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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

TRABALHO VÃO? OU TRABALHO EM VÃO?


 A língua obedece a certas leis que lhe são naturais. Por exemplo, as leis da sintaxe não permitem ao usuário a alteração livre dos termos num período. Essas permissões têm limite.

Entretanto, ela admite certas construções alheias às suas próprias leis: são as idiossincrasias da língua. Aqui veremos o caso da palavra “vão”. Essa palavra pode contextualizar um substantivo, um adjetivo ou um advérbio. No caso de ser classificada como substantivo, pode vir regida de preposição; como adjetivo ou como advérbio, o emprego da preposição não se recomenda. Em suma, adjetivos e advérbios não vêm regidos de preposição.

1.      Como substantivo, significa espaço. Há um vão entre a parede e o piano. Coloquei o objeto em um vão entre a parede e a escada. Sem problema, se for substantivo!

2.      Como advérbio, significa inutilmente: Eu trabalhei “em vão”. Note a impropriedade da preposição; é como se disséssemos: “Eu trabalhei em inutilmente.”, o que é um absurdo. Advérbios não aceitam preposição. Assim, por idiossincrasia, a palavra ‘vão’ aparece preposicionada. O correto será substituir a palavra pelo advérbio sinônimo, obviamente sem preposição: “Eu trabalhei inutilmente”. Vamos abolir o “em vão”?

3.      Como adjetivo, significa inútil, sem resultado ou efeito. Nosso trabalho foi “em vão”. Essa construção é tão reprovável quanto seria a sua sinônima: Nosso trabalho foi “em inútil”, porque adjetivos recusam preposições. Deve-se dizer: “Nosso trabalho foi vão”.

4.      Repare que adjetivos são palavras variáveis: têm flexão de gênero (salvo exceções). Por isso, se a palavra em apreço se refere a um núcleo feminino, concordará com ele: “Nossa tarefa foi vã.” / "Nossas tarefas foram vãs”. Alguém diria que elas foram “em vãs”?

5.      Considerando as idiossincrasias do idioma, vale lembrar que algumas evitam ambiguidades. Os cartórios carimbam “Folha em branco”. Claro que essa expressão idiomática não poderia ser substituída pelo adjetivo “branca”. “Folha branca” pode ser, também, folha azul, vermelha, etc. Pois é, que língua exigente! Ela nos cobra muito; mas tem algo bom: evita que as doenças da senilidade cheguem mais rápido. Os médicos que o digam!

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