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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

PALAVRA FIEL


Porque assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca, ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei.” (Is 55:10-11).

Introdução

            O homem que põe a serviço de Deus tudo quanto o próprio Deus lhe deu torna-se uma grande bênção. O texto de Isaías mostra — além da inspiração profética, pois fala sob a unção do Espírito do Senhor — uma admirável beleza de linguagem. Isaías foi preparado intelectualmente; era historiador, escritor e poeta. Depois de ser escolhido para trazer as mensagens do Senhor, usou o seu preparo para fazer a obra.

            Os profetas do Senhor podem estruturar de duas maneiras a mensagem, pela qual se responsabilizam: podem usar o discurso direto ou discurso indireto.

            Chama-se discurso direto a técnica em que a mensagem é enunciada em primeira pessoa, isto é, o próprio Senhor fala com o seu povo: as palavras empregadas vêm diretamente da boca do Senhor. O discurso indireto se estrutura em terceira pessoa, como se fosse uma interpretação da mensagem. O profeta tem o assunto inspirado por Deus e usa sua própria linguagem, seu falar costumeiro para entregá-lo. Não raramente, ocorre a mistura das duas formas no mesmo texto; o que dá respaldo à fala do profeta. (Is 3.1-3; 4). Por esta causa uma profecia não pode ser julgada pela “qualidade” da linguagem! Muitas pessoas iletradas trouxeram, com seu linguajar precário, importantes mensagens do Senhor.

            As profecias expressas em discurso direto, geralmente iniciam com a seguinte frase: “Assim diz o Senhor...” Veja-se, por exemplo, o início do capítulo 43 de Isaías: “Mas agora, assim diz o Senhor, que te criou, ó Jacó, e te formou, ó Israel: ...” Nessa introdução ao versículo é o profeta quem anuncia a mensagem que virá expressamente de Deus: “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome; tu és meu.”

            Se a mesma mensagem fosse transmitida por um discurso indireto, o profeta diria: “Mas, naquela hora, o Senhor que te criou, ó Jacó, e te formou, ó Israel, disse para não temeres, porque (ele) te remiu; chamou-te pelo teu nome; tu és dele”. Não é difícil perceber que a mensagem direta é muito mais contundente! Deus é Sabedoria! Glória ao seu Santo Nome!

A mensagem em Isaías 55:11.

            Esse é um dos trechos da Bíblia que mais transmite segurança, tranquilidade e paz ao coração do crente. Todavia, não deixa de ser grave exortação. Trata-se de uma mensagem que se aplica a um amplo contexto.

            É costume invocarmos a passagem, para responsabilizar o fruto do trabalho evangelístico. Se o Senhor afirmou que sua Palavra não lhe voltará vazia, a responsabilidade do cumprimento é exclusivamente dele. Esse posicionamento pretende isentar-nos de responsabilidade. Entretanto, Deus não fez o homem para livrá-lo de responsabilidades. O Senhor não é um pai superprotetor, que isente seus filhos de qualquer encargo. Não nos esqueçamos de que, ainda que o Senhor Jesus tenha pedido ao Pai o livramento, essa atitude evidencia o exemplo de que a vontade do Senhor Todo-Poderoso é irrevogável. O Senhor decidiu que a missão seria cumprida. E o foi. Deus virou o rosto ao próprio Filho, por causa de nós. Ele não muda a sua Palavra! Somos feitos à sua imagem, conforme a sua semelhança; por isso, temos também trabalho a executar e contas a prestar a ele!

            A Palavra não volta vazia para o Senhor, não só porque traz os efeitos que esperamos: dela vêm bênçãos; mas, não volta vazia, porque deixa sobre nós uma responsabilidade inegável.

Mensagem de conforto

            A porção da Palavra a que nos referimos foi enviada ao povo de Israel, como confirmação da promessa feita no Éden (Gn 3.15). Um pouco antes do trecho estudado, o profeta prediz a vinda do Salvador: “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi e a vossa alma viverá; porque convosco farei um concerto perpétuo, dando-vos as firmes beneficências de Davi.” (Is 55.3). Deus prometera, lá no Jardim do Éden, a vinda daquele que esmagaria a cabeça da serpente. Passaram–se os séculos e Israel permanecia à espera do seu benfeitor. O povo é constantemente repreendido a não duvidar das promessas, mas o homem é falho e necessita de ser alertado. A longanimidade de Deus fica revelada nas Escrituras, como se vê no capítulo 50 de Isaías. O Senhor, além de reiterar o seu compromisso para com Israel, revela a imensa compaixão pelos gentios, quando diz: “Vinde todos os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”.

