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sexta-feira, 3 de abril de 2015

POR QUE IMITAR A PAULO?


Qual será a nossa reação, caso alguém sugira que nos tornemos seus imitadores? Não! Não aceitamos que um homem tenha a pretensão de se tornar nosso modelo de vida e de ação. É até possível que nós próprios escolhamos nossos modelos para imitação; todavia, permitir que o próprio indivíduo se apresente como tal é um grande absurdo! Afinal, não servimos a homens, mas a Cristo. Jesus é o nosso modelo. Será esse um raciocínio correto, relativamente ao que diz algumas vezes o apóstolo Paulo?

Para bem compreender o assunto, é necessário verificar que todo processo de comunicação prevê uma mensagem, a qual se consolida por alguma forma de linguagem (mormente oral ou escrita, para o caso em pauta).

Entendendo-se, pois, a linguagem como um sistema de códigos, estabelece-se a necessidade de uma (correta) leitura. Exatamente no ponto da leitura é que, geralmente, nascem as dificuldades para a boa compreensão da mensagem. O impasse entre a mensagem e sua captação recebe o nome de ruído. Entre outros ruídos que ocorrem na recepção de uma mensagem, há grande incidência dos problemas chamados, um, de redução, e outro - seu oposto - de extrapolação.

Entende-se por redução a leitura parcial, que não observa, em sua totalidade, a carga informativa do texto. O leitor contenta-se com uma parte do conteúdo, sem verificar toda a extensão do significado do texto. Por outro lado, a extrapolação consiste nos acréscimos que o leitor insere à revelia do texto. Geralmente a extrapolação resulta de um deslize de lógica textual, que normalmente chamamos de “achismo”.

É muito grande a incidência dos problemas aqui levantados, no âmbito da má exegese (se é que pode existir má exegese!) dos textos bíblicos. Isso ocorre porque muitos “pregadores” não se preocupam com o estudo sistemático da Bíblia, contentando-se com partes e partículas extraídas do texto e manipuladas a seu bel-prazer.

Tais pregadores representam bem as reuniões domiciliares de antigamente, quando cada pessoa retirava de uma famigerada “caixinha de promessas” um versículo “profético”. Lembra o velhíssimo realejo das praças. Também não é raro ainda hoje encontrarem-se “quadrinhos” com versículos bíblicos nas paredes de muitas residências: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”, como um talismã ou um pé de coelho da sorte.

A Bíblia explica a Bíblia e a justifica. Sem estudá-la com coerência, disciplina, sistematização e, acima de tudo, oração em comunhão com Deus, o resultado pode ser nulo ou desastroso.

No início deste texto parece que faço alusão a um posicionamento vaidoso do apóstolo Paulo, quando conclama, em mais de uma de suas cartas, os leitores para imitá-lo. Parece uma ousadia sem tamanho. Seria Paulo o modelo de perfeição? Como pode o apóstolo interpor-se como protótipo dos imitadores de Cristo, afirmando: “Tornem-se meus imitadores como eu o sou de Cristo.”? Por acaso, ele não poderia chamar-nos apenas para sermos imitadores de Cristo?

Essas apreciações foram buscadas fora do texto. Implicam redução, pelo fato de se fazer uma leitura (parcial) apenas do primeiro versículo do capítulo 11, da primeira carta aos Coríntios. Além disso, ocorreu, também, a extrapolação: considerar-se o apóstolo um orgulhoso, com um ensino recusável. Sem dúvida, uma conclusão falha e incompatível com o texto.

Para compreender-se a recomendação paulina é necessário um bom estudo de toda a carta aos coríntios; um levantamento da situação daquela igreja e da intenção do escritor quanto a ela.

O apóstolo trata com uma igreja apegada a modelos humanos, seja pela doutrina, seja pela eloquência que tanto apreciava. Por isso ele, erudito que era, despe-se de sua sabedoria (1Co 2:1-5). Acrescente-se, ainda que um estudo acurado de todas as cartas de Paulo revela um apóstolo dedicado ao serviço, ao ensino, à construção de uma igreja que tenha a Cristo como modelo; “... portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados; vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus” (Ef 5: 1).

Enfim, minha intenção é que este texto produza em cada um de nós um vivo interesse para a compreensão do que nos transmite a Palavra de Deus, rejeitando as fábulas criadas por homens que não levam em consideração a totalidade do conteúdo da Palavra de Deus; porque alguns se valem de conceitos extrabíblicos, buscados em seu vão conhecimento; e outros, em sua total insipiência bíblica. Ensina o apóstolo:

“Partindo eu para a Macedônia, roguei-lhe (a Timóteo) que permanecesse em Eixo para ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé.” (1Tm 1: 3-4). Convém que cada crente se ajuste a um culto a Deus e à compreensão de sua Palavra de modo racional, com renovação do entendimento e consequente sabedoria espiritual (Rm 12: 1-2).

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