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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

HOMOFOBIA, A PALAVRA DA VEZ

A Filologia, ciência que se dedica ao estudo da origem, evolução e significado das palavras, constitui uma das belezas do conhecimento humano. A língua portuguesa, submetida às avaliações filológicas, mostra uma riqueza tão vasta quanto admirável. É encantadora a viagem de retorno às origens das palavras, bem como a descoberta de significados que ficaram apagados no tempo e de outros a que elas servem. Associá-las às suas famílias etimológicas é descobrir um mundo de relações semânticas incríveis. Chamam-se cognatas as palavras que provêm de uma mesma raiz (origem); por exemplo: colo e colar; amigo e inimigo; inócuo e inocente etc.
O professor doutor Ismael de Lima Coutinho, em sua apreciada obra, Gramática Histórica, Livraria Acadêmica, Rio de Janeiro, 1974, ensina que o português se originou de três fontes fundamentais: a derivação latina, a criação ou formação vernácula e a importação estrangeira. Daí a incalculável riqueza lexical de que usufruímos.
Com relação à estrutura das palavras, para melhor compreensão, é interessante classificá-las como primitivas, derivadas e compostas. Convém observar que uma palavra derivada pode ser primitiva em relação a outra que dela resulte. Nesse contexto, os elementos formadores de uma palavra também podem ser de origem latina, grega, vernácula, entre outras.
Os elementos formadores das palavras constituem partes que denominamos (de modo mais simples):
a) radical: elemento básico da formação da palavra, isento dos indicadores flexionais e derivacionais.
b) desinências: elementos que se acrescentam após o radical, a fim de marcar as flexões da palavra, como gênero e número, nos nomes; tempo, modo pessoa e número, além das formas nominais, nos verbos.
c) afixos: elementos derivacionais, chamados prefixos (antepostos ao radical) ou sufixos (pospostos ao radical).
Esses elementos formadores das palavras são, em sua maioria, latinos; outros, gregos; outros, ainda, vernáculos.
Mas, o assunto que nos chama a atenção, por ora, é a palavra homofobia, a qual ocupa as conversas e as notícias destes dias. Em geral, decidiu-se, por força do uso inculto — e as palavras aceitam as imposições do falante — que homofobia significa “agressão ao indivíduo dado à homossexualidade”. Nada a ver!
Trata-se de uma palavra formada por dois elementos de origem grega: homo- (semelhante, igual, do mesmo feitio) e –fobia (aversão, medo, indisposição). Ora, a partir deste dado, homofobia significa “indisposição contra aquilo que é igual, da mesma espécie”. Portanto, a homofobia não é palavra que se aplique apenas à classe de pessoas que a adotaram; além de não ter qualquer relação com agressão física nem moral. Do mesmo modo, o esclarecimento vale para a antônima heterofobia, que eu próprio usei em outro texto.
Tenho visto quem associe, indevidamente, o elemento mórfico homo à nossa palavra homem. Outra vez, nada a ver! Homem vem do latim (homo caso nominativo de homo,inis). A composição Homo sapiens é latina.
Visto isso, é conveniente lembrar que a palavra homossexual (genitália semelhante) deve ser entendida apenas como designativa do indivíduo masculino ou feminino que revela preferência sexual por outro do mesmo sexo.

3 comentários:

  1. Postei "A verdadeira face da homofobia" tratando do mau emprego da palavra para acusar os héteros de estarem perseguindo a minoria homo. Obviamente, corri para ler este texto a ver se tinha dito alguma bobagem, já que não sou gramático apesar de amar a nossa língua e suas ferramentas. Caro Professor, vou recomendar esta leitura no meu blog.
    Pr. Genivaldo

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  2. Brilhante! Tomei a liberdade de repassar.

    Um forte abraço,

    Washington

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  3. Desculpe Professor. Quiz dizer que copiei e transmiti para outros.
    Washington

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