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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

ORAÇÃO

                                                                                                                                         
   Orai sem cessar (1Ts 5.17).

Que é oração?

Oração é o ato consciente e voluntário de se buscar relacionamento com Deus, a partir da atuação do Espírito Santo. A oração nasce no desejo de comunhão com Deus; esse desejo é inspirado pelo Espírito Santo. Para orar é necessário que se dê lugar à obra do Espírito. O homem natural não tem desejo de orar, porque nele não há a obra do Espírito Santo, uma vez que está morto para com Deus (mortos não têm vontade nem consciência). O homem natural não abre espaço para o Espírito atuar, enquanto não ouvir a Palavra de Deus, ato, através De que lhe vem a fé.

“E, assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo”.( Rm 10.17)                      

 

Como se manifesta a oração?


A oração se manifesta por meio da linguagem verbal, isto é, vale-se das palavras, as quais expressam o “dizer” da alma. Palavras constituem um mecanismo dado por Deus para que o homem possa dirigir-se aos semelhantes e, por misericórdia, ao próprio Senhor de todas as coisas, o Deus Supremo.
O crente precisa ter palavras boas; deve ser pessoa de vocabulário nobre. É necessário atentar para essa condição, como imitador de Cristo. Registra o salmista Davi: “As palavras do Senhor são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes”. (Sl 12.6). Adiante, diz: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu”. (Sl 19.14). Eis uma preocupação que não se pode abandonar.
O homem adquire e desenvolve a linguagem verbal na convivência social; e é sabido que os homens, todos, estão inseridos numa sociedade apodrecida. Assim, a tendência humana é adquirir todos os hábitos corrompidos que tal sociedade tem, inclusive os de expressão verbal.
Moisés foi instruído na ciência do Egito: era, por sua formação palaciana, um doutor. Ainda que fugira pelo deserto durante tanto tempo, conhecia o idioma egípcio, além do hebraico de sua época, mas conhecer bem um idioma não dá credencial de um falar purificado. Além disso, sem dúvida, ele não passou o tempo todo isolado, absolutamente só: teve convivência, e isso contamina. Provavelmente, Moisés estava contaminado com uma linguagem impura e mundana. Diante do Senhor ele reconheceu: “[...] sou pesado de boca e pesado de língua”. (Êx 4.10). Isaías, também instruído, achou-se homem de lábios impuros. (Is 6. 5).
Enquanto o homem for pesado de boca ou pessoa de impuros lábios, não poderá orar, exceto para — reconhecendo sua falha — pedir misericórdia de Deus. Tiago instrui: “Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” (Tg 3. 11).
               Estamos incluídos nessa condição pecadora; portanto, peçamos para que o Senhor, por seu Espírito Santo, selecione as nossas palavras; que ele nos dê um vocabulário santificado, a fim de que nossas orações realmente expressem aquilo de que nosso coração está cheio.
               Embora eu não tenha o hábito das palavras feias, o Senhor tem-me feito orar, pedindo palavras do vocabulário dele, pois só com elas devo me dirigir ao Excelso Benfeitor. As línguas estranhas, dadas pelo Espírito Santo, são, em muitos casos, a expressão do vocabulário divino! Por isso devemos orar em línguas estranhas, desde que sejam dadas pelo Espírito. Línguas estranhas não devem ser desperdiçadas a todo instante e em qualquer situação. É uma fala especial com Deus; portanto, exige temor e reverência. “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hb 12:.28-29).
              Às vezes, alguém, inadvertidamente, diz que orou revoltado com Deus. Não orou: ofendeu a Deus! O crente usa palavras boas no seu dia-a-dia e nas suas orações, porque está santificado.

 
Características da oração.

