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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

SEMENTES DESENTERRADAS


Jesus, certa feita, mencionou o aproveitamento da sementeira, fazendo a conhecida Parábola do Semeador. Normalmente observamos esse ensino do Mestre como se o resultado do ato de semear em nada dependesse de nós. Costumamos dizer que nossa missão é semear.

O padre António Vieira, um expoente na literatura sacra erudita em língua portuguesa, diz que na semeadura há três fatores a serem avaliados: a Palavra de Deus (semente), o semeador (o pregador) e a terra (o ouvinte). Na explicação para o insucesso da semeadura, aquele escritor deixa resolvida a questão da semente, porque ela é indiscutivelmente boa: a Palavra não tem defeito. Assim, argumenta que pode haver defeito naquele que semeia ou na terra em que ele semeia, ou, talvez em ambos. Deixemos Vieira para uma leitura interessante. Vamos ao texto sagrado.

No evangelho de Lucas, capítulo 8, está registrada a parábola em apreço. No versículo 8, o Senhor diz que uma das sementes (a que caiu em boa terra) deu abundância de fruto. Por que as outras sementes não frutificaram? Pela ordem: uma caiu fora do lugar da sementeira, à beira do caminho, descoberta, à mercê das aves. A outra caiu nas pedras, em lugar seco; outra caiu entre espinhos, sendo, portanto sufocada. Outra, porém, a frutífera, caiu em hora e lugar oportunos para a germinação e deu 100% de frutos. Porque aquelas não frutificaram? Terá sido apenas a questão do lugar em que caíram?

Jesus não ia ensinar desperdício de sementes! Parece-me, então, que uma lição tem ficado esquecida: o zelo do semeador para com a semente. Se é sabido que a semente só frutifica em solo adequado, espalhar sementes ao vento é desperdício. Claro que Jesus ensinou isso, também.

O evangelho - que é a semente – hoje é propagado à vontade, e isso deve ser feito; porém está havendo um trabalho parcial dos semeadores, pois, praticamente, não existem os preparadores do solo, a fim de evitar a perda de preciosa semente.

Postei hoje, no “facebook”, o meu ponto de vista sobre “sementes desenterradas”, a respeito dos movimentos evangélicos que se valem de expedientes criticáveis, a fim de atrair rebanho (qualquer que seja o interesse) para os seus templos. Isso não possibilita preparo do solo (discipulado), e a semente desenterrada fatalmente morrerá improdutiva.

Haverá ajuntamento de pessoas com as mais variadas intenções: busca de entretenimento com os famigerados gospel-cantores, sede de bens materiais, até namoros e casamentos. Todavia, esses eventos não serão frutuosos. A realidade do que digo está aí, à vista de quem quiser. Temos deixado sementes ao abandono: à beira do caminho, à disposição de ouvintes desapercebidos; sobre as pedras aquecidas pelo sol, expostas a corações endurecidos; entre os espinhos, a mercê de interesses materiais.

É necessário que os semeadores utilizem bem as sementes, que as valorizem com seu próprio modo de ser e de agir em conformidade com as Escrituras Sagradas. Semeador tem que ser preparado para o trabalho. Tem que ser, antes, um arador da terra, tem o dever de cuidar da semente, para que ela seja produtiva.

O tempo de semear esvai-se; a Igreja tem perdido tempo e semente, por falta de sabedoria ou por interesses nada publicáveis, esquecendo-se de que dará conta ao Senhor da Seara e da semente. Os fins nem sempre justificam os meios. Convém pensar nisso com seriedade.

Ev. Izaldil Tavares de Castro.

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