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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

UM INDISPENSÁVEL MODELO DE SERMÃO


Convém que nos detenhamos na observação do texto de Mateus, em que se relata o Sermão da Montanha, aquele que Jesus proferiu sobre as bem-aventuranças. Talvez seja possível apontar algumas particularidades da pregação do Senhor, em oposição a muitas pregações que se fazem em nossos dias. O Sermão da Montanha está registrado nos capítulos 5 a 7 daquele evangelho. Há quem diga que também Lucas o apresenta, mas há controvérsias; e não é caso de discussão nesta reflexão, talvez em outra.
O que de fato chama a atenção é o Pregador e a forma como Ele conduz a sua exposição. Jesus apresenta as verdades do Reino de Deus e as características indispensáveis aos súditos desse Reino, em contraposição àqueles que procuram viver largadamente, ou presos a uma religiosidade estéril, legalista. Havia grande quantidade de ouvintes, quando Jesus assentou-se sobre um monte para entregar-lhes a mensagem. “Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;...” (5.1) Jesus assentou-se: uma atitude de quem tem o que transmitir sem afetação.
Não deve ter sido uma mensagem rápida, uma vez que há muitos tópicos e a estrutura do discurso denota que o Senhor tem a paciência de detalhá-los. A didática de Jesus é admirável. Até hoje, grandes estudiosos, literatos de peso debruçam-se a analisar a impecável estrutura daquele sermão. Há nele partes que se encadeiam e se desdobram lindamente. A Palavra de Jesus é preciosíssima não só no conteúdo sagrado, mas também na perfeição linguística!
Todavia, tamanha grandiosidade não fez do Mestre uma figura que atraísse sobre si as atenções; afinal, ele não se desfez da humildade com que se cingiu. As palavras penetrantes e a clareza daquele homem humilde é que faziam extasiar a multidão; seus ensinos superavam as instruções dos respeitáveis escribas, conhecedores dos ensinos religiosos. A diferença é que Jesus ensinava com autoridade muito superior a de qualquer religioso. “... a multidão se admirou da sua doutrina, porquanto os ensinava com autoridade, e não como os escribas” (7.28-29). E seu ensino ia de encontro ao que diziam aqueles escribas e fariseus. O sermão do Senhor enfatizou o caráter de oposição ao usual e corriqueiro da religião. “Ouvistes o que foi dito... eu, porém, vos digo...”.
A prédica do Senhor desenvolve-se serenamente; entre termos que iniciam e fecham partes das instruções, Jesus oferece claras explicações do conteúdo. Entretanto, o equilíbrio do orador não ofusca o equilíbrio da mensagem.
Em nossos dias, vemo-nos obrigados a conviver com oradores que fazem da sua voz instrumento da apresentação de própria personalidade, em detrimento da mensagem que deveriam entregar. Do alto de suas tribunas, reluzem dos trajes aos trejeitos físicos, acompanhados de sons guturais, ou pausas adrede preparadas, que fazem delirar uma plateia de admiradores ávidos de palavras que aticem a necessidade de espasmos.
A mensagem celestial é pacífica, solene, tranquila: espada de dois gumes tão afiados que penetram na alma do ouvinte, avaliando as necessidades de correção. Jesus discursou calmo e sereno; mas suas instruções, lidas no evangelho, ainda nos chamam à conversão, à busca das preciosidades que ele oferece com autoridade e doçura.
É necessário que os nossos pregadores jamais se esqueçam de imitar a Cristo; que muitos deixem suas vaidades de “oradores”, que abandonem a intenção de um sucesso ilusório. É necessário que, como Paulo, esqueçam a sublimidade discutível de suas palavras e compareçam, em manifestação de poder de Deus (1Co 2.1-5), quando anunciam as verdades do Reino, produzindo discípulos (Mt 28.19-20). É necessário que muitos dos nossos pregadores diminuam a visibilidade de si mesmos diante dos homens, para que Cristo apareça gloriosamente.
Ev. Izaldil Tavares de Castro.

 

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