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sábado, 7 de setembro de 2013

O TEMPO E AS MUDANÇAS


É conhecido um dito popular: “O tempo a tudo cura”. Evidentemente, isso não é verdade, mesmo. O tempo a tudo leva ao fim, com cura ou não. Costuma-se dizer, também que os tempos mudam os comportamentos humanos. Mas, acredito que as tais mudanças de hábitos não têm tanto a ver com o critério cronológico; têm mais com a inconstância do caráter humano.

O tempo comporta mudanças; não há mudanças atemporais; mas ele não as faz; comporta-as. Essas alterações, físicas, tecnológicas ou sociais, deveriam ocorrer para aperfeiçoamento do homem, nunca para o seu retrocesso. Vale lembrar que é falsa a idéia de que a senilidade é retrocesso da vida. A tecnologia não é produto do tempo, mas do trabalho intelectual. O homem que viajava em lombo de animal de carga, hoje se locomove em confortáveis veículos. Os navios, que exigiam bandos de escravos a mover os remos, são impelidos por motores possantes. A máquina substituiu o cavalo e o homem no trabalho pesado. Isso é progresso: uma conquista dentro do tempo, não pelo tempo.

Entretanto, a observação emaranha-se, quando se volta para a questão do comportamento humano: tema crucial da Sociologia. Por que os hábitos mudam não é tão difícil aceitar: um bom senso de observação explicará esse fenômeno. A questão é explicar a quebra unilateral de certos princípios que alicerçam uma sociedade, uma entidade, uma família. É essa quebra unilateral que se torna, quando não destrutiva, ameaçadora de tais princípios. Uma mudança consensual redireciona a conduta; a unilateral confunde-a.

Não raro o homem declina diante de força mais intensa; vê inutilidade na continuação da defesa de seus princípios, então, entrega-se ao sabor das ondas. Adota o provérbio que ensina associar-se àquele a quem já não pode combater. Eis aí a derrota. Os princípios que norteavam a viagem no tempo ficam dissolvidos. É a hora quando o homem diz: “É preciso acompanhar as mudanças, é necessário agir dentro dessa situação”. Adaptando-se a um novo esquema, o homem passa, aos poucos, a prescindir dos seus valores e princípios.

A partir desse ponto, verifico o que tem acontecido no meio evangélico brasileiro. As mudanças têm-se sobreposto de maneira tão vigorosa que se tornaram uma das principais lutas das lideranças que não pretendem abdicar dos princípios eclesiásticos norteados pela Bíblia, infalível e irretocável Palavra de Deus.

A igreja brasileira tem aberto as portas para todas as formas de atuação compatíveis com a vida secular. As normas de outrora, as doutrinariamente bíblicas, esvaem-se nos desvãos da convivência mundana inadvertida. Vivemos a geração do “não faz mal” ou “o que é que tem? Todo mundo faz!”. Esse é o problema: todo mundo faz!

Boa parte dos nossos evangélicos “modernos” não honram a pontualidade aos compromissos. Prescindem dos deveres cristãos e da cooperação com o trabalho; porque lá fora, no dia-a-dia não “dão bola para isso”. Se atrasam em seus deveres profissionais e sociais, por que não atrasariam nos horários dos cultos e de outros compromissos? Se executam a seu bel-prazer as tarefas que lhes cabem na sociedade, por que executariam bem as tarefas na igreja?

O tempo muda os costumes? Não. Os costumes são alterados dentro do tempo, pelo próprio interesse (desinteresse) humano.

Quando Jesus iniciou o seu ministério terreno, deixou claro que não vinha alterar a Lei, mas cumpri-la. A base dos ensinamentos do Mestre se manteve segundo as Escrituras Sagradas. Ele nada modificou, nada alterou; ainda que seus seguidores aguardassem “mudanças”. Jesus manteve-se fiel à Palavra.

Os discípulos do Mestre deram continuidade a sua obra; porém, irmanados nos ensinamentos recebidos e estritamente obedientes a isso. Anunciavam um evangelho de arrependimento dos pecados, de atenção ao que dizem as Escrituras, de rejeição às mudanças que feriam as páginas sagradas. O apóstolo Paulo orienta a Igreja a que não se adéque ao mundo em que vive. Recomendação que, para muitos, já perdeu validade.

Se a recomendação é que não nos conformemos com este mundo, precisamos lutar contra essas adequações, contra a aceitação de que os tempos mudaram. Se se mudaram os tempos, nenhuma das páginas da Bíblia mudou. O que está escrito está escrito. Cumpra-se!

Alguém dirá: - Assim as igrejas se esvaziarão! Ora, por que encher igrejas dos que não se sujeitam a Cristo? Ou transformaremos as igrejas em agradáveis reuniões simpáticas às mudanças deste século?

É preciso reavivar a informação bíblica de que o Espírito Santo é quem convence o coração do homem. Jesus disse: “... Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei. E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo; do pecado, porque não creem em meu nome; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.” (João 16.7-11).

Não é a aceitação que levará o homem à compreensão de seus erros; mas o confronto. Não cabe à Igreja aceitar o que vem de fora; seu papel é corrigir a conduta do homem. “... e tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, confirmando o ânimo dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé; pois, por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22). “Fala disto, e exorta, e repreende com toda a autoridade. Ninguém te despreze” (Tt 2.15). A Igreja precisa assumir esses princípios, a fim de ver seu crescimento sadio no trajeto para o encontro com o Rei Jesus.

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