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domingo, 24 de abril de 2011

GARIMPEIROS DE PROMESSAS

“... de tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador” (Hb 7: 22).

Emprega-se a palavra promessa no sentido de obrigatório cumprimento da realização de algo, num momento posterior ao concerto. Pode também ser tomada, extensivamente, como nome daquilo que foi prometido. Promessa também significa concerto ou acordo. Por esse motivo é comum ouvir-se a cobrança: “Vim buscar a minha promessa”.
Promessa é algo em que se crê, pois é necessário aguardar a sua realização. Algumas promessas se realizam em tempo pré-estabelecido; outras obrigam o aguardo, por não serem pré-datadas. O arrebatamento da Igreja é uma promessa do Senhor. Deve ser aguardada; não cabe ao ser humano determinar-lhe a data.
Para a concretização de uma promessa há uma condição sine qua non: aquele que a aguarda tem de ser, necessariamente, beneficiário dela. O que foi prometido a um indivíduo ou a uma sociedade não cabe a outrem. A promessa tem caráter exclusivo: Jesus vem buscar a Igreja. Essa promessa não cabe a outrem! Israel ainda não recebeu tudo quanto foi prometido por Deus ao patriarca Abraão; assim, aguarda o cumprimento daquilo que só a ele foi prometido.
A partir dessa brevíssima consideração, e objetivando o campo religioso (aqui, esse adjetivo aparenta ser mais bem adequado do que teológico) compensa meditar na voracidade com que muitos pregadores usam a noção da palavra em apreço, a fim de estimular seus ouvintes a uma vida de garimpagem de promessas. Os púlpitos brasileiros descobriram algumas palavras mágicas, causadoras de euforia nos ouvintes; mas não dão importância ao veneno que aspergem sobre o público. São homens que exploram a ignorância dos fiéis, em vez de lhes ensinar a verdade.
A Bíblia usa inúmeras vezes a palavra promessa, mas é necessário ver a diversidade de seu emprego; e, sobretudo, a distinção dos destinatários dela. Não adianta buscar a bênção de outrem. Jacó foi testemunho disso (Gn 27: 41). Tentar receber a promessa alheia é golpe, é estelionato! Não tome posse do que é alheio!
As promessas de Deus são infalíveis, de fato. Todavia, as promessas a Israel (tanto as agradáveis quanto as desagradáveis) àquele povo pertencem. Claro que os garimpeiros de promessas só pretendem garimpar as benéficas! Alguém quererá ser vítima do Anticristo? Evidentemente dirão: essa é promessa de castigo para Israel! Por outro lado, a herança de ricas bênçãos materiais é buscada por gregos, troianos, americanos e brasileiros!
Já cansam as pregações que, apoiadas em trechos isolados do Antigo Testamento, apregoam as “bênçãos de Abraão” para todos nós. Se Abraão vivesse em nossos dias, seria, sem dúvida, o homem mais abençoado da Terra em riquezas materiais. Isso faz crescer os olhos dos amantes das coisas materiais; porém, foi a Abraão que Deus prometeu, não a essa gente! Enquanto garimpam as bênçãos abraâmicas, desprezam as bênçãos advindas do Calvário; advindas da porta estreita da Nova Aliança (Lc 13: 24). Os israelitas, no deserto, desejaram voltar ao Egito, porque, ainda que lá tivessem sofrido horrores, tinham pepinos e cebolas! Os garimpeiros de nosso tempo querem transformar-se em “abraões” modernos. Que engano! Caso se acredite que conhecem as Escrituras, falta seriedade bíblica a tais pregadores; logo, transformaram-se em profetas mentirosos, que aviltam as páginas sagradas (Jr 23: 16-17; Fp 3: 2; I Tm 6: 3-12).
Não há dúvida alguma de que nosso século apresenta bom número de pregadores intelectualmente bem mais preparados que os seus antepassados, mormente, no âmbito pentecostal. Por outro lado, a insubordinação ou o desapego à hierarquia tem gerado homens ignorantes das Escrituras, os quais saem proclamando heresias e outros desvios bíblicos. Mas, por incrível que pareça, os pregadores estudiosos que deram lugar à sua própria sabedoria têm causado tanto mal à salvação dos homens quanto os pregadores rebeldes aos ensinamentos de suas lideranças sérias.
Convém que se promova um estudo sério a respeito das “promessas na Bíblia”, a fim de se dirimirem dúvidas e de se colocar cada promessa em seu lugar. Jesus não veio trazer as promessas materiais feitas a Abraão; mas, as espirituais: Ele é o Messias aguardado, porém, rejeitado por Israel. Essa rejeição abençoou todos os povos da Terra com a bênção da salvação(Mt 5: 3; Jo 1: 12). Convém estudar e meditar.

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