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segunda-feira, 25 de maio de 2015

MISSÃO DE PAZ, MESMO?


A palavra paz, em princípio, pode assumir o sentido de concordância; pode expressar uma situação em que não há contrariedade, oposição de interesses, conflito, bipolaridade. Dessa forma, à primeira vista, esse conceito parece satisfazer; por isso, somos inclinados a entendê-lo como a expressão pura e simples do pacto entre as partes.

Por outro lado, se é incompreensível a experiência da paz, sem a experiência da indisposição, do conflito, da guerra, deve-se entender que o contexto da paz tem como precedente o contexto do desacerto, da discordância.

Caso se considere a noção de paz como a mera ocorrência da concordância, facilmente se verificará que nem sempre isso é interessante em favor da verdade. Jesus, admoestando os seus discípulos - os doze - preparou-os para uma missão conflituosa relativamente aos conceitos que vigiam à época. Aqueles homens aguardavam uma situação de paz e sossego; uma condição garantidora de um reino que lhes proporcionasse situação estável.

Entretanto, o Senhor lhes diz: “Não cuideis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra a sua mãe e a nora contra a sua sogra; e assim, os inimigos do homem serão os seus familiares” (Mateus, 10. 34-36).

Jesus veio trazer conflito entre a família? Evidentemente, não. Na fala do Mestre o grau de parentesco representa a sociedade de modo geral: dos mais próximos aos mais distantes.

Mas, como podem ser essas as palavras do Príncipe da Paz, assim nomeado em Isaías, 9. 6? Afinal, os seguidores de Cristo são instrumentos de conflito ou de paz? Onde fica a mansidão que deve caracterizar o cristão? O problema é que não se pode confundir mansidão com aceitação. Há uma oração atribuída a um santo católico, São Francisco de Assis, que diz: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz”. Multidões repetem essa frase; ela tem-se tornado o ponto fundamental das ações do Papa Francisco. Mas vale a repetição: humildade e pacificação não se aliam à conivência ou à concordância. Não haverá verdadeira paz, sem a marca evidente da oposição.

Já está afirmado que é impossível vivenciar a paz antes do conflito. Há que se passar pelo conflito em caminho da paz. Caso contrário, o que há, não passa de concordância. Todavia, convém notar que o Senhor Jesus não foi homem de concordância, mas de oposição aos critérios vigentes no mundo. Se eu pretendo ser “instrumento da paz de Cristo”, devo preparar-me para ser mal recebido, nunca aplaudido. Sou oposição ao mundo; não sou participante de suas imposições.

Perdoe-me o São Francisco e os adeptos de sua paz; porém, a sua declaração não é de paz; senão, de acordo, pacto, concordância, supressão de qualquer conflito, ainda que se prevarique contra a verdade.

Cristo veio trazer incompatibilidade entre a sua mensagem e o interesse humano. Ele veio trazer fogo destruidor da obra maligna sobre a face da Terra. Ninguém limpa um campo sem que sobre o que destruir, queimar; depois disso é que vem a verde plantação. Primeiro a guerra, depois a paz! O mundo atual precisa do fogo trazido pela Palavra de Deus, a fim de queimar o que, provindo da malignidade, destrói o homem. A seu tempo, Deus restaurará a verdadeira paz; não a paz da conivência com o erro.

Em nossos dias, há muitos cristãos propondo uma paz que visa à concordância com os valores deste sistema, justificando que vivemos neste mundo. Vivemos aqui; mas não convivemos com seus pressupostos. Aceitar as propostas do sistema corrompido pela maldade não é paz; é conivência.

A verdadeira Igreja de Cristo não vive a “paz que o mundo dá”; vive aquela que deixou o Senhor: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá...” (João, 14. 27a). Que diferença há entre a paz de Cristo e a paz que o mundo dá? Enquanto a paz de Cristo dá a certeza da retidão, a paz do mundo estabelece a relação de conivência, a relação de conformidade. O apóstolo Paulo roga: “E não sejais conformados com este mundo; mas, sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos, 12. 2).

Grande diferença! A paz de Cristo é a paz “na” guerra, é a paz da convicção da verdade que deve entrar em oposição à maldade do diabo, no qual jaz o mundo. “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno” (1João 5.19).

Portanto, ao cristão não interessa a “paz-acordo” a “paz-conivência” com o status quo deste sistema perverso. Não é essa a nossa missão de paz. Primeiro a devassa no erro; depois, a paz do Senhor Jesus.

Ev. Izaldil Tavares de Castro.

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