São três as características básicas da oração:
a)     Sinceridade: Sinceridade é a essência de toda atitude que respeita a verdade; opõe-se a fraude. Fraude é a pretensão de tornar autêntico aquilo que não o é. Fraude é hipocrisia, falsidade; portanto, pecado. Se já se peca tanto diante do Senhor, ainda se vai pecar no fingimento da oração? A ninguém interessa o grau de espiritualidade de outrem. Deus conhece a todos e sabe do coração de cada ser humano Muitas vezes, há pessoas que, devido a estarem entre irmãos intensamente abençoados e usados por Deus, procuram agir de maneira a aparentar “o mesmo espírito”, usando um vocabulário “cristianíssimo”, expressando-se em “línguas estranhas”, ou usando trejeitos que aparentem espiritualidade. “Hipócritas! Bem profetizou Isaias a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”. (Mt 15.7-8). Isso é fraude espiritual. É pecado! Ninguém precisa ser igual a outro. Não há necessidade de impressionar a quem quer que seja! A oração precisa ser sincera. “Aproximando-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e lavado o corpo com água pura.” (Hb 10.22).
b)     Cheia de fé: O versículo transcrito acima confirma essa característica da oração: “em plena certeza de fé”. Sabe-se que sem fé é impossível agradar a Deus. Fé é também confiança irrestrita na lealdade, na veracidade de Deus em relação ao homem. Fé é “a certeza de coisas que se esperam; a convicção de fatos que se não veem”. (Hb 11.1).
c)     Feita em nome de Jesus: Tudo quanto faz o crente, em relação a Deus, deve ser precedido de sacrifício, como era determinado pela Lei. Nosso sacrifício foi feito pelo “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele mesmo se fez sacrifício a Deus por nós. (Jo 1.29) O seu sangue nos dá o passaporte para chegarmos Deus. Se não oramos em nome de Jesus, corremos o risco de ouvir a pergunta registrada na Bíblia: “amigo, como entraste aqui?” Lendo o que está registrado sabemos que o intruso foi jogado nas trevas, ele mesmo não tinha prerrogativas para estar ali: precisa do endosso do convite (Mt 22.1-14). O nome de Jesus é a garantia que tem o salvo, para achegar-se ao Pai, em oração.

 
Modos de realizar a oração.

a)     Em particular: Pode-se realizar a oração em secreto. “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que te vê em secreto, te recompensará”. (Mt 6.6). Note-se que o Pai nos atende secretamente. Ele, particularmente, nos vê e nos atende com amor imensurável. Esse estar em secreto com o Pai revela um momento exclusivo, uma audiência especial com Deus. Vem a ser uma intimidade íntima (assim, redundante!) entre nós e o Pai. Ninguém precisa saber de que tratamos.
b)     Em público: Muitas vezes a oração é coletiva, então, é feita em público. Nesse caso, em geral, há um irmão que eleva sua voz a Deus, representando o grupo reunido. Quando isso acontece, cada participante deve estar no mesmo espírito, concordando com a oração do companheiro. Não é ordeiro que o grupo todo se ponha a orar em alta voz, cada um com um objetivo: um ora pela igreja; outro ora por cura; outro ora por emprego. Isso se assemelha a um bando de filhos em volta do pai a querer cada qual uma coisa. É infantilidade. Cuidemos disso!

Os pedidos mais íntimos, nós os fazemos em secreto com Deus. E há resposta! “Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; e os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”. (Is 56.7).

 
Existe uma posição determinada para orar?

