quinta-feira, 12 de março de 2020

O tempo de cantar ainda vem


Impossível entendermos que a Igreja de Cristo esteja alegre, feliz no ambiente malcheiroso em que ainda convive neste século. Somente uma grave alienação não permite a percepção da realidade.
Entretanto, há muito tempo, púlpitos vêm divulgando uma inverdade hermenêutica, já que a Igreja não pode viver num mar de rosas, saltitante em meio aos escombros pecaminosos atuais (Jo 16.33). A Igreja que vive entre festas e sorrisos é tão alienada quanto as cinco jovens que descuidaram de ter azeite para as suas lamparinas. Quem, sadiamente, canta no árduo combate no sol, na chuva, no lamaçal?
Sim, obviamente, a Igreja - e cada membro - tem grande alegria; mas, sobretudo, essa é a alegria na esperança da glória, não na convivência íntima com este mundo (Rm 12.12; Cl 1.27; 1Pe 1.3).
Vivemos os tempos que antecedem o arrebatamento da Igreja. Arrebatamento não é um trajeto que se percorre até um ponto; é um rapto, é um fato repentino.
Por que, então, sermos arrebatados, raptados deste mundo? Porque o Senhor anseia tirar-nos desse "Egito", que está sob o reinado do diabo.
Que espécie de alegria terrena pode ter a Igreja? A Igreja é testemunha de Cristo na Terra; Cristo é, cada vez mais, rejeitado entre as nações; logo, não há, nem haverá lugar para as suas testemunhas viverem as delícias das festividades. "Porque a graça de Deus se tem manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e as concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente" (Tt 2.11-12).
Que o leitor não veja neste texto qualquer misantropia de minha parte, bem sei sobre a necessidade da nossa participação na sociedade organizada politicamente. Também estudei Sociologia; mas perceba o leitor que o nosso convívio social tem uma finalidade precípua: anunciar o evangelho, preparando a vinda do Reino de Deus, tal como Noé apregoou a ocorrência do dilúvio.
Há igrejas cantando "O tempo de cantar chegou!". Sinto discordar, dizendo que o tempo de pregar está findando. Cantemos menos; ensinemos mais, porque isso o Senhor ordenou: que ensinemos tudo quanto Ele mandou (Mt 28.19-20).

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