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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

AH! AQUELES VELHOS HINOS!



                                                                                                                                    
                                          “Há quem vele as pisadas

                                            Que eu dou na sombra ou luz,

                                            Pelas sendas escarpadas,

                                            Velará por mim Jesus.                                                                                

                                          Pelos vales, pelos montes,

                                            Me conduz a sua mão.

                                            Vejo já os horizontes

                                            Duma perene mansão.”

                                                                                                                                                                                                                 (Harpa Cristã, 194)

 

 

               Pode parecer saudosismo. É possível que seja! Mas, as igrejas evangélicas já cantaram belíssimas canções de inspirado louvor a Deus, as quais ainda brilham nas amareladas páginas de hinários como a Harpa Cristã, o Cantor Cristão, o Salmos e Hinos, entre outros.

               Cantavam-se músicas que enchiam de gozo a alma, que traziam ânimo ao abatido, que levantavam do leito o enfermo, que, sobretudo, exaltavam a Glória do Senhor. As igrejas cantavam poesias triunfantes e animadoras:

Jesus, sim, vem!... Nossa esperança é Sua vinda!...”; “Queres neste mundo ser um vencedor?...”. Outras de plena confiança em Deus: “Castelo forte é o nosso Deus...”; “Eu confio firmemente/Que no Céu vou descansar/Com Jesus...”. E outras tantas preciosidades da Fé.

               Até mesmo quando havia cerimônia fúnebre — instante em que o mundo se vê sem esperança e se contorce em dor e desespero — os hinos eram maravilhosos, plenos de consolo e esperança e, não raro, traziam à conversão muitos circunstantes desesperançados: “No Céu foi Jesus preparar-nos lugar/ Na Glória...”; “Ver-nos-emos junto ao rio sem igual...”. Sem dúvida, os crentes iam mesmo para o Céu!

               Houve um tempo — quando a Igreja pentecostal ainda era mais pentecostal — em que o “coro”: um conjunto de doze, quinze ou vinte vozes comuns, sem maior preparo na Arte e na Ciência da Música, esforçava-se para entoar a quatro vozes, “à capela”, aquelas maravilhosas páginas do Antemas Celestes ou dos Coros Sacros, depois de muitos dias de ensaios e oração. Lembra-me que muito ensaio ficava com pouquíssimo tempo; porque os irmãos iam-se ajoelhando, desde quando chegavam à igreja — um após o outro — e a reunião transformava-se em prolongado momento de oração fervorosa. Entretanto, no domingo, os “baixos” entoavam felizes:

                       “Certo ali! Certo ali! Pois estarei/Perante o Rei, belos hinos cantarei/Ao louvor de meu Jesus/

                        Lá no Céu! Lá no Céu.”

 

Ah! Quantas saudades daqueles hinos! É que eles foram ficando velhos: seus compassos ternários ou quaternários, muito sacros, já não se conformavam aos ouvidos de hoje (ou talvez aos corações) acostumados com outros sons insistentemente divulgados pela mídia “gospel”. Hoje quase não há irmãos que louvam a Deus: há cantores, profissionais do canto “sacro”. Como tais, cantam qualquer letra ou ritmo que “faça sucesso”. Saudosos tempos, quando a congregação entoava com muita certeza: “Foi na cruz, foi na cruz/Onde um dia eu vi/Meus pecados castigados em Jesus...” Outras vezes, a música soava docemente: “Vem já! Vem já! Alma cansada, vem já!

               A Igreja cantava e tantas pessoas vinham contritas à frente, entregar suas vidas ao Senhor Jesus. Muitos que passavam na rua, paravam para ouvir: “Pecador, vê, a luz brilha para ti...” Era o “hino dos crentes”.

                                                 Que saudade de tempos tão “crentes”!

            Antigamente, convidava-se alguém para ouvir “a Palavra”, na igreja. Hoje pouco se convida o descrente para ir à igreja, a menos que haja um grande espetáculo. Claro que muitos eventos servem para atrair pessoas que jamais iriam a uma igreja. Não é ao evento que me oponho: grito contra a substituição do louvor a Deus pelo louvor ao artista, num espaço em que a Palavra de Deus não é sequer mencionada.

            Há eventos que servem para entretenimento do povo cristão e isto é elogiável. É mais do que aceitável que pulem, gritem, aplaudam o cantor. Porém deve haver a consciência de que se trata de um tempo de descontração. Não é culto ou adoração ao Senhor especificamente. Não devemos misturar as atividades sacras com as profanas. Há momento para o homem e há momento para Deus.

Um rei que não soube fazer essa distinção precisou chamar a Daniel, o profeta de Deus, para que identificasse a terrível sentença que a mão divina escrevia na parede do palácio. (Dn 5). Diz um antigo e belo hino — que desde criança ouvi, na linda voz de Feliciano Amaral:

 

                        “Numa orgia nefanda o rebelde Belshazar

                        Com os grandes do seu reino todos eles a folgar.

                        Num instante pararam, quando o rei percebeu

                        Mão de Deus na caiadura, que, escrevendo, apareceu...

                        ......................................................................................

                        Tua vida, ó amigo, na parede escrita está:

                        O registro dos teus atos mão de Deus escreve já.

                        Que Jesus, pois, te faça tal escrita compreender;

                        Que, em havendo tempo, possas

                        Sua Graça receber”.

 

Sabe uma coisa? Certa vez, Jesus expulsou os negociantes que atuavam no templo. Não é de duvidar que hoje expulsasse os comerciantes da música sagrada. Que bom seria ainda entoarmos alguns daqueles belos hinos que estão nas páginas amareladas de hinários escritos por homens inspirados pelo Espírito Santo de Deus!

                Enfim, que saudades daqueles hinos!

4 comentários:

  1. Lindas e sábias palavras. Algumas pessoas me perguntam por que cantar os hinos da harpa e digo que foram escritos em tribulações inspirados por Deus, e não são letras escritas na correria para preencher apenas um número de faixas necessárias para lançamento de cds. Deus o abençoe Pr. por essas palavras.

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  2. Muito boa sua reflexão, concordo plenamente! E observo ainda que nas musicas atuais as letras ao invés de ser para adoração a Deus, servem de auto ajuda.

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