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terça-feira, 20 de agosto de 2013

POSSO ANDAR SOBRE AS ÁGUAS TRANQUILAMENTE?

A grande preocupação do ser humano é a procura da "situação estável" em todos os aspectos. As nações engendram estratégias para não perderem estabilidade social e econômica. A Ciência empenha-se diuturnamente em favor da vida agradável, distante de doenças e de quaisquer sacrifícios. A Tecnologia não para de "inventar" comodismos. Tudo isso é natural, inerente ao homem. A cada dia, as descobertas científicas ou tecnológicas produzem um homem mais comodista, menos esforçado, mais voltado para a consecução dos seus objetivos sem maiores esforços pessoais.
Hoje, filhos vivem na dependência dos pais até uma idade em que, no passado, já eram responsáveis por si e, mesmo, por uma prole. O esforço é algo desagradável nestes tempos. Interessa usufruir; não construir.
De fato, Deus não criou o homem para o sofrimento; criou-o para ser próspero, criativo, gerente do planeta. Mas, há diferença entre a condição para a qual Deus criou o ser humano e a busca da "boa vida" que esse ser desenvolveu. O que aqui se chama de "boa vida" é o sentimento de repulsa ao esforço, é a aversão ao trabalho, esse querer tudo pronto, fluindo, sem preocupação com o fazer.
A Bíblia não aponta nenhuma situação em que o Senhor permita um homem indolente, "deitado eternamente em berço esplêndido" como propõe  o Hino Nacional brasileiro. Quando Adão ocupou seu lugar no Éden, recebeu a determinação de produzir, de trabalhar. Na ordem divina "crescei e multiplicai-vos" não está implícita somente a procriação, Aliás, a procriação impõe sacrifícios, trabalhos, cuidados com a prole, entre outras inúmeras atribuições. O homem foi criado para a glória de Deus, o Qual trabalha incessantemente.
Depois da queda, o trabalho aumentou, porque Adão perdera o auxílio divino; ele experimentou uma vida bem diversa daquela que usufruíra. O esforço humano para sua própria manutenção não é castigo divino; é reconhecimento demonstrado por Deus, relativamente às possibilidades humanas.
De onde, então, vem esse desejo de facilidade exagerada? Acredito que vem de uma alma que não ignora um passado, quando sua tarefa no maravilhoso jardim era bem mais amena. O trabalho não é castigo; o esforço para conseguir resultados o é. Deus disse a Adão que comesse o pão com o suor do rosto. Disse a Eva que com dores geraria seus filhos.
Noé teve de construir  uma arca, para não perecer no dilúvio. Deus não lhe deu prontinha a bênção da arca. Não deu a Abrão a facilidade de uma grande família, sem que tivesse que sair de sua terra, peregrinar por lugares desconhecidos, ver-se impossibilitado de ter filhos. O patriarca teve, ainda,  de passar por uma inusitada prova de sua dependência de Deus: oferecer em sacrifício o único filho que tivera.
Jacó não teve vida fácil em nenhum aspecto; José, seu filho, lutou para alcançar objetivos. Se percorrermos as páginas das Escrituras Sagradas, não encontraremos homens "sossegados", com uma vida regalada como tanto apregoam os falsos evangelistas deste país. Quais as facilidades encontradas por Paulo, apóstolo? Como viveram os antigos pregadores do Evangelho em nossa terra? Que facilidades eles ambicionaram no exercício de suas tarefas? Ao contrário; empenharam suas vidas, sujeitando-se a todas as adversidades, contanto que levassem adiante a mensagem divina da salvação.
O próprio Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, nasceu numa humilde estrebaria e não acumulou facilidades em sua existência terrena.
O apóstolo Pedro achou que bastava sair do barco e fazer uma linda demonstração de facilidade, porque o Senhor o ajudaria. Enganou-se. Deveria ter ido baseado na fé; uma fé no poder de Deus e não dele. Vejo Pedro como o precursor da "fé na fé" que se apregoa em nossos dias.
Cabia a Pedro o esforço racional e espiritual de ver à sua frente o Todo-Poderoso, capaz de mantê-lo firme sobre as ondas.
Nada flui docemente neste mundo; há aflições, desgastes, fraquezas, descrenças,entre outras decepções. O que de fato importa não é a existência de percalços; é o bom ânimo e o reconhecimento de que todas essas intempéries foram vencidas por Jesus Cristo. Sendo Ele o nosso alvo, não tememos a necessidade de esforço, dedicação e superação dos males. Ele nos espera além desta vida terrena cheia de lutas. Por Cristo, sim, somos trabalhadores, esforçados, lutadores. Somos mais do que vencedores nos assuntos desta vida e, por fim, no aguardo da coroa de justiça que nos será dada pelo Justo Juiz, como afirmou categoricamente o apóstolo Paulo: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual, o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e, não só a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda". 2 Tm 4.7-8.

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