhas e desvios, sobretudo éticos e morais, como tudo neste país. Este é um país de coronéis? Pelo menos já foi; verdade inegável. É o Brasil um país de mandachuvas? Verdade inegável. É um país que agrega, talvez, a pior politicalha do mundo? Verdade inegável. Tudo isso é compreensível, porque a própria Palavra de Deus alerta sobre o domínio do mal, relativamente a este mundo (1João, 5.19). O que, me preocupa, de fato, é que o orador em apreço faz uma bonita miscelânea, como lhe é habitual, entre “coisas daqui e coisas de lá” (que lê entenda).

Afinal, se Ariovaldo quer tratar da História do Brasil, até vejo nele condições para tal. Todavia, se Ariovaldo quer tratar da História da Igreja brasileira, que não coloque tudo na mesma panela. A Igreja é uma instituição diferente da instituição do Estado: este é humano, material, moldado à luz do conhecimento do Bem e do Mal¹, aquela é uma instituição divina que, sem dúvida, está voltada para a obediência à Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. A História registra os efeitos do agir humano, com projeções para um possível futuro do homem. A Bíblia registra, aprioristicamente, a conduta do homem e prescreve-lhe a indispensável obediência. A Bíblia não é democrática em nenhum sentido, porque Deus é Senhor Absoluto e sobre Suas decisões não há quem possa discutir.

Evidentemente, não estou a pôr panos quentes em desmandos eclesiásticos, nem teológicos de quem quer que seja. Por outro lado, quem é o puro que possa sair apedrejando? O que critico é o viés camufladamente político-esquerdista daquele discurso, propagando uma insubordinação à hierarquia eclesiástica (Ef 4. 11-15). Uma pregação que já não cuida de ovelhas, mas emite certificado de rebeldia a uma população carente de instrução bíblica e tão aviltada pela desobediência humana (1Co 2. 11-16).

Há ainda que se considerar que o orador a quem me refiro trata indistintamente pastores consagrados ao verdadeiro ministério evangélico, portanto bíblico, com criadores de seitas espúrias como Edir Macedo e todos os seus congêneres. A um bom historiador compete a clareza de não misturar dados nem conceitos, a menos que sua intenção seja tão conspurcada quanto a expressão dela.

Não admiro o viés político de Ariovaldo Ramos; sobretudo, não aceito a mistura desse seu viés com a respeitosa história da Igreja Evangélica Brasileira. Se na política há coronéis, é necessário que o brasileiro se desvincule dessas raízes, a fim de vivermos uma boa democracia. Se há coronéis dirigindo igrejas, é necessário fazer-se um divisor de águas, entendendo que coronelismo não se confunde com ensino com vistas à obediência ao que dispõe Palavra de Deus. Deus exige, cobra, não abre mão da obediência humana. Será o Senhor Deus um coronel, caro orador?

¹Base na pregação do Pr. Walter Brunelli, em 6/12/2015.
O homem determinou o que acha "bem" ou "mal".

Ev. Izaldil Tavares de Castro.

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