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terça-feira, 13 de março de 2012

QUEM É VOCÊ?

É frequente a pergunta que serve de título a esta página. Indivíduos carregados de orgulho menosprezam seus desafetos com a desaforada interrogação: - Quem é você? Quem você pensa que é?
Entretanto, não é essa a intenção do que aqui registro. Hoje, interessa conversar sobre uma categoria de pronomes: os pronomes de tratamento.
Chamam-se pronomes de tratamento aquelas formas oficiais que somos obrigados a empregar quando nos dirigimos cerimonialmente a outrem. Para cada "status quo" há uma forma distinta de tratamento.
Às altas autoridades civis ou militares cabe o tratamento Vossa Excelência; no caso dos reitores de universidades empregamos a forma Vossa Magnificência; príncipes, princesas, duques e outras personalidades palacianas são tratados como Vossa Alteza; enquanto aos reis e rainhas cabe o tratamento Vossa Majestade.
A forma Você expressa a maneira como alguém se dirige aos seus iguais socialmente ou àqueles que lhe estão subordinadas ou em posição social menos privilegiada. Quem, então, é Você?
Agora, pensemos: não raramente temos visto pessoas que se dirigem ao Senhor Altíssimo, ao Deus Todo-Poderoso, criador de todas as coisas, chamando-O de Você! Que liberdade é essa? Esse tratamento não honra a Divindade. Ora, ninguém se dirige à pessoa que preside a República usando essa forma de tratamento; mas se dirige a Deus!
Talvez seja desconhecimento das normas de concordância, pois deveriam saber que os pronomes de tratamento operam em terceira pessoa; porém, misturam-no com pronomes de segunda pessoa.
Se se usa a forma Você, não é cabível usar a forma Tu, nem os verbos em segunda pessoa. Também, um Você não ocupa a posição de Senhor. Daí o ridículo trecho: "Senhor, você sabe todas as coisas; peço-te que me ouças!"
O bom uso da língua obriga reforma desse desacerto: "Senhor, Tu sabes todas as coisas; peço-te que me ouças!" O antigo catolicismo romano, em sinal de profunda reverência, não abria mão do que se chama plural majestático. Diziam, então, "Senhor, Vós sabeis todas as coisas; peço-vos que me ouçais!".
De fato, não há necessidade de tão exigente recurso: as próprias traduções clássicas da Bíblia o dispensam. Daí, a usar a  forma Você, só me cabe a pergunta: - Quem é você para fazer isso?

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