            Os gentios não têm dinheiro, não possuem garantia, não têm promessa de resgate; não têm crédito. Só a misericórdia os salvará! Então o Senhor diz: “Vinde, ainda que não tenhais dinheiro, não há preço estipulado para vós: o que há é misericórdia”. A benignidade do Senhor trouxe a nós, os gentios, o resgate pela morte de Cristo Jesus. Em Cristo bebemos da água da vida, por ele recebemos a adoção de filhos. É por isso que rios de água viva correm do nosso ventre! Isto quer dizer que multiplicamos os rios de águas vivas! A Palavra do Senhor não lhe volta vazia! Aleluia!

Mensagem de responsabilidade

            Se, por um lado, a mensagem trazida por Isaías é confortante, confirma a fidelidade de Deus quanto à sua benignidade, coloca, também, em nossos ombros a responsabilidade pelo desempenho da obra. É, hoje, nossa obrigação fazer que a Palavra não volte vazia. Fomos chamados pela Palavra para trazer frutos. Diz a Bíblia que nós somos as varas enxertadas na videira verdadeira, a fim de darmos fruto. Caso tal não aconteça, há punição! (Jo 15.1). A Palavra é espada de dois gumes. As páginas sagradas registram bênçãos, porque entregam apoio na dificuldade. (2 Rs 6. 5-6); cura na doença. (2Rs 20.5); alimento na fome. (1Rs 17.12-15).livramento na perseguição. (At 5.19-20). vitória na luta. (2Rs 19.35). São páginas de bênçãos!

            Por outro lado, a Bíblia não omite a responsabilidade dos homens. (Rm 11.22). Há inúmeros registros bíblicos que não omitem a severidade de Deus. Ainda que o Senhor tenha feito o homem com carinho especial, fazendo-o à sua própria imagem, em conformidade com a sua semelhança, não o poupou da pena por causa do pecado. Deus não releva atos pecaminosos. Os israelitas que murmuraram no deserto sofreram o castigo e o próprio Moisés foi punido pelo Senhor. Página após página, do Antigo ao Novo Testamento, a Bíblia relata a bondade e a severidade de Deus. A Palavra do Senhor não volta vazia! Glória ao seu nome eterno!

Conclusão.

            A linguagem de Deus é linda e perfeita tanto no conteúdo quanto na forma de expressão. (Sl 18.30; Sl 33.4). Vale muito o amor e a dedicação ao texto sagrado. (Sl 119.97). A Bíblia é linda! Quanta beleza e profundidade há em cada página! (Rm 11.33). É também maravilhoso perceber que o Senhor usa a capacitação que dá aos seus servos para a expressão de suas indizíveis grandezas. Em Isaías, observa-se a linguagem poética exuberante, por meio da qual o profeta nos entrega a mensagem. É gratificante perceber pelo texto que a chuva e a neve, vindo sobre a terra, não deixam de fazer o papel a que se destinam. Os eventos da natureza cumprem irrestritamente os desígnios de Deus. Bom seria que assim todos os homens agissem. A figura de linguagem expressa no versículo deixa suficientemente claro que todos os desígnios do Senhor são executados. O Altíssimo diz: “Assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz...”. 

            O Senhor Jesus determinou aos seus discípulos, antes de subir ao Céu: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...”. (Mt 28.19-20). A ordem do Mestre inclui ensinar tudo quanto ele mandou! Só ensina quem aprendeu. O Senhor disse: “Aprendei de mim...”. A ordem é explícita; devemos, então, cumpri-la, para que não sejamos responsabilizados. A palavra do Senhor, necessariamente, cumpre o que propõe: bondade: se cumprirmos fielmente o seu mandado; severidade, se nos descuidarmos de tão grande salvação. (Hb 2.3). Amém.
Izaldil Tavares de Castro.

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