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terça-feira, 11 de novembro de 2014

VAMOS ORAR OU ME TIRA DESSA?

 O evangeliquês tem peculiaridades bem interessantes. Trata-se de uma linguagem que, por sua natureza, ama os eufemismos, as sutilezas, ainda que irônicas. Não é um linguajar pontiagudo, em forma de seta; é macio, educado, caprichoso; mas experto (com x mesmo!) em dar tapa de luva. É muito fino e interessante.
Além disso, o evangeliquês é uma gíria milenar, em grande parte formada pela própria linguagem clássica apresentada nas mais respeitadas traduções da Bíblia. É também por isso que traduções mais livres, mais secularizadas não passam de grotescas adaptações, absolutamente rejeitadas nos melhores meios eclesiásticos e teológicos. Para entendê-lo é necessário ser evangélico ou conviver com evangélicos. Os "de fora" não dominam essa linguagem tão característica e, bem por isso, volta e meia, encontram-se jornalistas em apuros, ao aproximarem seus teclados desse modo de expressão.
Uma dessas sutilezas foi-me despertada hoje, num post do pastor e amigo de primeira, Genivaldo Tavares Melo. Disse-lhe que ainda hoje mencionaria o tema. Eis-me aqui.
Crente sabe sair à francesa de uma situação que não lhe agrade. Quando instado a opinar sobre o que não quer, logo diz: É irmão, precisamos orar! Se está em suas mãos decidir algo que outro queira realizar; mas de que ele discorde, não recusa claramente a aprovação; com suavidade diz: É irmão, vamos orar a respeito disso.
Claro que, às vezes, a intenção é de que se busque a Deus com vistas ao assunto. Nesse caso, há uma entonação que o interlocutor entende, de fato, a solicitação.
Refiro-me, porém, a tantas outras vezes, em que a intenção é outra! Aí, o "vamos orar" serve de expediente para adiar, não deixar acontecer, desestimular algo que não se pretender ver realizado.
Já vi inúmeros casos de pedidos de casamento, ocasião em que o pai da noiva brecou o rapaz: Irmão, vamos orar a respeito disso! Aliás, já vi a própria pretendida ganhar tempo, dizendo para o rapaz: Estou orando...
Pois é, coisas do evangeliquês: quem diz que grande parte desse "vamos orar" não se traduz por "me inclui fora dessa"?
Izaldil Tavares de Castro.

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