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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

RELIGIOSIDADE DESCONSTRUÍDA

A tendência do brasileiro para a religiosidade é bastante notória; entretanto, essa tendência, há algumas décadas, vem sendo desestruturada por fatores que não têm sido bem analisados.
Convém verificar que, desde o achamento desta terra tupiniquim, pela esquadra de Cabral, decidiu-se que o catolicismo romano instalaria por aqui parte do seu império. Essa era a vontade de nossos colonizadores, os portugueses. Desde lá, estabeleceu-se que o Brasil é um país católico.
Não é. Primeiro, porque o Estado é laico: não tem religião oficial. Por outro lado, porque para cá vieram seguidores de diversos ramos religiosos, os quais mantiveram, em suas comunidades, as suas crenças. Mas não é essa a razão do que escrevo. Trato da descaracterização do espírito de religiosidade do homem brasileiro.
O catolicismo encontrou, senão terra fértil para a sua implantação, espaço para dominação da religiosidade brasileira. Senhora da situação, Roma deve ter considerado essa gente catequizada.
Passaram-se os séculos enquanto a população simplesmente se contentava em "ser católica". Roma dormia segura. Eis aqui um dos sintomas da descaracterização da religiosidade: bastava dizer: "sou católico"; só isso.
Com a vinda dos missionários evangélicos originários da Europa, espalhou-se o que se chamou de protestantismo, restabelecendo-se uma relação, agora, com um cristianismo atuante, com possiblidade de se ler, estudar e interpretar a Bíblia que o catolicismo proibia. Acendeu-se a religiosidade, voltada para o cristianismo evangélico, logo combatida por Roma, por meio de uma disputa implacável sobre qual era a religião verdadeira. Muitos foram os embates entre católicos e protestantes, estava acesa a chama da religiosidade de ambos os lados.
Até aqui, parece correto afirmar que o esfriamento permitido por Roma tomou novo fôlego com o protestantismo.
No decurso dessa época, várias são as denominações evangélicas que aqui se formam, destacando-se dois grandes ramos: igrejas reformadas ou tradicionais (presbiterianas, batistas, metodistas) e, pouco depois, igrejas pentecostais (Assembleia de Deus e Congregação Cristã no Brasil). Do ramo pentecostal, assembleiano principalmente, surgem as chamadas igrejas neopentecostais.
Dentro dessa colcha de retalhos que as diversas denominações criaram, o foco evangélico ficou, em grande parte, desviado para a arregimentação de fiéis, principalmente dentro do próprio aquário evangélico. Aqui, mais fatores para a degenerescência da religiosidade que, em si, é pura.
Os fenômenos relatados se reforçam também com a influência de governos de tendência ateísta, os quais não tiveram (nem têm) qualquer interesse no espírito religioso de seu povo. Por isso, o esforço de um trabalho subreptício de aniquilação da religiosidade, qualquer que seja, sob a alegação de que o Brasil é um país laico. Sim, o Brasil é um pais laico; porém, a nação não é.
Conclusão: o abandono de Roma, relativamente à evangelização, a multiplicidade de igrejas evangélicas muito centradas no próprio umbigo, a degeneração dos princípios bíblicos causada pelo neopentecostalismo atual e o desinteresse governamental de tendência ateísta produziram em nossa gente uma fuga da religiosidade, portanto do interesse pela salvação da própria alma.
Diante deste painel, talvez esta seja a hora em que a igreja evangélica se empenhe na reconstrução dos princípios morais e ético-religiosos, a fim de ver, de fato, um Brasil voltado para um cristianismo autêntico.
 
 

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