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segunda-feira, 6 de maio de 2013

ASSEMBLEIA DE DEUS-LAPA: trabalho vitorioso com Cristo à frente

Não se duvida de que para mim é enorme privilégio ser convocado para trazer à memória alguns pontos de referência na História da Igreja Assembléia de Deus, Ministério do Belém, Setor Lapa. Infelizmente, não mantive registros que, no decorrer dos anos, garantissem melhor exposição dessa linda História; mas, agradecendo a Deus por aquilo que minha memória preserva, trago uma humilde contribuição para que, talvez, se componha amanhã uma obra que registre com mais detalhes os saudosos anos iniciais de tão amada igreja. Procurei manter certa linearidade temporal; mas, nem sempre a memória contribui, e a própria narrativa interpola períodos.

Reitero que pode haver falhas, principalmente na citação de nomes que marcaram o trabalho nessa época; isso, contudo, pode ser corrigido com a contribuição de alguns contemporâneos. Assim, fica claro que inclusões devidamente comprovadas podem ser feitas, mormente com a colaboração dos meus antigos companheiros que, pela misericórdia de Deus, ainda estão entre nós. Grande parte dos que aqui se registram já usufruem da Glória Celestial. Também verificarei com a “arquivista da família”, minha irmã, Mírian Tavares de Castro, se ela possui alguma foto que nos remeta à História aqui apresentada.

Era o ano de 1934. Meu pai, José Tavares de Castro, já convertido ao evangelho e membro da Assembleia de Deus em Maceió, chega de sua terra natal à cidade de São Paulo, com uma Carta de Recomendação à Assembleia de Deus em São Paulo, assinada pelo Pastor Antônio do Rego Barros. Viúvo à época, meu pai instalou-se na região da Lapa. Nos primeiros anos de sua adaptação a esta cidade, frequentava a igreja localizada na antiga Rua Cruz Branca, provavelmente na região do Belém.

Radicado na Lapa, integrou-se, pelos idos de 1940, a uma congregação que se instalou no mesmo prédio em que fora morar, quando se casou com minha mãe, Zilda Sepúlveda de Castro. Essa congregação ocupava um pequeno salão com duas portas de aço, na Rua John Harrisson, 43, Lapa de Cima, defronte à estação de trens. Ali, iniciava-se a obra que hoje constitui a pujante Igreja da Lapa!

Por volta de 1941, meus pais mudaram-se para uma residência na Rua Barão de Jundiaí, 100 (Lapa); onde nasci. A família prosseguiu no trabalho do Senhor naquela pequena congregação. À época, o trabalho passou para a direção de um casal de missionários norte-americano: o Missionário Stalter e sua esposa, irmã Luiza. (Tenho guardada uma Bíblia, editada em Portugal, em 1937, presente - com dedicatória - da irmã Luiza para o meu pai).

Uns poucos membros constituíam aquela igreja, entre os quais posso citar: Pr. Constantino de Presbiteris, o “irmão Constante”, que fora cooperador juntamente com meu pai; irmã Isaltina Leite Banks, talvez uma das mais antigas da igreja; irmão Lara, e família, era um negro alto, que faleceu atacado por tuberculose; o irmão Antônio Sanches e sua esposa Acília; minha tia Íris Sepúlveda e meus primos Almira, com seu esposo Antônio Alves, Alice, Álvaro e Arlete. Compunham ainda a igreja os irmãos Arnaldo dos Reis Coelho e família, a irmã Júlia Paiva com seus filhos Jevan, Rubenita e Judite, exímia soprano e solista no Coral. Eram os idos das décadas de 1940-1950. Lembro-me de que havia noites de culto de oração, com as portas baixadas, e a vizinhança jogava pedras, fazendo enorme barulho, que me assustava. Mas os irmãos não se abalavam e a oração prosseguia. Fazia-se também culto ao ar livre, na esquina da Rua 12 de Outubro com John Harrison, ou na Lapa de Baixo, defronte a indústria Martins Ferreira. Os irmãos sofriam hostilidade dos carroceiros que tinham ponto ali, naquele largo, onde havia uma espécie de chafariz, em que os cavalos bebiam água.

