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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

RELACIONAMENTOS E SUAS DIFICULDADES


Os relacionamentos humanos são produzidos por interesses. Não existe relacionamento desinteressado; já que se trata de um fenômeno social necessariamente vinculado a alguma espécie de compensação bilateral. Sem o alcance dessa compensação, qualquer relacionamento se parte. Assim, importa levantar alguns dos interesses que justificarão o início, a durabilidade – melhor que duração - e a extinção dos relacionamentos. Ainda que essa proposta sugira um posicionamento cético com relação ao fato, não o é, conforme se verá.

O interesse - que se multiplica à proporção das necessidades encontradas – é o instinto gerador da busca daquilo que deve ser preservado, indispensável, seguro, vantajoso ou benfazejo e está presente em toda a Vida: os irracionais protegem suas crias, alimentam-nas até que amadureçam; assim também faz o homem. Interesses geram relacionamentos.

Imbuído naturalmente desse instinto, que é característica inerente à sua personalidade, o homem sai à caça de suas riquezas emocionais, físicas, materiais; dando início, assim, aos relacionamentos com os quais tentará satisfazer seus interesses.

A durabilidade desse processo é determinada pelo grau de satisfação que o indivíduo percebe no dia-a-dia. A manutenção da relação é o aspecto mais crucial do percurso, uma vez que depende da qualidade da troca dos interesses.

A extinção da relação se dá sempre que é detectada a frustração por uma das partes. Mas a dificuldade maior concentra-se na obstinação em não se pretender o reparo do desvio. Fica, assim, provado que não havia nada, senão o interesse na satisfação pessoal.

Ora, se vivemos a defender interesses pessoais, que interesses são justos ou injustos. Chega-se, pois, a um impasse: serão justos apenas os nossos? Os interesses do outro, que não coincidam com os nossos, têm de ser injustos? A noção que temos de bom ou mau caráter advém da compreensão que temos dos interesses individuais e, nesse ponto, entra a seleção que manterá ou dissolverá os relacionamentos.

A sociedade genérica institui leis que regulam os interesses de seus cidadãos. Essas leis funcionam até certo ponto; isto é, impõem normas no plano do que é o relacionamento material; mas, vê-se impossibilitada de interferir na seleção do caráter e do afeto.

Difícil esse ponto. Mas, por que há tanta dificuldade na manutenção dos relacionamentos sociais, mormente os afetivos? Normalmente, por causa da facilidade inicial, quando tudo parecia convergir para o sucesso de um interesse pessoal, particular. Nessa perspectiva, a percepção unilateral só enxerga a satisfação do seu próprio interesse. Foge da bilateralidade.

Já que não há relacionamento unilateral, aquilo que parecia, já não é, porque nunca foi. Claro que os relacionamentos têm que suprir interesses bilaterais, ou nunca aconteceram; foi uma aproximação abortiva, inconsequente. Essa tragédia pode durar anos, antes de estourar; pode mesmo ficar camuflada, sem jamais vir à tona, multiplicando interesses em desordem absoluta.

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? (Jr 17.9).

Um comentário:

  1. Relacionamentos são estabelecidos à base de trocas. É o famoso "toma-lá-dá-cá". Conquanto as trocas não sejam daninhas à integridade do ser, antes, contribuam para o crescimento mútuo, acredito ser de capital importância que se faça trocas, voluntárias, e não compulsórias, visando o bem comum.
    Grande abraço.

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