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domingo, 17 de novembro de 2013

A DIFICULDADE DE SER SINCERO

O relacionamento humano, de modo geral, é estruturado sobre uma película inviolável que lacra a realidade dos pensamentos, dos atos, das avaliações e dos sentimentos. A existência desse lado indevassável das pessoas impede a franqueza da expressão, daí o surgimento do que se conhece por eufemismo.
Absolutamente ninguém se sente à vontade para ser franco, claro, verdadeiro; todas as pessoas vivem sob a pressão implacável de um cerceamento pronto para impor ao "atrevido" a pecha de intolerante, mal-educado, rebelde etc.
Não faço referência a possíveis exageros nas avaliações, nem a uma subjetividade levada a extremos, nem a uso de vocabulário impróprio ao meio social. Refiro-me ao "inalienável" direito da avaliação pessoal de todo e qualquer evento. O tal cerceamento criou o que chama de "politicamente correto". Mas, o que quer dizer "politicamente correto"? Quer dizer: critique, mas não ultrapasse a "película protetora", que tem de permanecer inviolável. Quer-se dizer: não mexa com isso!
Existe um "status quo" nas sociedades que as resguarda, evitando-lhes a vulnerabilidade. Sociedade é aquilo que se constitui inviolável. Sem esse "status quo", as sociedades ficarão expostas, elas se desfarão. Qualquer sociedade é mantida assim.
Ora, se nos dispusermos a fazer parte dessa ou daquela sociedade, necessariamente nossa liberdade irá até o ponto em que esbarrar na "película protetora", a partir daí, é-nos permitido no máximo o politicamente correto, o eufemismo.
Nessa condição, o homem bajulador, de caráter fraco, de índole mentirosa trafega tranquilamente nos espaços sociais, porque não se preocupa com o que está sob a "película protetora". Entretanto, homem honesto, verdadeiro, observador e capaz de avaliar situações sente-se boicotado, fica frustrado e tem apenas dois caminhos: calar-se, sentindo-se um conivente; ou excluir-se do meio, sendo visto como aquele que "estava entre nós, mas não era dos nossos".
Já ouvi muitas vezes essa referência, parafraseando o que registra a I Carta de João, 2. 19: "Eles saíram do nosso meio, mas, na realidade não eram dos nossos; pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem nos abandonado revela que nenhum deles era, realmente, dos nossos". (KJ). A referência do apóstolo é contextualizada; se mal utilizada, serve para qualquer situação em que se queira acusar a não-permanência de alguém em um grupo. Até marginais à lei podem valer-se dessa passagem. Os crentes convertidos estão incluídos nesses dissidentes, assim como os que abandonaram a fé, o que provocou o escrito de João.
Jesus nunca se importou com o "politicamente correto", mas confrontou os errados, muitas vezes de maneira nem tanto elegante: "Vós pertenceis ao vosso pai, o Diabo..." (João 8. 39). " digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó, no Reino dos céus. Entretanto, os herdeiros do Reino serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes". (Mt 8. 11-12).
Se nós, cristãos, seguimos a Jesus Cristo e obdecemos à Sua Palavra, por que nos sentimos amedrontados diante do cerceamento do "politicamente correto" em relação ao nosso próprio meio e em relação ao mundo?

Um comentário:

  1. Izaldil.

    Eu entendo que muitas pessoas sinceras ao exercer sua sinceridade o fazem com falta de educação. Não é sem proposito que na Bíblia Sagrada está escrito que existe tempo para ficar calado e que a verdade deve ser dita com amor.

    Abraço.

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