Tempos depois, o missionário e sua esposa retornaram aos EUA, ficando, por um tempo, o trabalho sob a orientação do “irmão Constante” e do meu pai. Constantino de Presbíteris separou-se do trabalho e fundou sua própria igreja na região. Não tenho informação sobre ele. A igreja filiou-se ao Ministério do Belém, vindo pastoreá-la o Pr. Daniel Tavares Beltrão, sob cuja direção se adquiriu o terreno na Rua Felix Guiem, 227. Iniciou-se, em regime de mutirão, a construção de um dos mais modernos templos da época, cuja inauguração se de deu em agosto de 1954. Belo templo: à porta um letreiro em “neon” identificava a denominação. Sobre o púlpito, cintilava outro letreiro, também em “neon” azul, a inscrição “Jesus vem breve!”. A iluminação era com lâmpadas frias (fluorescentes), moderníssimas para a época. A igreja crescia, não somente com novos convertidos, mas recebia inúmeras famílias oriundas de outras localidades do Estado e do país. Lembro-me, por exemplo, da atuação do Pr. João Tomchaka e sua família. O filho, Paulo Tomchaca foi um dos membros da orquestra, onde também tocava violino. A pujança musical da igreja começa a aparecer, sob a liderança do eminente maestro e professor Arnaldo dos Reis Coelho. O “irmão Arnaldo” merece um capítulo à parte nessa História, tal a sua dedicação à obra em todos os sentidos.

Formou-se, na igreja, uma “banda musical” (hoje elas são chamadas de “furiosas”, porque, barulhentas, elas se compunham de metais: trompetes, trombones, sax-gênis, bombardino e sousafone; e percussão: bumbo, tarol e pratos). Assumiu a direção da banda o jovem trompetista Rodolfo Zara. Arnaldo também tocava trompete. Marcaram época nessa banda os músicos João Gutierrez, (sousafone); Joel Corrêa (eufônio ou bombardino), Rodolfo e Arnaldo (trompetistas). Não se pode esquecer do saxofonista, irmão Benedito, nem do contrabaixista acústico, irmão Laureano Cortez, pai do médico amigo, Pr. Jairo Cortez. Muitos anos depois, assumiu a direção da banda o jovem entusiasta Moisés dos Santos Rodrigues, hoje pastor, filho do Pastor Virgílio Rodrigues.

Essa banda musical era infalível nos cultos que se realizavam na esquina da Rua 12 de Outubro, com John Harrison, todos os domingos, por volta das 18 horas. A igreja da Lapa nunca descuidou da evangelização pública; por volta de 1958 ou 59, fazia-se culto à porta do Mercado Municipal, todo domingo, às 8 horas da manhã, antes da reunião para a Escola Dominical, que se iniciava às 9 horas! Muita gente se lembra de ter visto uma roda de crentes, logo cedo, cantando hinos que se acompanhavam pelo acordeão da Raquel Camargo, pelo bandolim da Olívia Fernandes e alguns outros músicos. Ninguém tinha vergonha do trabalho. Os estojos de instrumentos musicais eram deixados no chão, ao lado da roda que se formava. Distribuíam-se folhetos evangelísticos e o evangelho era anunciado, ainda que alguns zombassem. Eu mesmo cheguei a ser zombado numa segunda-feira, por um professor da escola em que eu estudava, o qual me vira tocando violino na praça, num domingo pela manhã!

Arnaldo Coelho, hoje pastor jubilado, dedicou-se à formação de músicos para orquestra e de cantores para o coral. Seu trabalho foi profícuo e hoje a maioria dos maestros e músicos da região foram seus alunos, inclusive este que aqui registra. A formação era rígida: teoria musical baseada em Samuel Arcanjo; solfejo, em A. Panseron; para os violinos, 5 volumes de estudos do Hohmann’s Practical Method for the Violin; Ferrara Hans Sitt; palhetas estudavam em Nabor Pires Camargo; metais, em Amadeu Russo. Nem todos completaram a série de estudos propostos, muitos paravam por volta do segundo ano de estudos; mas era a Música levada a sério na Lapa! Deu frutos perenes! Glória a Deus!

Lembro aqui alguns componentes de uma orquestra que marcou época: Arnaldo Coelho (regente), Paulo Tonchaca, Laurinda, Jadira, Eurice, Jairo Cortez, Ester Fernandes e este que escreve tocavam violinos; A Olívia Fernandes tocava bandolim. Aminadabe Coutinho, Joab Coutinho, Antônio Fernandes, Otiniel Arimateia, Álvaro Sepúlveda, Alcênio, Severino (a quem chamávamos Severininho) e o irmão Benedito entre outros. Esses músicos tocavam, respectivamente clarineta e clarone, trombones, trompetes, flauta e saxofone. João Gutierrez tocava sousafone. Em 1958, a igreja já apresentava peças musicais importantes. É marcante uma apresentação, com o Coral, da cantata intitulada O Filho Pródigo. Orquestra e Coral eram requisitados para se apresentarem em várias cidades, interpretando lindas páginas de Antemas Celestes e de Coros Sacros.

