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segunda-feira, 14 de julho de 2014

A BÍBLIA: UM LIVRO PERIGOSO

É muito estranho que um crente evangélico decida escrever um texto com o título proposto. Pior, ainda, que se prenda a esse tema: a periculosidade do texto bíblico. Em geral, as pessoas aprenderam que precisam amar a Bíblia; então, não ousam olhá-la direto, encará-la. Veem o livro material, físico (as páginas encadernadas) como objeto de reverência e, muitas vezes, como objeto de adoração. Idolatram um material impresso, enquanto criticam a idolatria dos não-crentes.

Muitos dos que a leem não a examinam contextualizadamente, nem estudam o seu conteúdo; porém, destacam versículos ao bel-prazer, porque veem neles uma “mensagem” a que se apegar. Há quem mantenha, em casa ou no ambiente de trabalho, a Bíblia aberta em um dos Salmos!  Não é sem sentido que se tenham, há mais de cem anos, inventado as famosas “caixinhas de promessas”.

Na minha infância conheci crentes que, ao receber uma visita, não a despediam sem que “tirassem um versículo”. Ora, nas caixinhas, todos os versículos são “maravilhosos”, porque são propositalmente selecionados. Assim, fica fácil compreender que não estou praticando nenhuma heresia, mas buscando uma reflexão sobre o assunto.

A Bíblia, o livro em si, é algo material, que se desgasta, torna-se descartável. Em lugar de adorar o livro, em lugar de procurar alguns versículos fora de seu contexto, a fim de satisfazer uma curiosidade ou interesse, o crente deve procurar uma igreja bíblica, em que haja ensino sério. Deve frequentar classes de boas escolas dominicais e, em caso de dúvidas, aconselhar-se com um ensinador crente e preparado para ajudar.

Não é raro encontrar pessoas que usam uma afirmação do apóstolo Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece.”, para se considerar inatingível pelos problemas da vida. Isso é isolar o texto do contexto.

Leia a carta aos Filipenses, 4 11-13. Evidentemente o apóstolo declara sua resiliência às adversidades: pode suportar a fome, o frio, a tempestade ou a bonança, uma vez que está seguro na fortaleza que vem de Deus. Então, ao dizer “posso”, está dizendo “consigo suportar”.

As mídias sociais deste tempo são um poderoso veículo da má interpretação dos textos bíblicos. Recentemente, considerando o conflito israelo-palestino, muitos crentes pedem oração pela “paz de Jerusalém”, apontada no Salmo 122.6. Sobre esse assunto o Pr. Magno Paganelli tem excelente ensino, por isso, é desnecessário que eu opine.

Leio no Facebook a alusão a outro Salmo: “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor.” (Sl 33.12). Ora, é plenamente sabido que Israel foi um reino teocrático, tanto que o versículo não termina onde a maioria das pessoas o concluem: “Bem aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para a sua herança.” (grifo meu).

Evidentemente, o brasileiro não é o povo que Deus escolheu para a sua herança! Logo, torna-se claro que o versículo não alude a nós, brasileiros, mas àquela nação, um Israel teocrático.

Desse ponto de vista é que surgem as placas encontradas à entrada de muitas cidades, informando que o lugar, o município “é do Senhor Jesus”. Toda a Terra é do Senhor Jesus, mas não está, por ora, nas mãos dele. O próprio Satanás ofereceu as grandezas da Terra ao Senhor Jesus, se o Mestre o adorasse. O mundo jaz no maligno, por este tempo. São vãs as afirmações desse gênero, e provam o grande desconhecimento da Palavra de Deus.

Por esses motivos é que chamo a Bíblia de livro perigoso; porque é mal interpretado por pessoas descuidadas de conhecimento, ou mal usado pelos falsos líderes que, em geral utilizam textos buscados no Antigo Testamento, para justificar suas artimanhas malignas. Com isso, desmerecem o sacrifício de Cristo, e instauram práticas que Jesus anulou na cruz do Calvário. Porém, os incautos absorvem esses péssimos ensinos que tornam a Bíblia perigosa.

O profeta Isaías ensina: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono, mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.” (Is 1.3). Não é diferente em nossos dias! Conhecer a Deus é conhecer a Palavra, o Verbo. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (Jo 1.1). “Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor...”! (Os 6.3). Deus ama a sabedoria, exige o conhecimento, porque Ele deu ao homem inteligência. “Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento? Convertei-vos pela minha repreensão; eis que abundantemente derramarei sobre vós o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras.” (Pv 1.23-24).

Sim, a Bíblia é um livro extremamente perigoso para aqueles que não buscam o auxílio divino para a sua compreensão; terrível para aqueles que recortam do contexto histórico trechos que servirão aos seus caprichos; inócuo para os que selecionam mensagens que, à parte, fazem-se massagem para o ego. Iludem-se os incautos procuradores de “maravilhosas” promessas.

É necessário ser bereano, “examinando cada dia nas Escrituras, se estas coisas eram assim”. (At 17.11).

Ev. Izaldil Tavares de Castro.

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