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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O FALAR CRISTÃO

O falar evangélico constitui uma forma particular de linguagem, principalmente na expressão oral. Isso não é um fenômeno exclusivo da cristandade evangélica. Trata-se de um fenômeno sociolinguístico, abrangente de todas as camadas sociais como, por exemplo, as gírias profissionais e esportivas: a gíria da Medicina, do Direito, do futebol e, mesmo, das camadas menos privilegiadas da população. Entretanto, por se tratar de linguagem sacra, merece ser cuidadosamente observada.
Apesar da atenção que exige, muitas vezes esse linguajar apresenta deslizes e exageros relativamente ao seu uso específico. Tal fenômeno ocorre, em grande parte, por imprudência do falante. Também influem a falta de conhecimento bíblico ou certo exagero na demonstração de uma “linguagem santificada”.
Não se duvida de que a maneira de falar do homem transformado pelo Evangelho de Jesus Cristo tem de ser diferenciada. Isaías reconheceu que fora “homem de impuros lábios” e esse reconhecimento permitiu-lhe a purificação da linguagem, quando um serafim tocou-lhe os lábios com brasa tirada do altar (Is 6: 5-7). Crentes precisam de ter lábios purificados. Essa purificação, entretanto, é feita pelo Espírito Santo o qual, jamais exagera, mas age de modo adequado, simples, perfeito e maravilhoso. Uma linguagem purificada pelo Espírito Santo não se mostra afetada ou sugestiva de crítica; é doce, suave, compreensível e profunda de significado.
A Bíblia claramente ensina, no livro de Êxodo, 20: 7: “Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque Deus não terá por inocente o que tomar seu nome em vão”. O que significa a expressão “em vão”?
Embora a expressão “em vão” não se comporte, gramaticalmente, em conformidade com a natureza da língua portuguesa — já que ela não admite um adjetivo preposicionado — é de largo e consagrado uso; equivale ao advérbio “inutilmente”, ou seja, faz referência a uma linguagem usada “sem objetivo específico”, entre outras possibilidades.
Tomar o nome do Senhor “em vão” significa mencioná-lo em situação vulgar, trivial, irreverente. Essa é, inclusive, a razão por que os judeus obedecem à risca a proibição divina e não pronunciam o nome divino.
Grande parte dos evangélicos, por motivos que aqui não se discutem, não têm o devido cuidado no linguajar cristão. É urgente buscarmos a Sabedoria; Tiago dá a aula: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto, e ser-lhe-á dada.” (Tg 1: 5). O povo salvo deve interessar-se pela instrução, principalmente a bíblica. Jesus passou o seu ministério terreno a ensinar aos seus seguidores. Os apóstolos dedicaram-se a esclarecer o comportamento cristão. O mesmo Jesus ordenou a divulgação e o ensino do evangelho. Conhecer o evangelho é obter instrução e sabedoria.
Sem dúvida, só é possível a prática do ensino, se houver quem se disponha a aprender; então, ser aprendiz é também mandamento do Senhor: “Portanto, ide e ensinai a todas as nações...” (Mt 28:19). Que as nações, os povos, as sociedades se tornem discípulos dedicados.
Vejam-se alguns hábitos de linguagem cristã que devem ser revistos:
1. “Em nome de Jesus”.
Foi o próprio Senhor que autorizou falar-se em seu Nome. Falar em nome de Jesus é representá-lo nas ocasiões em que essa tarefa se faz necessária. Jamais em situações banais! O nome de Jesus é exaltado: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, dos que estão os céus, na terra, e debaixo da terra; e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Fp 2: 9-10). Ele disse: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14: 13-14).
Há um fim específico para se invocar o nome do Senhor: a glória do Pai, por meio do Filho. Entretanto, a expressão “em nome de Jesus” tem-se vulgarizada entre os crentes, o que constitui o uso vão.
Ouvem-se as seguintes expressões, com frequência, nos cultos: “Venha sentar-se neste lugar, irmão, em nome de Jesus!”; “Podem se sentar, em nome de Jesus!”; “Amanhã vou viajar, em nome de Jesus!”; “Vou cantar um hino, em nome de Jesus”.
Irmãos, esse uso é indevido! Talvez seja melhor dizer-se: “Venha sentar-se neste lugar, irmão!” ou “Podem sentar-se, fiquem à vontade”. “Vou cantar um hino PARA LOUVAR A JESUS”. Não usemos o nome do Senhor de modo inconveniente! O nome de Jesus deve ser invocado em situações em que o cristão deve usar autoridade, já que a nossa autoridade vem dele; não é propriedade humana.
2. “Fala, Deus!”
Já se tornou comum, em meio a uma pregação mais enérgica, ouvir-se alguém gritar da platéia: “Fala, Deus!”. Será que o entusiasmo do pregador provém mesmo da boca do Senhor? É necessário cuidado. Glorifiquemos a Deus, jamais ao homem.
A Bíblia registra que o rei Herodes morreu instantaneamente comido por vermes nojentos, ferido por um anjo do Senhor, porque se sentiu envaidecido com o aplauso do povo que o ouvia. Diante do discurso que fizera, a população gritou: “É voz de deus, não de um homem!”. O povo gritara: “Fala, deus!”. (Atos, 12: 20-23).
A frase deve expressar uma solicitação, um pedido ao Senhor, se estivermos atentos à sua voz, como registra o hino 127, da Harpa Cristã; mas, geralmente, quem a profere não está com essa intenção. Fala por mau hábito!
Pior que o emprego desatento, rotineiro, inadvertido é o caso em que a expressão se torna galhofeira. Numa roda de crentes que brincavam sobre arranjar namoradas, um jovem ansioso por noivar saiu-se com essa frase, em resposta à brincadeira de um colega: “Fala, Deus!”. Absurdo! Pecado!
3. “Deus é fiel.”
A frase, elaborada por uma entidade cristã, tem sido usada também de modo irreverente. Há inscrições abusivas em carrinhos de pipoca, em camisetas, em automóveis, até em botequins!
A constatação da fidelidade divina é tão óbvia que não precisa ser dita. Evidentemente, Deus é fiel, pois a fidelidade é um dos seus atributos. Trata-se de uma dado inquestionável quanto ao caráter divino. O problema é outro: nós somos fiéis a ele? Onde estão os adesivos para dizer-se: “Sou fiel a Deus!”? Fica difícil, porque a frase se tornará testemunha de uma verdade ou de uma mentira!
Os exemplos dados devem ser suficientes para alertar o nosso linguajar cristão. Que o Senhor nos ajude a buscar a Sabedoria que vem do alto, para que nos tornemos cada vez mais aperfeiçoados na caminhada cristã. Amém!

Um comentário:

  1. O problema é que quando é necessário falar para orientar a fazer o certo acabamos não falando,mas tendo uma atitude ou uma palavra incorreta,que nos leva a errar também.Por fim,todos érram,então só existe uma saída graças à DEUS que nos oferece perdão através de JESUS nosso Salvador,Amém.

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