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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PEIXES NA AREIA

“Então, disse-lhes Jesus: — Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4: 19).
“Procura, isto sim, apresentar-te aprovado diante de Deus, como obreiro que não tem de que se envergonhar e que maneja corretamente a Palavra da verdade”. (2Tm 2: 15).
Introdução.
O livro do Gênesis registra de maneira ordenada e ininterrupta a criação da Terra pelo Senhor. A seqüência da narrativa bíblica faz o leitor atento perceber que tudo foi realizado tão criteriosamente que não há sobra nem desperdício de nada. A desordem e o caos antecedem a interferência divina; a partir daí, Deus ordenou e tudo se fez sistematicamente. Construído o Jardim do Éden, o Senhor colocou ali um administrador, Adão, habilitando-o para gerir a criação. O pecado transtornou esse clima de organização; então, o homem viu que lhe faltavam as vestes, ficou atônito, sem saber o que fazer e tudo foi desencadeando uma avalanche de problemas. A Terra passou da organização perfeita para a desordem total.
Ao livrar do Egito o povo de Israel, o Senhor instruiu Moisés passo a passo, desde o primeiro contato com Faraó até à chegada à terra prometida. O senso de organização e de método dos homens guiados por Deus colocou-os em posições destacadas tanto no arraial israelita quanto nos governos das nações. Deus deu tanta sabedoria a José, que o levou da situação de escravo à posição de segundo homem no governo egípcio. Noé construiu a arca no tempo aprazado, sem falhas, nem interrupções; Davi organizou um exército vencedor com homens sem reputação e não se pode esquecer de Neemias, na reconstrução dos muros de Jerusalém.
O Novo Testamento relata a perfeição dos atos do Senhor Jesus: não há perdas, nem desperdícios. Água foi transformada em vinho; cinco pães e dois peixinhos alimentaram a multidão e ainda sobraram doze cestos de pedaços! O Evangelho de Lucas registra o milagre da pescaria: tantos foram os peixes que os discípulos precisaram de ajuda, para não perderem peixes. Deus não é amigo de desperdício.
Essas considerações se prendem à meditação relativamente ao trabalho evangelístico da Igreja atual. Muita evangelização tem sido feita; não faltam métodos de propagação da Palavra de Deus; muito peixe buscado pelas redes; entretanto, grande quantidade deles tem ficado na areia.
1. O prejuízo na pescaria.
O apóstolo Paulo demonstra grande preocupação com o crescimento espiritual dos conquistados para Cristo, quando diz: “A Ele, — Jesus — portanto, proclamamos, aconselhando e ensinando a cada pessoa, com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”. (Cl 1: 28). Os pescadores profissionais não executam uma atividade sem objetivo, mas visam ao produto de seu trabalho. Cada peixe é valorizado, limpo e posto no comércio para que dê lucro. Aliás, essa também é a razão da separação dos inservíveis para o comércio. A pescaria tem um objetivo.
Jesus chamou a Simão Pedro e a André, quando lançavam suas redes ao mar, dizendo-lhes: “... e eu vos farei pescadores de homens”. (Mt 4: 19). É necessário comparar essa chamada do Mestre com a que se registra em João, 6: 39-40: “E esta é a vontade do Pai, o qual me enviou: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu, mas que eu os ressuscite no último dia. De fato, esta é a vontade daquele que me enviou: que todo aquele que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna, o eu o ressuscitarei no último dia”. Deus não aprova desperdício; por isso, não quer que haja prejuízo na execução do chamado de Jesus.
2. Discipulado: a ação para não deixar peixe na areia.
O pescado abandonado na areia deteriora-se e se perde. Em outras palavras, a pesca foi inútil. Caso estivesse ainda no mar, talvez houvesse a oportunidade de o peixe ser aproveitado; agora, abandonado na areia, perdeu-se definitivamente. Que perigo é a falta de discipulado!
