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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

DE TOALHINHAS E CAJADOS

“E convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios e para curarem os enfermos. E disse-lhes: Nada leveis convosco para o caminho; nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas vestes. (...)” (Lucas, 9: 1-3).

O trecho acima, encontrado no Evangelho de Lucas, chama a atenção para as prerrogativas que Jesus concedeu aos doze discípulos, e para as condições que impôs, quando os enviou para a obra de evangelização.
O primeiro passo foi a convocação, o que mostra que a obra do Senhor é feita por convocados por ele mesmo. Depois da convocação, o preparo: “deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios e para curarem os enfermos”. A palavra “virtude”, no texto, significa “autoridade”. Jesus delegou aos discípulos a autoridade; ou seja, eles ficaram revestidos de um caráter moral tão irrepreensível, que era impossível qualquer acusação ou desmerecimento. Eles receberam uma autoridade vinda do próprio Senhor Jesus.
Juntamente com aquela autoridade, o Senhor deu-lhes poder sobre todos os demônios e também para a cura dos doentes. Poder é a indiscutível e insuperável capacidade de agir, sem que haja oposição alguma aos atos praticados. Pelo poder recebido do Senhor, os discípulos estavam munidos de “procuração” para executar a obra a que foram convocados: expulsar os demônios e curar os enfermos. Com o preparo recebido e prontos para a obediência ao Mestre, a missão não sofreria qualquer prejuízo.
Na sequência, vêem-se as determinações do Senhor, para que não levassem objeto algum, nem mesmo alimento ou outra muda de roupa. Há que se meditar nessas exigências de Jesus; afinal eles iam passar de cidade em cidade; isso levaria algum tempo. Como seriam supridas as suas necessidades? Aqueles homens andariam muitas léguas, sentiriam as intempéries de um clima hostil, sentiriam necessidade de alimentação. Como fariam? A Bíblia responde, quando diz que “o justo viverá pela fé” (Hc 2: 4; Rm 1: 17). Os discípulos precisavam exercitar a fé em Jesus. O Mestre era-lhes suficiente. Jesus não os estimulava a ter “fé na própria fé”, o que é um engano nestes dias. A expressão “agir a fé”, usada por aí, é maliciosa e diabólica. A fé na fé é inválida. Devemos depositar nossa fé em Jesus Cristo: ele é infalível!
Agora, o que de fato surpreende, se compararmos o trabalho dos doze — bem como a obra dos outros setenta, registrada no mesmo Evangelho de Lucas, 10 — com as “obras” e “ministérios” que tomaram conta da mídia em nossos dias, é que não se vêem discípulos a trabalhar; mas, apóstolos bem nutridos “do bom e do melhor”; voando em helicópteros e jatinhos particulares; acompanhados de ferozes guarda-costas e protegidos em carrões blindados; donos de seu público cativo (cativo mesmo!); capazes de elegerem seus colaboradores para os mais destacados cargos políticos.
Terá o Senhor Jesus mudado suas determinações ou os tais, hoje, tentam mascarar a sua falta de virtude e de poder? Não serão eles vendilhões do evangelho?
Gasta-se uma fortuna em “toalhinhas” (Jesus mandou os discípulos levarem nada?). Fajuta-se “óleo santo de Israel”, “água do rio Jordão”, “cajado de Moisés” e mil miçangas mais! Vê-se uma multidão de almas ressequidas, esfomeadas à procura apenas do pão que perece, oferecido por essa espécie de “evangelistas”. Bandos correm atrás da “possibilidade” de ter casas, carros, empresas, sonhos de estabilidade emocional...
Jesus nunca ofereceu essas coisas, nem mandou discípulos para propagarem um evangelho material, o “reino deste mundo”. O Senhor veio trazer o resgate de um homem perdido, morto em suas concupiscências e afundado na escuridão de uma vida afastada de Deus por causa do pecado. Jesus veio libertar os oprimidos de Satanás, não com toalhinhas, nem com quaisquer objetos “milagrosos”; mas, pela força do Seu poder.
O resgate para o homem perdido foi efetuado na cruz do Calvário, onde ele derramou a sua vida, pagando o preço incalculável da salvação de todo aquele que crê (Jo 3: 16).
Ressuscitado, o Senhor esteve próximo dos discípulos por quarenta dias. Depois disso ordenou-lhes que permanecessem em Jerusalém, no aguardo da promessa do Pai. Cumprido o dia de Pentecoste, eles receberam, do Espírito Santo, a virtude e o poder completos para fazer a obra (At 2) que chegou até nós. Jesus não alterou a sua determinação; logo, compete aos convocados desta geração agir em conformidade com as Escrituras Sagradas.
O que passa disso é “outro evangelho”: é anátema, é coisa amaldiçoada (Gl 1: 8).. Quem o pratica prestará contas de seu mau caminho ao Juiz Eterno (2 Jo 9-11).

Um comentário:

  1. Amado, a Paz do Senhor.

    É verdade que são cometidos exageros em muitas das denominações, assim como desvios na pregação do evangelho. Este fato não representa nenhuma novidade, haja vista que é recorrente na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, desde seu início.
    No entanto, não podemos colocar tudo em uma vala comum. Muitas denominações que são fortemente criticadas prestam um efetivo serviço em prol do Reino de Deus. Penso que devemos tomar o cuidado de não impor aos outros, limites de estratégia para evangelização, para a pregação e para o culto, segundo o nosso próprio entendimento.
    Jesus nunca se preocupou em limitar quem em seu nome agisse. Isto vemos no evangelho de Lucas 9:49-50, onde João, falando pelos apóstolos, informava ao Senhor que tinham visto um que em nome dEle expulsava os demônios, e que lho proibiram, porque com eles não O seguia. Então Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós.
    As parábolas, bem como as ilustrações também foram métodos utilizados por Jesus e seus apóstolos na pregação do evangelho e na demonstração de seu poder.
    Tenho pavor do que possa acontecer com aqueles que não têm a exata noção do que poderá ocorrer com suas almas se deliberadamente levam os pequeninos ao tropeço. Lembremos que o Senhor advertiu que nem todo aquele lhe diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do Pai, que está no céu.
    Afirma, ainda, que muitos lhe dirão naquele dia: Senhor, Senhor não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então Ele lhes dirá abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

    Amigo, agradeço mais uma vez a generosidade de compartilhar sua opinião e nos dar a oportunidade de pensarmos a respeito.
    Um forte abraço e um ósculo santo (1Co 16-20).
    Washington

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