Não! A Bíblia manda orar sem cessar e a ninguém seria possível estar sem cessar ajoelhado, inclinado ou posto em pé.  As circunstâncias determinam a posição para falar com Deus. Entretanto, é necessário ter-se o momento para apresentar ao Senhor uma posição física de submissão e humildade. Pode-se orar:
a)     De joelhos: Todo crente deve ter um momento para estar ajoelhado em oração. Ajoelhar-se é demonstrar humilde submissão. Tem que ser um ato voluntário e consciente, provindo da convicção de dependência absoluta. Às vezes, por causa do hábito, as pessoas põem-se automaticamente de joelhos. Melhor é preparar-se, conscientizar-se desse ato. Deve ser criado um momento de pré-oração, talvez obtido com o cântico de hinos de adoração, introspecção e meditação na Palavra. Deus ama a disposição racional, usada para com ele. Veja-se que Salomão pediu sabedoria e a aplicou em seu culto. Paulo recomenda o culto racional. Cada vez que alguém se põe de joelhos a orar está-se humilhando ante a soberania de Deus. Ajoelhar-se é sinal de reverência. “Tendo Salomão acabado de fazer ao Senhor toda esta oração e súplica, estando de joelhos e com as mãos estendidas para os céus, se levantou de diante do altar do Senhor”. (2Re 8.:54).
b)     Prostrado ou inclinado: Prostrar-se ou dobrar-se é assumir a mais humilde das posições. É ir ao pó. Muitas vezes é tal a sensação de necessidade que o ajoelhar-se não é suficiente demonstração de dependência do Senhor. O próprio Senhor Jesus, em grande angústia prostrou-se: “E, adiantando-se deles um pouco, prostrou-se em terra e orava, para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora”. (Mc 14:.25). Outra não pode ser a posição daquele que reconhece a sua pequenez e a grandeza de Deus.
c)     Em pé: Pode-se orar em pé, ereto, como em posição de sentido, de atenção diante da Autoridade Máxima, o Senhor Deus. Essa posição é também de reverência: “Voltou, então, o rei o seu rosto e abençoou toda a congregação de Israel, enquanto se mantinha toda em pé”. (oração de Salomão) (1Re 8.14).

Nota: Cabe esclarecer que a posição para orar é uma forma de incluir o corpo na relação com Deus. Tal fato não implica que não se possa orar em outras circunstâncias. A Bíblia manda orar sem cessar!

 
Há orações que Deus não aceita.

 Deus não aceita a oração do ímpio. Existem pessoas que vivem no pecado, mas na hora de grande aflição vão buscar socorro em Deus. Elas não o encontram. “Gritaram por socorro, mas ninguém lhes acudiu; clamaram ao Senhor, mas ele não respondeu”. (Sl 18 .41). A oração pelo ímpio deve objetivar primeiramente a sua conversão, esse ato faz parte do amor pelas almas perdidas. Deus ama a toda criatura e por todos os homens enviou seu Filho ao mundo. Faz-se necessário que todo homem compreenda e aceite esse imenso favor de Deus. Só assim estará incluído na apólice que lhe garante as bênçãos. Muitos ímpios procuram os servos do Senhor, a fim de que estes façam uma “oração” pedindo favores do Senhor. Mas é certo que Deus não lhes responde. “Vendo Saul o acampamento dos filisteus, foi tomado de medo, e muito se estremeceu o seu coração. Consultou Saul o Senhor, porém este não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas” (1Sm 28.5-6). Deus não dispensa favor ao interesse do ímpio; então, Saul não foi atendido.        Note-se que depois de ter consultado a Deus, sem resposta, Saul apelou para a feitiçaria.
Para o ímpio, o que importa é uma atividade mística; oração ou feitiçaria têm o mesmo valor. Por isso, eles se desesperam em sua angústia. Imagine-se o exército de Faraó, afogando-se no Mar Vermelho e pedindo o livramento do Senhor! Para o ímpio, a oportunidade de atendimento começa quando ele aceita a Salvação por Cristo Jesus. O homem só penetra no real mundo de bênçãos do Pai, quando aceita a Jesus como Salvador e Senhor de sua vida.
Também não há resposta para quem ora por coisas fúteis, fora da vontade de Deus. “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”. (Tg 4.3). É rejeitada a oração que tenta desestabilizar aquilo que Deus já decidiu. Nenhum homem muda os planos de Deus, embora, o próprio Senhor — e só ele, segundo o seu querer — possa alterar uma situação. Deus rejeita a oração de um povo em pecado. “... Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos, sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue”. (Is 1.15).  “Tu, pois, não intercedas por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei”. (Jr 7.16).
Há pecado para morte; trata-se dos casos que já têm a sentença divina. Isso não quer dizer que Deus seja maldoso e inacessível. Deus só determina o extermínio, depois de ter oferecido todas as oportunidades de reconciliação. Há homens que optaram pelo caminho do Mal. e, por esse, não é recomendada a oração. A oração de Abraão não impediu a destruição de Sodoma e Gomorra. “Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Matarei os seus filhos...”. (Ap 2.21-22). A punição divina, nesse caso, é irreversível. Leia I João, 5.16.

