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quarta-feira, 29 de julho de 2015

ENGANADOS PELO DISCURSO

 
“Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem e de sabedoria, porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado”. (1Co 1.1-2).
 
O primeiro discurso envolvente - logo, eloquente - aconteceu pouco depois de Adão e Eva viverem sob a bênção divina no Éden. “Mas, a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” (Gn 3.1). Satanás, a serpente, que conhece muito bem os recursos da linguagem, valeu-se do circunlóquio para encantar a Eva, sua vítima.
Começou fazendo uma afirmação que talvez causasse confusão quanto ao que Deus realmente dissera. O diabo pretendeu fazer a primeira teologia fora da Palavra de Deus, mas a mulher aceitou o ensino herético cujo resultado toda a humanidade sofreu.
O inimigo do ser humano não desistiu de espalhar seus conceitos venenosos entre os homens, usando uma das capacidades mais nobres de que muitos homens são dotados: a eloquência, a facilidade de expressão. Os inimigos mais perigosos da verdade não são gente tosca, de fala difícil; ao contrário, são dominadores de uma boa linguagem, conhecem os recursos de um discurso envolvente, não abrem mão de uma postura atraente. Por acaso, o diabo agiu diferente lá no Éden?
Provavelmente a igreja de Corinto esperava de Paulo essa pretensa elegância; entretanto, o apóstolo chegou desfazendo qualquer pretensão de arrogância, pretensão de sabedoria humana e eloquência como atesta o versículo mencionado. Diz ele “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando sofismas" (o destaque é meu. 2Co 10.4). Também Paulo faz referência aos jactanciosos que o menosprezavam pela aparência: “As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca e a palavra desprezível” (2Co 10.10). Ainda hoje os homens julgam pelo que veem e, obviamente, sempre veem mal.
A pós-modernidade tem-se ocupado sobremaneira com aquilo que é aparente, decorrência de uma sociedade secular ultraconsumista. Esse mal tem atingido a Igreja, que se dedica a manter suntuosos templos e liturgias conquistadoras dos gostos refinados. Que faria Paulo num desses ambientes?
Todavia, não é meu propósito observar esses aspectos materiais, senão para verificar que eles servem para suportar uma oratória muitas vezes perigosa. Atualmente, grande parte dos frequentadores das igrejas aprecia os pregadores inflamados em suas mensagens. Aplaudem a mensagem calorosa, apreciam a dispensável verborragia grega dos “eruditos” (dispensável, porque a plateia não conhece a língua original do Novo Testamento). O problema está em que ninguém se dá conta de que a forma nem sempre justifica o conteúdo.
O discurso de Satanás, no Éden foi formulado em bela forma; mas ela embalava o mais mortífero conteúdo para Eva e toda a sua descendência.
Alguns, na igreja de Corinto, menosprezaram a vista pessoal do apóstolo; acharam-no fraco de aparência. Tornaram desprezível a sua pregação, por ser expressa com humildade. Não sabiam eles que aquele grande homem tinha preparo intelectual para enfrentá-los em qualquer debate. Entretanto, ele considerou nada toda a formação que recebera, a fim de enaltecer a pregação do evangelho de Jesus Cristo.
É necessário que a igreja desses dias fique atenta, sempre verificando que inúmeras vezes a forma (a eloquência linguística, o conhecimento teológico, o demonstração de intelectualidade) embala um conteúdo herético, antibíblico cuja serventia é a destruição da fé verdadeira e simples como o é o evangelho de Jesus Cristo. Os filósofos epicureus e estoicos de Atenas, achando-se sábios, chamaram a Paulo de tagarela! “... Que quer dizer esse tagarela?...” (At 17.18). Mas o apóstolo tinha uma razão: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo, para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1Co 1.26-29). Amém!

Ev. Izaldil Tavares de Castro

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