O pastor Daniel Beltrão, transferindo-se para a cidade de Faxinal, passou a direção do trabalho ao pastor Delfino Brunelli; depois, assumiram outros pastores, entre eles, Pr. João Alves Corrêa, Pr. Eliseu Feitosa de Alencar, que mais tarde fundou outro trabalho - também assembleiano - na própria Lapa; Pr. Francisco Camargo, Pr. Antonieto Grangeiro, Pr. Waldir Bícego e, atualmente, dirige-a o Pr. Veiga.

Muitas congregações nasceram do trabalho lapeano, entre elas: Vila Míriam, aos cuidados iniciais da família Alves Corrêa; Vila Palmeiras (atualmente Vila Carolina) sob os cuidados de meu pai, e do Pr. José Miguel (Zuza), Esses trabalhos em Vila Míriam e Vila Carolina, bem como em Vila Brasilândia são, hoje, grandes congregações, as quais produziram outras e outras congregações. A igreja em Osasco, que foi dirigida pelo Pr. José Amaro, é outro fruto lapeano A História da Igreja Assembleia de Deus, na Lapa, em São Paulo, é longa, portanto.
Hoje, a Igreja citada é um enorme trabalho, espalhado por toda a Região Oeste, congregando milhares de membros atuantes, grandes formações musicais com bandas, conjuntos, orquestras e corais. Tudo fruto de um pequeno grupo disposto ao trabalho do Senhor, Muitos, como já disse, desfrutam as delícias do Paraíso, outros mudaram-se para longe, carregando na memória o passado de doce lembrança. Outros, casaram-se ali, tiveram filhos que formam uma nova e atuante membresia; assumiram a chamada para o Ministério, como é o caso dos pastores Nilton Didini Coelho e Jairo Cortez, os quais, ao lado de suas atividades de respectivamente engenheiro e médico, persistem na obra para a qual foram chamados.
Não custa lembrar que da Lapa saíram muitos obreiros sérios e bem formados na Palavra de Deus: Pr. Nelson Didini Coelho, Pr. Nivaldo Didini Coelho, Pr. Ciro Zibordi, Pr. Genivaldo Tavares de Melo e, entre tantos outros, este evangelista, que hoje está ao lado de um ministério profícuo, na Igreja Assembleia de Deus Bereana, na Vila Mariana, em São Paulo, mas tem no coração as raízes bem aprofundadas por causa do trabalho dos antepassados. 

2 comentários:

  1. Lendo o texto não tem como não ver com o coração, os cultos desta igreja, onde, até nossos amores iniciou-se nesta igreja e onde casamos com moças da igreja.
    Pr. Francisco Camargo, homem de Deus, sábio e amoroso; Eliseu Feitosa de Alencar, anmigo dos jovens; como esquecer Sebastião Pereira da Silva? Irmão José Tavares, sempre sério e compenetrado com as "coisas de Deus", Luiz (ou Luís) Monteiro e seu acordeão, e os "Hinos nacionais" de cada pastor....Francisco Camargo amava o "cantai ò peregrinos", "Dantes trabalhava"; Eliseu Feitosa e o hino "Breve Jesus voltará". A Pregação tinha a tônica da volta de Cristo sempre, concordando com o neon citado pelo Ev. Tavares, e um dos pregadores que mais enfatizava a volta de Cristo era o meu pai, até hoje lembrado por muitos amigos e ele dizia sempre do púlpito:- "Prepara-te que Jesus vem breve", e, então cantava o hino: " O dia vem a clarear,"...enfim... saudades de um tempo bom, de um lugar maravilhoso, onde o Senhor Jesus me salvou.

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  2. Paz do Senhor irmão Izaldil.
    Como é bom ler esse texto relembrando as histórias que escutava da minha avó sobre o começo do evangelho na Lapa.
    Me chamo Davi e sou bisneto do irmão "Constante". Meu saudoso bisavô que orgulhosamente me batizou nas águas já descansa no Senhor e seria um prazer entrar em contato pessoal com o irmão.
    Somos da mesma família do também citado Moisés Rodrigues e Virgilio dos Santos Rodrigues.
    Deixo o meu email davidido@globo.com
    Deus te abençoe por compartilhar essa linda história....até breve

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