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terça-feira, 30 de setembro de 2014

BALAIO DE GATOS




Vive-se um período turbulento. Todos nós temos o que falar, mas não temos o que ouvir. Não há necessidade de ouvir, se eu tenho a verdade, se eu tenho a solução. E só eu as tenho! O que outros dirão sobre o assunto pouco me importa, a “priori”, estão errados, mormente se me contradizem.

Esse estado de conturbação é um mal que assola praticamente todas as relações. Começa no lar, onde marido e mulher têm suas próprias e “comprovadas” verdades, têm suas “inequívocas” razões. O outro está sob a condenação do erro. Sim, às vezes está mesmo. O problema é que essa questão pode associar pares ou díspares. Chamo pares, se na relação há apenas um comprovadamente correto, e o outro, comprovadamente equivocado, é apenas insistente em seu erro, irremovível dele.  Por outro lado, chamo díspares os conjuntos em que há parcial correção em cada lado, mas o princípio da intransigência é o mesmo: a ninguém se ouve, porque se tem a razão. Eis o balaio de gato.

Domesticar o ouvido é a maior dificuldade para o ensino da educação. Esse problema fecha a audição e abre a fala.

Nas ocorrências mais banais esse desajuste aflora. Por exemplo, em qualquer ocorrência de trânsito, sempre há os relatores de plantão. Um dirá, o motorista da esquerda está errado; ao passo que outro interferirá cheio de sabedoria: não, senhor, é o da direita. Ele cruzou, e...

Provavelmente nenhum dos relatores sequer ouviu a ocorrência!

Nas decisões em que alguém será incriminado ou descriminado (não me refiro aos trabalhos jurídicos, mas aos leigos) o “pega” é geral. Pobre vítima! A  grita é geral: “Culpado!” ou “Inocente”. O lado que culpa sempre excede - não sei por quê - o lado que libera da culpa. Foi o que fizeram com Jesus: “Crucifica-o! Crucifica-o!" Por quê? Perguntava o frouxo Pilatos? Não sei, mas todo mundo quer crucificá-lo, grito junto!

Chegando ao nosso atual balaio de gatos, o que dá profundíssimos estudos em Sociologia!

No domingo passado, no debate entre presidenciáveis - não gosto dessa palavra: eles não são presidenciáveis, já que um só será eleito; eles são candidatos à eleição para a Presidência da República – em dado momento, o candidato Levy Fidelix perdeu a estribeira por causa da provocação de uma candidata, e defendeu seu ponto de vista com relação ao famigerado assunto do homossexualismo. Claro que ele tem pontos de vista respeitáveis, morais, decentes, honrados, de acordo com o pensamento da maioria (maioria mesmo!) da população brasileira. Há pesquisas sobre esses percentuais.

Entretanto, em sua exaltação, não fez a melhor escolha do vocabulário, para registrar a sua indignação, quanto ao assunto e quanto à provocação adrede preparada pela candidata.

Isso foi o estopim para o balaio de gatos vir à tona.

Candidatos, outros, viram nisso um filão bem oportuno: malhar o Levy, escorraçá-lo. Ele é “homofóbico”, merece prisão, expulsão, surra etc. Sindicatos, OAB (imaginem OAB!), associações de homossexuais, partidos políticos e curiosos em geral pularam para dentro do balaio. Por quê? Não sei! Todo mundo grita, eu também grito; Pega!

Mas, há algo interessante: a massa pula para dentro do balaio, à medida que é empurrada! É massa de manobra, mesmo. Só serve para balaio de gatos do interesse maior! Senão, vejamos:

Um deputado não eleito, Jean Willys, já falou coisas bem mais acintosas e terríveis, bem como já fez gravíssimas ameaças a uma considerável (não minoritária) parcela da população brasileira: os cristãos! Lembremos que cristãos, aqui, são católicos e evangélicos; são os que se opõem ao ativismo gayzista. Não é pouca gente.

Um parceiro daquele deputado berrou numa tribuna que está disposto a pegar armas (ele errou quando disse: pegar “em” armas) se necessário for, para acabar com esses “desgraçados cristãos”. Ambos já aviltaram a Bíblia Sagrada e promoveram acinte a ela, de todas as formas possíveis e inimagináveis.

Que gritou pela cassação desses afrontadores do cristianismo? Quem provocou um balaio de gatos? Ninguém! Por quê? Porque o governo, os partidos, as instituições todas pugnam por um país cristofóbico. Homofobia é crime; cristofobia, para nossas instituições não é. O país é laico, é lasso, é crasso. Mas sabe usar muito bem um balaio de gatos, mal inerente ao coração humano desprovido de ouvido, mas farto de boca. País incapaz da ponderação. Enfim, cassarão o senhor Levy Fidelix, e aplaudirão os políticos cristofóbicos? Darão a última paulada na democracia brasileira moribunda?

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