Há diferença entre oração e súplica?

                Suplicar consiste em buscar com fervor e insistência uma resposta. Geralmente a súplica é feita em situação extremamente aflitiva ou de grande necessidade. Equivale a rogar ou implorar. Trata-se, pois de uma oração com maior intensidade de insistência, fervor e humildade. “Porém, Moisés suplicou ao Senhor seu Deus e disse: Por que se acende, Senhor, a tua ira contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande fortaleza e poderosa mão? Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para os matar nos montes, e para consumi-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo”. (Êx 32.12). “E eis que, dentre a multidão, surgiu um homem, dizendo em alta voz: Mestre, suplico-te que vejas meu filho, porque é o único”. (Lc 9.38).
                As passagens transcritas exemplificam a súplica: são orações que solicitam uma intervenção divina rápida e indispensável. A falta ou a demora de resposta dará a sensação de grande prejuízo.
                É notória a sensação de urgência nessas orações suplicantes. Moisés chega a apresentar argumentos perante o Senhor. Argumentos são todos os expedientes que se podem usar, com a finalidade de justificar um posicionamento ou pedido. Trata-se de um expediente racional. Argumentar que os inimigos poderiam ironizar a saída do Egito foi expediente de Moisés para envolver o Senhor na necessidade do perdão. Também o homem que apareceu diante do Senhor suplicando a expulsão do demônio que acometia o rapaz, valeu-se de um argumento: “porque é o único (filho que tenho)”. Provavelmente, o Senhor Jesus se comoveria mais, ao saber que aquele cidadão não tinha outro filho. As súplicas, por causa de seu caráter de insistência, incluem uma justificativa para o pedido. O texto a seguir transcrito mostra que o profeta Daniel também suplicou, apresentando argumentação:

1)     “...não lançamos as nossas súplicas perante a tua face, fiados em nossas justiças, mas em tuas misericórdias;

2)     ...porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome.”

 

Inclina, ó Deus meu, os teus ouvidos, e ouve; abre os teus olhos, e olha para a nossa desolação, e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face, fiados em nossas justiças, mas em tuas misericórdias. Ó Senhor, ouve, ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age: não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome”. (Dn 9:.24).

                Dessa forma, entende-se que o crente deve levar uma vida de oração e que essa vida de oração consiste num estado de permanente comunhão com Deus. As atividades materiais, diárias de sobrevivência não devem interromper o estado de conexão do salvo com Deus. Além disso, o servo do Senhor reserva tempo em seu dia, para chegar-se ao Trono do Senhor, desligando-se de suas atividades materiais. É o momento em que entra em seu aposento, fecha a porta e entra em oração secreta com Deus. Ali o cristão se abastece da Graça e do Poder para vencer as ciladas com que, sem trégua, o inimigo busca interceptar o trajeto.
                Na condição de salvo, o crente frequenta o templo, onde, em conjunto com os irmãos, ora a Deus em espírito de disciplina e reverência. Chegada uma grave necessidade pessoal ou de um irmão, entra em súplica, como o fizeram Moisés, Daniel, o pai daquele rapaz, e tantos outros.
                Há uma ordem do Senhor Jesus, devidamente argumentada, para que todo crente suplique. Essa súplica ordenada deve ser diária, tanto pessoal como em grupo:

1)     argumento: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas, como ovelhas que não têm pastor”.

2)     ordem: “E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.36-38).

Conclusão.

A oração é uma atividade indispensável a todos os crentes. Quem evita a oração ou a relega a um plano secundário não está em comunhão com Deus. Tal pessoa pensa que vive, mas está morta espiritualmente e sujeita à destruição daquele que veio para roubar, matar e destruir. Quem não ora não sabe o caminho do Céu. Portanto, se há apenas dois caminhos e alguém desconhece um deles, em qual andará? Vale a pena pensar.

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