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sábado, 7 de setembro de 2013

PALMAS NO CULTO?


As atitudes humanas estão diretamente relacionadas a algum estímulo. Tudo provém de uma determinada “necessidade” ou de um inequívoco “interesse”. Dormimos e alimentamo-nos, estimulados por uma necessidade de origem biológica, um estímulo natural, interno. O interesse pela aquisição material é desencadeado por algum estímulo externo, social. A admiração do Belo e do agradável, bem como a repulsa a outras coisas também resultam de estímulos culturais ou intelectuais. O ser humano é conduzido por estímulos.

O homem sempre manifesta as suas reações, independentemente da sua ação verbal; seja pela expressão facial e corporal, através de gestos identificadores de aprovação ou de reprovação. O déspota romano, Nero, decidia a sorte de seus condenados com um gesto que até hoje é empregado para denotar nossa decisão: polegar para cima, ou para baix o. Também aceitamos ou negamos com gestos.

As palmas são outra forma de manifestação corriqueira em nossa época. Toda a população revela apoio, satisfação, concordância por meio do aplauso. A manifestação oposta é a vaia. Políticos são homens imunes a essas reações: com o mesmo sorriso recebem uma ou outra manifestação. Qual a origem das palmas que aplaudem? (Não é redundância: há palmas para chamar a atenção).

Há registros históricos indicando que essas manifestações são observadas há mais de 3000 anos. Talvez mais. Quando os israelitas atravessaram milagrosamente o mar que se opunha à continuação da viagem, Moisés celebrou a Deus com um cântico de louvor. Sua irmã, Miriã, com outras mulheres, saiu a cantar e a dançar (Êx 15.1-22). É praticamente certo que nesses eventos tenha havido palmas. Também registra o salmista: ”Aplaudam com as mãos todos os povos; cantem a Deus com voz de triunfo” (Sl 47.1).

Isso evidencia que as palmas surgiram como forma de exaltação a Deus; é uma forma de cultuar. No decorrer do tempo, essa manifestação religiosa foi absorvida pelos costumes pagãos; então, os homens passaram a receber aplausos (At 12.23). Os mais preeminentes homens foram e são aplaudidos. Todavia, a aceitação - explícita ou não - desse gesto, como exaltação pessoal, constitui usurpação de uma glorificação só devida a Deus.

Por outro lado, assim como as palavras, os gestos se contextualizam. Por isso, palmas que representem aprovação têm seu valor, e seu oposto é a vaia. São válidas palmas que se opõem à vaia! Não são válidas palmas que louvam a homens!

Muitas igrejas, neste século, têm valorizado as palmas em seus cultos. Trata-se de uma manifestação válida ou não? Aceitável ou não? Consideremos.

Evidentemente, o ato, em situação religiosa, só é válido como manifestação de alegria pelos atributos e feitos de Deus. Somente Ele deve ser exaltado, seja com palmas, com danças, com vozes, com instrumentos musicais etc. É necessário, portanto, uma inevitável consciência do ato.

É comum alguém “puxar palmas”, e os circunstantes, de modo impensado, juntarem-se àquele que aplaude. Pode ser que aquele aplauso (louvor) seja de natureza pessoal, particular. A partir disso, alguém poderá argumentar que as demais reações significam concordância. Se o for, é válido! A questão é que não se presta culto impensado. Não se presta culto como quem olha para o alto, no centro da cidade, porque um indivíduo fazia isso. Que sinal de estupidez!

Concluo que o cristão tem que ter, pessoalmente, uma relação direta com Deus, e essa se reúne à mesma relação que têm os demais, formando um só culto da congregação.

O apóstolo Paulo recomenda que a igreja ofereça a Deus um culto racional, com entendimento, com sabedoria e determinação clara de seus atos. Isso não ocorrerá no conjunto de fiéis, se não ocorrer em cada um deles pessoalmente. Pensemos.

2 comentários:

  1. Nobre professor, como sempre, suas matérias são edificantes, contundentes e explicitantes. Muito boa e oportuna. Acredito que - tanto quem estimula o aplauso como quem aplaude - precisa ter consciência de quem se esta aplaudindo. E como o senhor o apelo de Paulo em Romanos 12, nosso culto racional demanda que saibamos o que estamos fazendo. Essa compreensão de nosso "sacrifício vivo, santo e agradável a Deus" abre a porta para que "experimentemos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus". Sejam todas as nossas atitudes no Culto direcionadas ao Único digno de toda honra, toda glória e todo louvor. Só quem pensa, raciocina e reflete presta um culto com esse teor de qualidade. Abraços.

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  2. Parabéns por suas reflexões aqui e no Facebook caro irmão e amigo Prof. Tavares. Um grande abraço!

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