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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A HUMANIDADE BIPARTIDA


                 

Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas, os cabritos, à esquerda; então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. (Mt 25:31-34).

 

            O Senhor Deus fez o homem à sua imagem, conforme a sua semelhança e o colocou no Jardim do Éden, para que governasse tudo quanto o próprio Deus criou e viu que era bom.

Por ter sido feito à imagem de Deus, conforme a sua semelhança, o homem recebeu a capacidade de decidir seus atos, sem interferência alguma. Deus o fez absolutamente livre.

            Considerando-se a liberdade que Deus dera ao homem e a vida vivida em plena intimidade com o Pai, era nobre que o ser humano amasse a Deus e lhe devotasse obediência. Se assim procedesse, a humanidade faria parte do imenso conjunto de servos do Altíssimo, que o louvam ininterruptamente. “Aclamai a Deus toda a terra; salmodiai a glória do seu nome, daí glória ao seu louvor [...] Prostra-se toda a terra perante ti, canta salmos a ti, samodia o teu nome”. (Sl 66: 1-4).

Entretanto, um ser desprovido de amor a Deus, e expulso do Céu, por ser maligno e corruptor, aproximou-se da criatura humana, para destruí-la, em sinal de ofensa a Deus. “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu que dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, [...]. Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo”. (Is 14: 12-15).

Deus sabia da proximidade do Mal; ainda assim, dera ao homem o poder de escolha. Que amor de Pai! Não impôs a seus filhos a obediência. Deus aceita a obediência, não a impõe.

            O ser criado à imagem celestial deu preferência ao engano. Adão falava constantemente com Deus, conhecia-o de perto, sabia do amor do Pai. Não conversara jamais com a serpente maléfica, mas deu atenção a uma informação estranha, vinda do desconhecido, por intermédio de sua mulher, Eva. Esta, a mulher, sabia quem é Deus; compartilhava com seu marido a vida perfeita que o Senhor lhes proporcionara, no entanto, foi a primeira a dar atenção àquela voz desconhecida.

Adão recebeu o recado e acatou a terrível informação. Quanto desrespeito! Quanta calamidade! É possível imaginar a tristeza no coração de Deus?

            Acabou-se a bênção. Veio a maldição sobre tudo quanto Deus criara na Terra “E a Adão disse: Visto que atendeste a voz da tua mulher, e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias da tua vida” (Gn 3: 17). Agora, vive o casal a perambular pelo solo árido, sem rumo, à procura de alimento, de água; a esquivar-se de perigosas feras, a buscar o pão com o suor do rosto.

Nesse ponto o homem perdeu a beleza física, enrugou-se, envelheceu, sentiu dores. A mulher perdeu o viço, gerou filhos com dificuldade e gemendo os pôs no mundo. O sol tornou-se causticante, o vento passou a ressecar-lhes a pele, o frio veio incomodá-los nas noites geladas. Os filhos passaram a agir de modo diverso, até que Caim cometeu o primeiro homicídio: um fratricídio. Como se sentiram Adão e Eva diante de tal situação?

A relação entre Caim e Abel marcou para sempre a bipolaridade humana. Agora, existem o homem correto e o homem incorreto; o bom e o mau; o salvo e o perdido; o bem-aventurado e o infeliz, o trigo e o joio, a ovelha e o cabrito. A humanidade está bipartida, contrariamente ao desejo de Deus.

Uma promessa divina, entretanto, soada ainda no Éden, destruiu a possibilidade de vitória pretendida por Satanás. Ao homem desobediente Deus prometeu uma oportunidade de salvação, embora lhe fosse necessário sofrer as consequências de sua irresponsabilidade.

A promessa maravilhosa: da semente da mulher viria Jesus, aquele que esmagaria a cabeça da enganosa serpente! “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. (Gn 3: 15).

O homem não perdeu o livre arbítrio, porque Deus não retirou o que lhe dera. Ficou garantida a escolha do caminho. Agora, por força do conhecimento adquirido, o homem deve decidir-se pelo Bem ou pelo Mal. Por intermédio dessa oportunidade, Deus providenciou o meio de salvação para a humanidade — um meio que já estava previsto desde antes da fundação do mundo.

Veio, enfim, a semente prometida: Jesus Cristo, o Senhor! O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

            A Bíblia, em toda a sua extensão, aponta para a bipolaridade humana: Abel e Caim, Noé e seus compatriotas, Isaque e Ismael, José e seus irmãos, Povo de Israel e o Faraó, Davi e Saul; isso para apresentar alguns exemplos no Antigo Testamento. Podem-se buscar, também, exemplos no Novo Testamento: os discípulos e Judas, Estêvão e seus agressores, Paulo e seus opositores, entre tantos outros.

            Por que essa dicotomia? Porque Deus outorgou ao homem a liberdade de escolha. Esse é o motivo de Jesus dizer “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3: 20). Um dia, Eva atendeu a uma voz estranha; hoje, devemos dar ouvidos à voz do Senhor Jesus. O Senhor não invade corações: aceita-os. Quem os invade é o ladrão e salteador, Satanás, o qual vem para roubar, matar e destruir.

            Jesus é a providência divina para o resgate da relação do homem com Deus; Jesus é “o caminho, a verdade e a vida”, e ele mesmo declarou: “ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (Jo 14: 6).

            A bipolaridade humana também é mostrada metaforicamente na Bíblia: o joio e o trigo, os bodes e as ovelhas, a árvore boa e a árvore má.

            Relativamente ao primeiro estado espiritual, todos somos resultado de Adão, estamos debaixo da lei do pecado: “... porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. (Rm 3: 23); relativamente a um segundo estado espiritual todos podemos ser fruto do sacrifício de Cristo Jesus. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna [...] Quem nele crê não é julgado, o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”. (Jo 3: 16-18).

Mas é necessário aceitar-se esse sacrifício de modo pessoal e com sinceridade. É necessário declarar-se pecador, em estado de afastamento de Deus, por causa do pecado, e proclamar a aceitação do seu resgate pela obra redentora do Senhor Jesus Cristo. “Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação”. (Rm 10: 10).

            Todo aquele que aceita esse resgate, adquire o direito de ser feito filho de Deus, e forma com os seus irmãos a gloriosa Igreja de Jesus Cristo aqui na Terra. Felizmente é possível mudarmos de lado; é possível vermos desfeita a desobediência de Adão e glorificada a obediência de Cristo, tornando-nos seus seguidores e aperfeiçoando-nos nele e por ele, a cada dia, até chegarmos à estatura de varão perfeito como ele o é. Amém!

            Se você ainda não havia pensado sobre este assunto, vale a pena meditar, para decidir de que lado da humanidade pretende ficar. Não prolongue o momento da sua decisão; pois, a duração da vida não nos pertence.

Izaldil Tavares de Castro   

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