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terça-feira, 7 de abril de 2015

CRENTES NANICOS


“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2. 14).

“Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo...” (1Co 3. 1).

 

Em outra ocasião já afirmei que a Bíblia é, de modo especial, o livro do raciocínio. Assim creio, porque tenho certeza de que Deus não deixa de solicitar do homem aquilo que ele mesmo lhe deu; neste caso, a prática do raciocínio. Em Romanos, 12. 1-2, o apóstolo Paulo menciona o “culto racional” e a “renovação do entendimento”, isso são atividades da inteligência, do raciocínio.

O catolicismo romano, considerando-se herdeiro e intermediário dos mistérios divinos, impediu os seus fiéis de aplicarem os ensinos de Paulo, mantendo-os a distância do conhecimento: criou religiosos raquíticos, subnutridos e mesmo enganados. Todavia, os males provindos de Roma nessa área não ficaram circunscritos à liderança papal. Mesmo as igrejas evangélicas parece terem bebido da mesma água.

Uma das grandes preocupações notadas nas cartas de Paulo refere-se ao amadurecimento cristão. De acordo com ele, o cristão deve crescer até alcançar a “estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4. 11-15). Por que, então, tanto crente nanico?

No âmbito da igreja pentecostal, o fenômeno do baixo crescimento da inteligência espiritual (Cl 1. 9) é facilmente explicável. Embora não haja uma estatística, é bem fácil perceber que os cristãos mais antigos experimentaram um crescimento mais intenso na experiência evangélica. A razão disso foi o seu interesse pelo estudo bíblico. As igrejas mantinham as suas Escolas Bíblicas Dominicais frequentadas pela totalidade dos membros. Além dessas classes dominicais, havia os chamados “cultos de doutrina”, os quais, ainda que disseminando, em alguns lugares, muitos ensinos desnecessários, buscavam nas Escrituras Sagradas subsídios para o caminhar e para o crescimento no evangelho.

Hoje são outros tempos, principalmente nas igrejas cuja frequência se compõe de uma classe média mais voltada para os seus deleites dominicais. Para esses, basta ir ao templo nos domingos à noite, para ouvir boa música, rever os amigos semanais e depois comer uma “pizza” com meia dúzia de amigos mais chegados. Que compromisso com a Palavra de Deus se nota nesse modo de viver? Que crescimento da inteligência espiritual acontece nisso? Nenhum, evidentemente.

Os crentes de nossos dias assemelham-se a alguns alunos que tenho encontrado em meu trabalho. Eles costumam dizer-me que estão desatualizados, porque concluíram seus estudos há muito tempo, e nada mais estudaram! Há crentes que “leram” a Bíblia há muito tempo: estão desatualizados!

O salmista dá um belo testemunho de sua comunhão com a Palavra de Deus: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação todo o dia!” (Salmo 119. 97).  Outro salmo dá também um conselho: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios,... Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmo 1. 1-2).

Assim, a igreja cuja liderança não está voltada para a disseminação do “estudo bíblico” torna-se uma maternidade de nanicos espirituais. A igreja que não trata do fastio bíblico entre seus membros pode até incorporar (e incorpora) a cada dia mais membros, uma vez que anões da Palavra amam as festas, as cantorias, as pregações que massageiam o ego, as declarações de bênçãos, além das promessas de “toda sorte de bênçãos”.

Se um ministro evangélico quiser uma igreja famosa, rica, repleta de membros, prontos para todos os eventos festivos, basta que copie os métodos neopentecostais de colheita; mas, jamais reúna o seu povo para um curso sério (sem espetáculos gospel) sobre a Bíblia. Jamais chame para o seu púlpito um preparado ensinador das Escrituras. E, por fim, jamais incentive o hábito da oração. Nunca se importe com o fato de que uma parte de seus irmãos só chegue ao templo na hora do início do culto e outra parte, sempre depois do início. Eis a receita para formar uma igreja fora dos padrões bíblicos orientados pelo apóstolo Paulo: uma igreja de nanicos carnais.

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