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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

NÃO SOMOS COMO D. QUIXOTE

 Vivemos um tempo em que o mundo (esse sistema sociopolítico e econômico) arrebenta-se como uma cidade sobre terremoto e sob maremoto. Quaisquer instituições terrenas, todas as relações humanas, todos os valores éticos, todos os princípios morais estilhaçam-se como finas camadas vítreas de gelo. Só uma instituição, que não é terrena, permanece e permanecerá inatingível: a Igreja de Cristo.
Trata-se aqui da Igreja invisível ao homem; o verdadeiro Corpo daquele que é a Cabeça: Cristo. Esse Corpo está disseminado entre os homens, mas é um precioso Corpo, comandado e sustentado pelo próprio Senhor. Não há homem que possa modificá-lo, adulterá-lo, ou corrigi-lo, segundo seu próprio interesse ou particular concepção.
A Igreja é um mistério de Deus, ainda não revelado, por isso, formada de homens que têm em seu ambiente outros homens que nela (Igreja) não são integrados.
Todavia, a cada passo, surgem os modernos "Uzá", que pretendem estender a mão para fazerem correções, segundo seus próprios julgamentos. O exemplo bíblico de Uzá (I Sm 6.3-8; 1Cr 13.7-11) deixa evidente que não compete ao homem tomar suas pessoais providências quanto ao que Deus não autorizou. Acrescente-se, ainda a parábola do joio (Mt 13.25) em que os agricultores são impedidos de arrancar a erva daninha por ser ela muito parecida com o trigo. Não há por que esquecer o que disse Gamaliel, na passagem registra em Atos 5.34-39.
Não tenho dúvidas de que virão objeções a este raciocínio. Haverá alegações de que é necessário ousadia para "enfrentar os hereges" (note-se a alusão ao enfrentamento de pessoas; não de doutrinas). Haverá acusações de que este texto vem em solidariedade a um cristianismo fraudulento; e procurarão os D. Quixotes do cristianismo menosprezar o que discuto.
É possível dizer-se que Uzá não teve ousadia para aquela ação que o matou? É possível dizer-se que o senhor daquelas terras não inibiu a ousadia dos trabalhadores que propuseram arrancar o joio? E não houve ousadia naqueles judeus extremamente religiosos, os quais se enfureceram contra os apóstolos? Logo, nem toda ousadia leva a ações aprovadas por Deus.
Há também um conceito comum de que toda obra julgada maligna é um processo a ser imediatamente destruído. Entretanto, Deus permite eventos errados, a fim de deixar claro o seu poder ou corrigir as falhas de seu povo. Os amigos de Jó tiveram ousadia para repreendê-lo, sem perceberem que ali operava a permissão do Senhor. Muitas vezes Deus permitiu a derrota de seu povo, com a finalidade de corrigir os maus caminhos por onde eles andavam. Deus não permitiria que a Igreja do nosso século enfrentasse percalços para ser purificada?
Convivemos, sem dúvida, com fanatismos, com pastores fraudulentos, com misérias doutrinárias, e, também isso são ocorrências previstas para o tempo do fim. Portanto, se há previsão para tais ocorrências, devemos fazer o que a Palavra de Deus orienta: "Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda" (Ap 22.11).
O apóstolo Paulo ensina: "... porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes" (Ef 6.12-13).
Pensemos muito mais em conquistar para o rebanho do Senhor as almas que não conhecem a Cristo do que em sermos quixotescos tratadores de ovelhas que já ouviram a proclamada mensagem da cruz, a qual tem poder para resgatar o mais incrédulo dos homens.
Ev. Izaldil Tavares de Castro.

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