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domingo, 6 de fevereiro de 2011

QUE É AMAR A DEUS?

Um dos problemas no decurso da vida cristã é a compreensão do significado das palavras e expressões bíblicas. Claro que o conhecimento das línguas originais em que foram escritos os textos muito ajudará na elucidação dos significados, mas isso ainda não é tudo. A Palavra se discerne pelo Espírito Santo, que atua em nossas mentes.
Os textos bíblicos foram escritos em períodos muito distantes de nossa época, e mesmo entre si, em línguas muitos diversas da que conhecemos com mais freqüência e, sobretudo, em culturas absolutamente desconhecidas de grande parte dos leitores.
Outro problema que dificulta uma compreensão mais adequada é a polissemia, isto é, a diversidade de significados que uma palavra pode apresentar em um texto (sempre relacionado a uma situação específica – o contexto). Nesse caso inclui-se a palavra portuguesa amor. A língua grega aponta mais de uma palavra com possibilidade de se traduzir por amor, cada qual com um significado diferente, tais como afeto entre casais; erotismo (no bom sentido); amizade; comprometimento etc.
Dentro desta perspectiva é importante levantar-se a questão do “amor a Deus”. A Bíblia registra muitas passagens com esse teor. Pregadores trazem à platéia discursos que a incentivam a “amar a Deus”. Entretanto, meditemos: como o ouvinte compreende essa prédica? O que é, de fato, “amar a Deus”?
Quando se trata do amor ao próximo, normalmente se compreende como atitudes de benemerência, assistência para suprimento das necessidades físicas, materiais ou mesmo espirituais. Trata-se de comunhão, de companheirismo etc. Entende-se que o próximo deva ter as mesmas bênçãos das quais usufruímos. É uma atitude indispensável ao homem que observa as palavras do Senhor.
Mas o que é amar a Deus? Será o nosso amor a Deus o mesmo amor devotado ao próximo? Amar a Deus será “gostar” de Deus? Considerando-se que o Senhor não precisa de nosso apoio ou auxílio; que Deus não passa por aflição nem por dificuldade; que ele não depende das coisas materiais, fica bem claro que em relação ao Altíssimo, o amar adquire outro significado.
A Pedro, Jesus disse: “... Simão, filho de Jonas, amas-me?...” (João 21: 17). Aos discípulos, anteriormente, a nós, hoje, diz: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos” (João, 14: 15). Convém compreender as palavras de Jesus. Quereria o Senhor saber se Pedro “gostava” dele? Quereria saber se Pedro o tinha como amigo ou companheiro? Procura o Senhor em Pedro um apoio, uma ajuda? E a nós, dirá que guardaremos as suas palavras por acharmo-lo simpático ou agradável? Ou por decidimos conceder-lhe nosso voto, nosso apoio? Evidentemente, não! Seria absurdo darmos a essas palavras de Cristo um dos significados acima.
Não há como negar que o verbo amar, empregado por Jesus, precisa ser compreendido como a expressão de uma entrega absoluta: física, psicológica, material, espiritual, como sinal de plena confiança no total domínio divino. Pedro fora confiante em si mesmo, achava-se suficientemente sábio diante das circunstâncias; ele sempre “sabia como resolver”. Isso deixava abalada a sua dependência do Senhor. Teve de amargar situações que quebrantaram sua personalidade, para, enfim, dizer: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. (...) (João 21: 17). Ele quis dizer: Tu sabes que eu estou absolutamente submetido a ti, tu sabes que pessoalmente nada tenho, nada posso, cuida, pois, de mim! Só depois disso, estava pronto para a obra a que o Senhor o chamara.
E nós, como reagimos à condição imposta pelo Senhor: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.” Essa condição “se” também sugere uma noção temporal “quando”. Jesus dá à sua Palavra uma consistência de perenidade, para aguardar o nosso posicionamento: “Quando me amardes, guardareis os meus mandamentos”.
Amar a Deus é não se apegar aos bens materiais — porque tudo pertence a ele. Amar a Deus é não confiar no próprio intelecto, porque é falho. Amar a Deus é compreender que ele tem a prioridade em nossa vida, em nossas decisões, em nossos negócios. É viver na sua plena dependência.
Esse modo de vida só é atingido se diligentemente observarmos todos os mandamentos do Senhor, relatados nas Escrituras Sagradas. O caminho para se amar a Deus inicia-se na oração humilde ao Senhor e na meditação da sua Palavra.
Cabe a cada ouvinte da Palavra entender o significado contextual das passagens, para que não só usufruam as bênçãos daí decorrentes, mas para que tomem decisões acertadas para seguir ao Mestre dos mestres.

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