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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

INTERTEXTUALIDADE


Você sabe o que é intertextualidade? Como leitor da Bíblia, é bom saber. Grande parte dos textos bíblicos oferecem bem claramente a intertextualidade. Observe essa duas estrofes:

 

                    1

“Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o sabiá.

As aves que aqui gorjeiam

Não gorjeiam como lá”.

 

                      2

“Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos daqui

Não cantam como os de lá”.

 

O primeiro exemplo é uma estrofe do poema indianista, de Gonçalves Dias, que também compôs outro belo poema de cor indigenista “I Juca Pirama”. O segundo exemplo é um poema do modernista Oswald de Andrade.

A intertextualidade sempre pressupõe o diálogo de um texto com outro que lhe é precedente. Nota-se que, evidentemente, Oswald compôs sob inspiração de Gonçalves Dias; porém, as motivações foram diferentes: enquanto Gonçalves Dias, em “Canção do Exílio”, pretende dar destaque à terra brasileira com suas belezas de flora e fauna, Oswald de Andrade, em “Canto de Regresso à Pátria” assume outra postura: a de ironia em relação a São Paulo e sua “modernidade” dos anos 20. Ambos os poemas contêm versos de sete sílabas, embora haja variação nos ritmos (o Modernismo aboliu a métrica e inaugurou o verso livre). Tratam de um mesmo tema: a ausência da pátria, mas com perspectivas diferentes; o primeiro saudosista, em conformidade com o movimento indianista; o segundo, irônico, brincalhão com quer a primeira geração do Modernismo brasileiro.

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