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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

LIBERTOS, MAS NÃO NECESSARIAMENTE LIVRES.

Duas palavras interessantes: livre e liberto. Ambas remontam a um mesmo radical latino, líber, mas cada uma assumiu um sentido diferente, donde se depreende que o fato de alguém estar na condição de liberto não o põe, necessariamente, na condição de livre. Trata-se, pois, de nuances semânticas bem ligadas a um pensamento filosófico.

A forma livre, tanto quanto a forma liberto são - a priori - particípios irregulares dos respectivos verbos livrar e libertar, normalmente empregadas como adjetivo. Assim, diremos homem livre/homem liberto. Na condição de particípios verbais, obedecem à norma do emprego dos particípios nas conjugações perifrásticas ou compostas. Assim, tendo-se como auxiliares os verbos ter ou haver, serão empregados os particípios regulares: Ele tinha livrado/libertado. Com os auxiliares ser, estar ou ficar, emprega-se, em geral, o particípio irregular: Ele deve ser, estar ou ficar livre/liberto. Porém, não se tome essa última orientação como definitiva, considerando-se os aspectos semânticos envolvidos.

Voltando à questão inicial, vale a pena entrar no mérito semântico de alguém ser livre e ser liberto. Que é ser livre? Os melhores dicionários informam que se trata da situação em que alguém não traz sobre si nenhum jugo; trata-se de quem seja senhor de si mesmo, para decidir, realizar atos, e assumir total responsabilidade pelo que faz. Entenda-se, portanto, que o homem socialmente relacionado é livre, em tese, uma vez que todos estão sob o jugo da legislação de sua sociedade.

No aspecto da organização social, ou política, o homem livre será aquele que em tempo algum - ele mesmo, ou seus descendentes - foi escravo, isto é, jamais esteve à disposição ou sob imposições de outro homem. Nas civilizações antigas, Egito, Grécia e Roma, por exemplo, havia cidadãos livres (os senhores) e os escravos.

A civilização hebreia foi tornada escrava no Egito, até que Deus lhe providenciou a liberdade, por intermédio de Moisés. Algumas leis romanas também promoveram liberdade a escravos e, não longe de nós, a Princesa Isabel, de Portugal, assinou a discutível Lei Áurea, em favor dos escravos africanos, no Brasil.

Ora, de acordo com esse ponto de vista, os homens que viveram sob a escravidão não se tornaram homens livres; mas libertos. Assim, pode-se estabelecer a diferença conceitual entre ser livre e ser liberto. O livre nunca precisou de libertação.

Que é ser liberto? Entende-se por liberto aquele a quem se concedeu a liberdade, ou seja, aquele que, por meio da libertação, saiu da situação de escravo. O escravo não se liberta a si mesmo; pode, no máximo, rebelar-se contra a sua escravidão, mas não se livra dela.

O ser humano, no princípio, quando Deus o criou, recebeu do Pai a condição de ser livre. “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente,...” (Gn 2.16 - grifo meu). A desobediência de Adão, por ter dado ouvidos a quem o queria escravizar, tornou-o servo, escravo do mal, sujeito à atuação da morte espiritual e física (Gn 2.17). A humanidade permanece escravizada pelo pecado. Os homens são carentes de libertação. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23).

A carência de liberdade humana só pode ser satisfeita pelo unigênito Filho de Deus, Jesus Cristo, o Senhor. Ele declarou: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Disse ainda: “... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).

Bem, uma vez que toda a humanidade se tornou escrava do pecado, por causa da desobediência de Adão, Deus lhe apresentou um plano de liberdade: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Nós, os que já aceitamos essa tão grandiosa dádiva de Deus, tornamo-nos libertados por sua graça. Nossa libertação não nos tornou livres, no sentido de nada dever a ninguém: quem foi libertado lembra-se de que fora escravo e deve a liberdade a quem o libertou! “Mas, graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6.17).

Somos libertos, mas não livres, no sentido de independência que a palavra pode sugerir, porque agora servimos àquele que nos libertou. Somos livres em Cristo e para Cristo, que nos libertou!

Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36).

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