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terça-feira, 30 de novembro de 2010

INCONVENIÊNCIAS

Não são poucos os problemas comportamentais do ser humano. Alguns não prejudicam muito; são, às vezes, toleráveis ou até compreensíveis. Outros, porém, causam algum desgaste nos relacionamentos, frustram expectativas, emperram projetos. Um desses problemas é conhecido como inconveniência.
O inconveniente acredita em que tem alguns direitos: tomar a dianteira nas discussões que não lidera; opinar sobre o que não lhe diz respeito; incluir-se numa conversa da qual não participava. Há os que amam interromper assuntos dos outros para cumprimentar; ficam à vontade para abraçar efusivamente pessoas com quem não tem intimidade. Esses dois últimos tipos de indivíduos são bem desagradáveis, porém, menos maléficos do que os primeiros. De qualquer forma, o inconveniente é, de fato, muito inconveniente.
Não se pense, entretanto, que essa categoria de pessoas é uma raridade. Elas estão a postos em todos os lugares, próximas de todos os eventos e prontas a tirar partido de qualquer situação. Na Bíblia há muitos textos que retratam o inconveniente.
O primeiro dos inconvenientes é Satanás. No Céu, achou-se capaz de assumir uma posição que nunca lhe fora destinada. Expulso, não desistiu dessa condição tão desprezível.
Deus dissera ao primeiro casal que eles certamente morreriam, se desobedecessem à ordem de não provar da árvore da ciência do bem e do mal (Gn 2: 17); Satanás, inconvenientemente, apareceu para dizer à Eva que não era bem assim (Gn 3: 4). No episódio de Jó, o inconveniente se achou no direito de opinar sobre o caráter daquele servo aprovado por Deus (Jó 1: 9-11). Mais tarde, quando o Senhor Jesus foi levado ao deserto, na tentação, outra vez o irreverente deu-se o direito de discutir a Bíblia com o Mestre! (Mt 4). De fato, ele é o pai da inconveniência.
Caim foi inconveniente, quando respondeu grosseiramente a Deus sobre o paradeiro de Abel, seu irmão, como se tivesse tal autoridade (Gn 4: 9). Cam, filho de Noé, pai de Canaã, foi inconveniente, quando zombou da nudez de seu pai (Gn 9: 22). Nos registros do Antigo Testamento é possível levantar-se grande número de inconvenientes.
Há inconvenientes também nos registros do Novo Testamento. Jesus criticou todas as inconveniências dos fariseus (Mt 12: 22-32). A inconveniência de Pedro se manifestou algumas vezes, até que o Senhor o transformou.
Os filhos de Zebedeu, com a mãe, foram inconvenientes, ao pedirem lugar de destaque junto ao Mestre (Mt 20: 20-22). Para não estender a lista, fale-se de Simão, o mágico, o qual pretendeu comprar o poder de fazer milagres! Que inconveniência!
A inconveniência é inimiga de duas virtudes: discrição e modéstia. A inconveniência está sempre a serviço de interesses escusos ou é companheira dos que acreditam ser sinceros, porque “falam, na hora, o que pensam”. (Pensam?). Trata-se, assim, de um comportamento grosseiro.
Essa inobservância de bons hábitos influi no comportamento das pessoas mais desprovidas de bom senso; por isso, gera, desde atitudes impensadas que incomodam os circunstantes até esquemas que visam a angariar espaços indevidos.
É necessário que nossos púlpitos se preocupem com a identificação dessa terrível praga, oriunda daquele que nunca se conformou com a própria posição. É indispensável que as lideranças eclesiásticas evangélicas busquem a educação dos homens para um comportamento sadio, como convém aos filhos de Deus.
Sinceramente, o mundo, que desconhece o comportamento orientado pelo Mestre dos mestres, quando ensinou a não se pretenderem os lugares mais destacados, sem convite (Lc 14: 8-11), não se dá bem com os inconvenientes, tão deplorável é esse mal.

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