sexta-feira, 3 de abril de 2020

CULTO DA FAMÍLIA


De uns tempos para cá, as igrejas vêm adotando com maior frequência adjetivos que relacionam aos nomes de suas atividades eclesiásticas oficiais, principalmente aos cultos nos templos. Qual será a origem dessa adoção quase generalizada? Lembro-me de que, no passado, ocorriam algumas poucas distinções para identificar as reuniões chamadas cultos: culto público, de oração, de doutrina e o especial “culto da ceia do Senhor”. Mas é bom que se note a evidente necessidade de tais identificações.
Os “cultos públicos” indicavam reuniões abertas ao público geral, tinha caráter evangelístico e os crentes se esmeravam em convidar pessoas não convertidas ao evangelho. Havia os “cultos de oração” e também os “cultos de doutrina”; esses “cultos”, com portas fechadas, marcavam as reuniões exclusivas para os membros da congregação (e eles não faltavam). Os “cultos para a Ceia do Senhor” eram também uma exclusividade para os membros batizados em águas; mesmo que não frequentassem a mesma congregação.
Infelizmente, com o surgimento do neopentecostalismo, com seu interesse financeiro, foram criados outros tipos de “cultos”, dando origem a um “marketing” desonesto, interessado em trazer para os seus templos todo tipo de gente interessada na satisfação de seus interesses materiais. Esses pseudocrentes não nomeiam somente cultos; nomeiam “campanhas”, que são séries de reuniões, intituladas “Ano de Josué”, “Mês de Abraão” etc.
Hoje, os meios de comunicação anunciam os “cultos da vitória”, “cultos da quebra de maldições”, “cultos da oração forte” e tantas outras aberrações que distorcem a verdadeira vocação do “culto a Deus”.
Surge, então, sorrateiro, o “culto da família” em grande número de igrejas ainda sérias. O “culto da família” denota o esfriamento daquelas reuniões, outrora chamadas de “culto público”. Enquanto o “culto público” buscava trazer os inconversos para ouvir a mensagem de salvação em Cristo, o “culto da família” tende a reunir, dominicalmente, pais, filhos, irmãos amigos que não se encontraram durante a semana, numa reunião alegremente cantante, mas desprovida do interesse evangelístico.
Enquanto nos adaptamos ao “culto da família”, perdemos o interesse pelas Escolas Dominicais - que vão morrendo -; pelos “cultos de oração”; também não nos importamos com os “cultos de doutrina bíblica”. No máximo, ainda atentamos para os “cultos da Ceia”.
Quanto aos cultos esdruxulamente nomeados pelo neopentecostais e pelos adeptos de suas teologias, deixemos por conta deles mesmos.
Pergunta-se, por que as igrejas evangelizam menos? Por que os filhos não têm permanecido na genuína fé cristocêntrica? Por que a fé tanto tem esfriado entre os crentes. Vejamos se não é a “familiaridade” do “culto da família” a responsável, em grande parte, pelos problemas aqui mencionados.

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