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terça-feira, 24 de março de 2015

AMOR OU CONIVÊNCIA COM O ERRO?


Certas passagens bíblicas, diante de uma leitura precária, desatenta do contexto, parecem entrar em choque com outras. Nos versículos seguintes, tem-se que o crente deve manter-se separado do descrente e, conforme o trecho do primeiro salmo, o homem que assim procede é feliz, abençoado:
“Bem aventurado é o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda de escarnecedores” (Salmos 1.1).
Neste segundo trecho, da Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo discorre sobre a necessidade da total separação entre o crente e o descrente:
“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto, que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou, que comunhão entre a luz e as trevas? Que harmonia há entre Cristo e o Maligno? Ou que união do crente com o incrédulo? [...] Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos...” 2 Coríntios, 6.14-17).
Por outro lado, há muitos relatos nos Evangelhos, apresentando Jesus entre homens pecadores. Veja-se o trecho relatado em Mateus:
“E sucedeu que estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos.” (Mt 9.10).
Esse episódio chocou tanto, que os fariseus logo o criticaram como se lê no versículo seguinte.
Parece que estamos diante de trechos bíblicos contraditórios.
É comum às pessoas apoiar-se numa expressão muito frequente: “Deus odeia o pecado; mas ama o pecador”. Isso é fato. Entretanto, a má interpretação tem causado grande dano; porque, por “amor ao pecador”, muitos vivem tranquilamente rodeados de quem não tem qualquer interesse na correção de seus erros. Vai-se amando o pecador que permanece mergulhado em seus pecados, a caminho do inferno.
Não foi essa a atitude de Jesus. Ele esteve à mesa com pecadores, sempre andou entre pecadores e declarou que os que têm saúde não precisam de médico. Ele fora o médico entre os doentes; mas não foi parceiro deles. Andou com os maus até ao ponto de ter sido crucificado entre dois ladrões. Jesus não se esquivou dos pecadores, por amor a eles, Jesus estava preocupado no resgate daqueles homens; não, na convivência pacífica com as más obras deles.
No episódio da crucificação, dois ladrões ladeavam o Mestre. Ele amava a ambos e poderia salvá-los do inferno; entretanto, apenas um buscou arrependimento no magnífico momento de convívio com Cristo. Que distância os separava do Senhor? A mesma, lado a lado. Jesus os amava a ambos; mas apenas um o reconheceu como salvador.
O salmista mostra que o homem que não se ajunta com os malfeitores é feliz, bem-aventurado. Pode-se acrescentar que essa felicidade também está em ser exemplo do bom comportamento. Está em ser luz nas trevas.
O apóstolo Paulo recomenda que o cristão perceba que está em posição diametralmente oposta à do não-cristão; por isso, não há concordância entre as partes. Luz e trevas não se ajuntam. Então está proposta a inimizade? Obviamente não!
A recomendação apostólica é que haja compreensão de que a maneira de vida dos infiéis não pode contaminar a maneira de vida dos fiéis. O próprio Senhor Jesus orou ao Pai, pedindo que os fiéis fossem preservados do mal, e não do mundo em que vivem (Jo 17.15).
Viver entre os infiéis não significa endossar ou ignorar sua conduta, em nome do amor; pois, consentir naquilo que é errado não é demonstração de amor. Portanto, é engano achar que aquele que aponta o erro, que põe às claras ao pecador a sua ação pecaminosa é alguém a quem falta amor. É necessário discernir a diferença entre amor e conivência com o erro.
A falta desse entendimento vem trazendo enormes prejuízos ao ambiente cristão. Por “amor”, pastores não corrigem os erros de seu rebanho; por “amor”, pregadores açucaram suas pregações, apaziguando os conflitos gerados pelo erro. Por “amor” a miscigenação pecaminosa vai acontecendo impune. Há poucos companheiros para João Batista, que pregava no deserto gritando “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 1.2). Há poucos companheiros para Pedro, que disse a respeito de Cristo aos judeus que observaram a ocorrência do Pentecoste, em Jerusalém: “... sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos...” (At. 2.23). Há poucos companheiros para Paulo, que se dirige aos Gálatas: “ó, gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus exposto como crucificado?” (Gl 3.1). Há poucos profetas para o nosso tempo.

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