O Senhor ordenou que seus servos — os quais somos nós — saiam a fazer “com que todos os povos se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a obedecer a tudo quanto vos tenho ordenado”. (Mt 28: 19-20).
O trabalho da pescaria é somente o início da atividade. Não basta que sejamos bons lançadores de rede, ou seja, anunciadores das Boas Novas; não é suficiente que saibamos os locais mais piscosos, como identificadores das regiões carentes de Deus, ou que tenhamos excelentes barcos: possuidores de valiosos meios de comunicação. Tendo tudo isto, estamos apenas iniciando as atividades do Reino. Faltará, ainda, a etapa do ensino à obediência de tudo quanto o Senhor nos tem ordenado.
A Igreja do Senhor foi instituída como corpo; dessa forma, muitos são os membros e cada qual tem função específica (Ef 4: 7-8). Evidentemente, todo cristão foi chamado para a pesca; mas também chamado para preparar o Reino (Lc 9: 59-62). Tal preparo é uma etapa árdua e contínua, que envolve oração, dedicação, estudo sério e interesse pelo amadurecimento do Corpo de Cristo, por meio da instrução na Palavra de Deus.
3. Necessidade de obreiros para a seara.
A urgência de trabalhadores no Evangelho foi anunciada pelo próprio Senhor Jesus. Parece, entretanto, que essa requisição divina não tem sido bem entendida. Por quê? Porque a maioria dos crentes entendem por obreiros do Senhor apenas os que vão à pesca, anunciando a Palavra. É claro que esses homens são a linha de frente na construção do Reino; mas a obra se prejudica, quando todos os obreiros são apenas pescadores. Quando Jesus mandou rogar ao Senhor da seara que mande obreiros para sua seara, chamou para habilidades diversas: homens que pregam, homens que ensinam, homens que contribuem espiritual e materialmente, a fim de que a obra se realize plenamente.
Não se encontram muitos jovens crentes que se dediquem ao estudo da Palavra, para se tornarem mestres; também não se vêem sempre os que procuram ampliar as atividades da seara. Isso ocorre porque se fixou em grande parte das igrejas a noção de que obreiros na seara são os anunciadores do Evangelho, apenas. É necessário rever conceitos.
Conclusão.
Não se tratam muitos assuntos da Igreja cristã sem mencionar Paulo. Ele foi grande obreiro na seara do Senhor,: cheio de graça e de unção, levou a mensagem da cruz para os gentios, corrigiu falhas de interpretação bíblica causada por maus ensinadores, preocupou-se com a divulgação e ensino da sã doutrina; enfim, como ele mesmo declarou, foi um combatente do bom combate. É hora de cada crente buscar a sua vocação no Reino, com vistas ao prosseguimento da obra, com espírito humilde e serviçal, observando a orientação do eminente apóstolo: “Assim, ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com o propósito de aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, para que o Corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da estatura da plenitude de Cristo”. (Ef 4:11-13). Amém.

Um comentário:

  1. A Paz do Senhor Jesus Cristo, professor Tavares!

    Louvo a Deus por sua vida e ministério, e por ter encontrado seu blog em meio a tantos na rede.

    O texto em apreço reflete uma preocupação muito grande, a qual, sempre que posso, procuro denunciá-la. Pois o que vemos sendo valorizado pelos cristão é estar na mídia, apresentar-se a multidões e ser lembrado como um grande pregador, cantor, etc.

    É claro que há a necessidade de haverem tais pessoas com tais ministérios, mas a valorização excessiva de tais funções levam o povo a entender que as demais não são de valor.

    É sempre necessário sempre se lembrar que "somos um corpo, mas muitos membros". Cada um exercendo sua função e ministério na seara de Cristo, com certeza reduziríamos [se não eliminássemos] os desperdícios.

    Grande abraço e que Deus continue abençoando sua vida, família e ministério em Nome de Jesus Cristo!

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