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domingo, 21 de novembro de 2010

ENFASTIADO OU CHEIO DE TÉDIO

Algumas palavras se tornam demasiadamente elegantes e, por isso, frequentam muito pouco a expressão mais popular. Enfastiado é umas dessas palavras raras, nesses tempos de fastio de vocabulário. Não custa lembrar o significado mais comum para ela: equivale a entediado, enfadado, aborrecido, cansado de alguma coisa.
O enfastiado não vê interesse, nem alegria, nem entusiasmo numa tarefa. A pessoa enfastiada recusa o que lhe é oferecido; furta-se à participação; tende à introspecção, por causa do desinteresse de que é acometida. Além disso, o tal adjetivo também se aplica àquele que comeu demais e, na segunda deselegância, (a primeira é comer demais) diz: “to cheio”, batendo na pança ridícula.
Além do fastio físico, aqui tomado como figura, há o fastio espiritual. O perigo desse fastio ronda muitas igrejas, principalmente as que não apresentam um espetáculo diferente a cada semana. Nessas igrejas há tanto ensino, tanta orientação que muitos já não suportam estar à mesa (2 Tm 4: 3-4); o melhor é esticarem-se em uma esteira e, à maneira dos ofídios, esperarem a lenta digestão (Jr 48: 10).
Os enfastiados prezam um evento diferente, muito movimentado, estimam a presença de um pregador desconhecido que lhes prenda a atenção com qualquer proposta — não importa a proposta, desde que seja diferente da habitual. Eles amam os cantores-artistas, que apresentam canções esdrúxulas quanto ao conteúdo! Nessas ocasiões, os enfastiados lotam o templo e não veem relógio! (At 17: 21).
Por outro lado, esse grupo adoecido torna-se um peso na igreja, porque sempre está com cara de indisposição, uma vez que julga tudo trivial: outra vez o pastor local vai pregar? O mesmo hino? O mesmo conjunto vai se apresentar? O culto vai passar da hora habitual? Na igreja, o enfastiado procura sentar-se sempre no mesmo lugar, e briga por esse espaço; normalmente ele não observa o horário de início do culto, porque já sabe tudo o que vai acontecer; mas, dez minutos antes do término, já está pensando como sairá da garagem. O enfastiado não procura alimento, mas, diversão.
O enfastiado cultua de lábios, mas tem o coração distante das coisas de Deus. Age hipocritamente. Que ninguém lhe pergunte o tema da pregação proferida, nem o assunto dos hinos entoados: ele não lembra. Todavia, é capaz de afirmar, para mascarar seu fastio, que o culto foi uma bênção. Claro, para ele, dizer isso é um chavão! O enfastiado não produz coisas saudáveis, mas é produtor de crítica destrutiva, por isso, seu péssimo testemunho corrói como ácido a periferia em que ele está.
Há grande necessidade de se notarem os enfastiados, para que sejam exortados a se exercitarem na obra do Senhor, que também precisa deles para a expansão do Evangelho de Cristo, e para servirem de estímulo à dinâmica necessária na causa de Cristo.
O fastio está sempre à porta dos desavisados e, como todo mal, entra sorrateiramente nos corações. Uma vez instalado, alastra-se como erva daninha, como espinheiro que sufoca toda a boa mensagem e todo o ensino conveniente à vida cristã. O enfastiado é, realmente, uma pessoa necessitada de ajuda. É necessário socorrê-la, antes que o seu mal se torne irremediável. (Ez 33: 8).

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