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terça-feira, 5 de maio de 2015

CAROLICE EVANGÉLICA

Desde tempos bem antigos, o catolicismo romano deu asas a um comportamento em que seus fiéis mostravam-se extremamente ligados à Igreja de Roma. Tudo era feito para criar uma barreira entre os adeptos da religião papal e os demais cidadãos. Chegava-se mesmo à perseguição e à agressão: apedrejamento de igrejas evangélicas, “bulling” nas escolas, entre outras formas de discriminação.

Sendo o Brasil uma terra “achada” por portugueses, um povo extremamente católico, evidentemente a primeira estrutura religiosa aqui implantada foi a católica romana. Padres portugueses para cá vieram com a missão de “catolicizar” a gente brasileira.

Mais tarde, como resultado da Reforma Protestante, de 1517, por aqui aportou o protestantismo europeu. Surgiram, então, as igrejas protestantes. Instalava-se, assim uma dicotomia religiosa em terras brasileiras.

Bem mais tarde, este solo recebeu o Movimento Pentecostal, por volta de 1910. O resultado é um cristianismo triangular: igreja católica, igrejas reformadas e igreja pentecostal. Das três vertentes, a mais perseguida foi a igreja pentecostal, pois sofreu discriminação por parte das duas outras.

Até aproximadamente 1960, a discriminação era bem perceptível; o que não quer dizer que hoje já não se discrimine.

Não resta dúvida de que a mãe dessa discriminação litúrgico-religiosa é a Igreja Católica Romana, e ela deixou filhotes entre os cristãos evangélicos. Hoje, é possível identificar facilmente esse odioso comportamento no âmbito pentecostal.  Os fiéis à Congregação Cristã no Brasil costumam negar aos assembleianos o tratamento de “irmãos”: para eles, somos “primos”!

Entretanto, mais grave é a discriminação dentro da própria casa assembleiana. A tal distribuição administrativa, chamada de “ministérios” tem-se tornado o centro do separatismo. Não nos interessa apenas saber que o irmão é assembleiano: queremos saber a que “ministério” ele está ligado; então, dependendo da resposta, podemos torcer-lhe o nariz. Afinal, ele não pertence ao nosso “ministério”.

É a esse comportamento retrógrado que chamo de “carolice evangélica”.

A igreja que estava em Corinto nutria esse mesmo espírito entre seus membros. O apóstolo Paulo exortou-a severamente por  tal prática:

“Rogo-vos, porém, irmãos pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, (que) sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1Co 1.10).

Infelizmente, a divisão ministerial das Assembleias de Deus no Brasil tem sido fator de incalculável prejuízo em diversos aspectos. É necessário notar que esse comportamento eclesiástico faz crescer a rotatividade de membros entre as igrejas (o que para alguns é aspecto importante). No entanto, essa mesma rotatividade se justifica, por exemplo, pela recepção de membros em situação irregular em seus ministérios de origem – o que também parece representar “vantagem” para alguns ministérios receptivos.

Não há necessidade de se discorrer sobre os inúmeros prejuízos que tudo isso tem causado à propagação do evangelho, uma vez que o mundo secular não compreende essas ocorrências, apenas vê uma colcha de retalhos religiosa. Esse é um dos motivos por que pastores são achincalhados como homens interessados em dinheiro – e isso, infelizmente – quase sempre é uma verdade, alimentada pela “carolice evangélica”.

A “carolice evangélica” é também responsável pela construção de mitos, chamados de “grandes homens de Deus”, isso é, pregadores que se tornam “famosos” por seus discursos propensos a agradar a uma plateia distante da verdade bíblica.

Claro que este texto não reformará a Igreja Evangélica Assembleia de Deus, mas, sem dúvida, servirá para que cada leitor assembleiano fique alerta contra a “carolice evangélica” e entenda que a Igreja Triunfante foi instituída pelo Senhor Jesus (Mt 16.18); não tem inscrição nos órgãos do Estado, não tem posição geográfica, não tem liderança humana. A Igreja Triunfante é formada de quantos têm o seu nome escrito no Livro da Vida e é dirigida pelo Espírito Santo. Nela, contam-se os remidos pelo sangue de Jesus (“Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” João 1.29), arrolados à Igreja Militante. A Igreja Triunfante é pura, intocável.

Na terra, essa Igreja pura se representa pela Igreja Militante, formada por nós, homens imperfeitos, mas salvos pelo sacrifício da cruz. Os salvos procuramos atingir a perfeição que se completará no Dia do Senhor, quando estivermos com ele em glória.

Essa Igreja Militante tem seu aspecto material, seus deveres para com o Estado e suas leis. É administrada por homens escolhidos pelo Senhor:

“Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.11-13).

Assim, entre nós não há lugar para a “carolice evangélica”, desde que tenhamos a exata compreensão de que a Igreja do Senhor está espalhada por todo o mundo, independentemente de qualquer que seja o vínculo material a um ou a outro ministério. Somos um, em Cristo. Amém!

2 comentários:

  1. Caro professor Tavares, graça e paz.

    Excelente texto.
    A carolice evangélica é o grande absurdo da igreja brasileira. Em meios à gritos, pulos e promessas, vinda exclusivamente da parte desses "Grandes Homens de Deus", surgem cada vez mais igrejas dispostas a dar continuidade à Carolice evangélica, infelizmente.
    Bom, continuemos, firmes e fortes, combatendo o bom combate.

    Deus seja louvado.

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  2. Prezado,

    Infelizmente, a entidade maior da Assembleia de Deus no Brasil, a CGADB, pouco ou nada tem feito no quesito. Como ministro assembleiano deveria ser recebido em qualquer igreja da denominação, acompanhado de carta e cartão, mas em muitas nem apresentados somos. Conheço um secretário da entidade que não pode ir a outra Assembleia de Deus dentro do próprio estado onde atua.

    Abração!

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