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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

PROBLEMAS COM A LÍNGUA IV

Prof. Izaldil Tavares de Castro

Vamos dar mais um passo na trilha que examina as nossas falhas relativas ao bom uso do idioma pátrio. Cabe aqui uma explicação: esta série adotou escrever as frases de duas maneiras. A uma delas chamo “errada”; a outra, paralela, “correta”. Em favor da verdade e à luz das atuais perspectivas linguísticas, não se deve dizer “correto” ou “errado”; fala-se em “adequado” ou “inadequado”. Minha escolha é, portanto, baseada no que considero didático. Vamos aos fatos:
1. O fato passou desapercebido. (errada)
O fato passou despercebido. (correta)
Trata-se de um terreno perigoso quanto ao emprego das palavras. Existem palavras muito parecidas e, ao mesmo tempo, muito diferentes. Elas se chamam palavras parônimas. Por exemplos, despensa (lugar em que se guardam víveres) e dispensa (liberação). Desapercebido significa desatento, despreparado, distraído. Nada tem a ver com despercebido: aquilo que não se percebeu, que não se notou. Um fato só pode passar despercebido.
2. Entre eu e meu irmão sempre houve simpatia. (errada)
Entre mim e meu irmão sempre houve simpatia. (correta)
Problemão! Poucas pessoas reconhecem que o pronome eu só pode ser empregado como agente de um processo. Em outras palavras, o eu sempre “faz a ação”. Normalmente o pronome eu antecede um verbo: eu ando, eu canto, eu falo. Nunca fale “entre eu...” Fale: “entre mim e...”. O pronome mim não pode ser empregado, se houver algo para ser executado: mim não fala, não escreve, não lê etc.
3. Pode deixar; sou eu quem pago essa conta. (errada)
Hoje sou eu quem paga essa conta. (correta)
Apesar de que há gramáticos que aprovam essa concordância, ela não é lógica, se considerarmos que o verbo concorda com o sujeito da oração. Ora, neste caso, o sujeito é o pronome quem, o que obriga verbo na terceira pessoa do singular.
4. Não se esqueça de que lhe considero muito. (errada)
Não se esqueça de que o considero muito. (correta)
É sério o problema de emprego dos pronomes oblíquos átonos. É necessário saber que eles exercem função de complementos verbais e seu uso depende da regência do verbo. Sem conhecimento da análise sintática da oração fica bem difícil não errar. Entretanto, convém lembrar: verbos que exigem objeto direto não se complementam com lhe; do mesmo modo, os que exigem objeto indireto não usam as formas o, a, -lo, -la.
5. Ele é o funcionário melhor pago desta empresa. (errada)
Ele é o funcionário mais bem pago desta empresa. (correta)
Não se usa melhor (forma sintética) antes de particípio. A preferência é a forma analítica mais bem. Diz-se: mais bem feito; mais bem pago; mais bem ilustrada...

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